domingo, 25 de novembro de 2012

Precificação - 6º princípio: conheça a concorrência


Resumo: Uma nação que vai à guerra sabe exatamente contra quem irá combater e conhece a localização, os pontos fortes e fracos do inimigo, além do principal: o que deseja conquistar ou defender.

Tags: concorrente, preço, ético, ataques, estratégias, precificar

A concorrência é uma variável que influencia sensivelmente no preço e, portanto deve ser minuciosamente estudada. Avaliar o “inimigo/concorrente” contribui para economizar “munição”, especialmente em tempo de margens enxutas. Quando isso ocorre, uma das formas de maximizá-las é reduzindo custos. Um exemplo é a aplicação de recursos em propaganda. Esta é uma medida vital para divulgar a empresa, mas é imprescindível que seja antecipada de um planejamento. Alguns empresários exageram na “artilharia” para demonstrar qualidades que o produto ou serviço não possuem, o que será logo percebido pelo consumidor e será traduzido em mais “munição” desperdiçada.

Conhecer os reais concorrentes, aqueles que podem tirar uma fatia da sua receita, é uma habilidade que poucos têm. Comece relacionando os concorrentes diretos. Uma empresa de contabilidade tem como concorrentes diretos principais (primários) outros escritórios semelhantes no porte, atuantes no mesmo espaço geográfico, que oferecem os mesmos serviços e na mesma faixa de preço. 

Mas há os concorrentes indiretos – normalmente despercebidos objetivamente –, aqueles que vendem produtos parecidos e abocanham parte da demanda. O empresário que presta serviços de contabilidade, escrituração fiscal e folha de pagamento pode ter um não contador como concorrente.  Empresas especializadas na prestação de serviços de recursos humanos (RH) podem tirar uma parcela da sua receita ao ser contratado pelo seu cliente para administrar o RH.do

Identifique os concorrentes diretos e indiretos, se possível seja cliente deles para conhecer a prestação do serviço, a comunicação com o mercado e o preço oferecidos por eles. Contratar uma empresa especializada para identificar os concorrentes e as principais estratégias adotadas poderá trazer significativos resultados para prevenir “ataques” por meio do desenvolvimento de vantagens competitivas. Evite a guerra – inclusive nos preços –, pois devasta o mercado.

Na Revista Veja de 21/04/2011, Daniela Khauaja escreveu que “para ter sucesso é interessante ter “bons concorrentes” que desafiem sua empresa a fazer sempre melhor e a continuar inovando”. Ela ainda sugere que sejamos éticos para ajudarmos a desenvolver o mercado.
 
Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”

domingo, 18 de novembro de 2012

Precificação - 5º princípio: apure os custos diretos por produto ou serviço, inclusive o valor da mão de obra direta


Resumo: Para definir o preço de venda com base no custo é necessário conhecer todos os valores que envolvem a produção e/ou aquisição de um produto ou serviço. A definição de custo pode ensejar dúvidas, principalmente quando se tratar de prestação de serviços contábeis.

Tags: custo direto, mão de obra, encargo.

A política que define o preço de venda possui três enfoques: custo, concorrência e o valor percebido pelo cliente.  Todas elas estão detalhadas em artigo publicado neste blog em março desse ano.

Nos casos em que a precificação é baseada no custo – habitualmente, a mais empregada – o conteúdo deste 5º princípio é de fundamental importância, pois os custos diretos passam a ser a base da precificação. Na produção de uma camisa, por exemplo, fazem parte dos custos diretos o tecido, a linha, os botões, a entretela e a mão de obra. Da mesma forma, na fabricação de um cinto, são o couro, a fivela, a linha e a mão de obra. Os custos diretos da fabricação de um lápis são a madeira, o grafite, a tinta e a mão de obra, e assim por diante.

No comércio, custo direto é tudo o que envolve a aquisição da mercadoria. Assim sendo, além do valor da mercadoria, devem considerar todos aqueles necessários para colocá-lo no estabelecimento, tais como frete, seguro e tributos não recuperáveis.

E na prestação de serviços? O que deve ser considerado custo direto? Vejamos o caso do encanador que faz o conserto e disponibiliza os materiais necessários. Serão classificados como custos diretos a mão de obra e os materiais aplicados (cano, torneira, chuveiro etc.). Para o advogado, o custo direto pode ser a mão de obra, as fotocópias, autenticações, reconhecimento de firma, encadernações e despesas com deslocamentos e hospedagens.

Nas empresas de contabilidade, o custo direto mais representativo é aquele com a mão de obra - salário, encargos sociais e trabalhistas e outros benefícios. Contudo, pode haver outros, como os serviços terceirizados com as encadernações, fotocópias, autenticações e o reconhecimento de firma. Também são considerados os gastos necessários com o deslocamento, refeições e hospedagem para executar o serviço.

Encontre o valor da mão de obra direta de um serviço multiplicando o tempo gasto na execução do serviço pelo custo da hora. Para saber qual é o custo da mão de obra recomendamos atribuir todos os dispêndios com os colaboradores – salários, demais benefícios, encargos sociais e trabalhistas – e dividir pelo número de horas mensais disponíveis para venda.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”
18/11/2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Precificação - 4º princípio: encontre o critério mais adequado para o rateio dos gastos indiretos


Resumo: O rateio dos gastos indiretos do produto ou serviço é uma missão que exige relevante conhecimento de custeio. Qualquer manobra equivocada pode inviabilizar a comercialização ou comprometer a lucratividade.

Tags: rateio, apropriação, custos indiretos, alocação.

Sempre que possível, os gastos devem ser impostos diretamente ao serviço ou produto, eliminando ao máximo outros processos de distribuição. No entanto, aqueles gastos que são impossíveis da aplicação direta, denominados gastos indiretos, exigem um critério para o rateio.

Quem decide trabalhar com o custeio variável está dispensado da preocupação com o rateio dos gastos indiretos, pois o cálculo termina ao encontrar a margem de contribuição de cada serviço ou produto. A margem de contribuição, também chamada de lucro bruto, é a sobra que auxilia para o pagamento dos gastos fixos e a geração do lucro líquido.

Já aos que optam por trabalhar com o custeio por absorção, ou seja, aplicar no serviço ou produto todos os custos – tanto os diretos quanto os indiretos – será preciso empregar artifícios para apropriá-lo. Para este custeio, o rateio dos gastos indiretos é um mal indispensável, que exige conhecimento, bom senso e aptidão.

Encontrar o justo critério para partilhar os gastos indiretos com o serviço ou produto é uma tarefa complexa e o erro pode comprometer o sucesso no momento da venda. Quanto maior for o custo do produto ou serviço, certamente maior é o preço de venda. Desta forma chamamos a atenção para o momento de eleger o critério de rateio dos gastos indiretos, para não ser atribuído, erroneamente, um custo distorcido.

São muitos os métodos de rateio dos gastos indiretos, mas as principais bases utilizadas são:
  • custos diretos;
  • custo da mão de obra direta;
  • quantidade produzida;
  • tempo utilizado pelas máquinas;
  • tempo utilizado pelos colaboradores;
  • área ocupada por linha de produção ou departamento;
  • custo da matéria-prima básica.

É perfeitamente possível utilizar bases diferentes para o rateio dos gastos indiretos numa mesma empresa. Exemplificando: o aluguel e o IPTU podem ser rateados com base na área ocupada; os gastos com o departamento que administra os recursos humanos (RH), com base no número de funcionários produtivos de cada setor; e os demais gastos indiretos de acordo com a quantidade produzida.

Para as empresas prestadoras de serviços na área contábil minha sugestão é utilizar como base para o rateio dos gastos indiretos o custo da mão de obra direta e posteriormente dividir o somatório dos custos diretos e gastos indiretos atribuídos pelo número de horas de cada departamento produtivo. Esta fórmula vai permitir encontrar o custo total por hora em cada departamento.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”.

domingo, 4 de novembro de 2012

Precificação - 3º princípio: relacione todos os gastos e os segregue por grupos


Resumo: Para determinar o preço de venda de um produto ou serviço é necessário conhecer com segurança todos os custos e gastos. Será que a prática de “chutar” valores, mais comum do que se imagina, traz segurança para precificar?

Tags: gastos, custos, despesas, precificar, controle, preço

O objetivo deste artigo é simplificar ao máximo a explicação sobre a formação do preço de venda, especialmente as diferenças fundamentais entre custo e gasto, ambos valores envolvidos no processo, pois o foco principal deste espaço virtual é auxiliar empresas prestadoras de serviços, mais especificamente as empresas contábeis, nesta tarefa.

Custos
Gastos feitos para a elaboração do serviço ou produto são considerados custos. No comércio, o gasto com a aquisição de mercadorias é considerado custo. Já na prestação de serviços, o custo mais significativo é o da mão de obra direta, com encargos e outros benefícios, tais como o vale-transporte, auxílio faculdade, vale alimentação, seguro e uniformes.

O custo com pessoal indireto pode ser classificado nesta categoria, mas em um setor específico para ao final ser rateado entre os departamentos produtivos.

Além dos salários, encargos e benefícios, as empresas prestadoras de serviço é pouco comum outros custos diretos, mas pode acontecer como, por exemplo, os gastos de viagem de uma empresa que precisa do deslocamento para prestar o serviço (passagem aérea, alimentação e hotel). Ou ainda quando a empresa utiliza material específico para desenvolver o serviço, tais como encadernação ou serviço terceirizado.

Ainda na categoria de custos há aqueles que incidem somente no momento da venda, como os tributos e as comissões.

Gastos
É todo dispêndio financeiro. Tudo aquilo que se gastou ou consumiu e não tem qualquer tipo de retorno financeiro, como um investimento ou um custo. No entanto, um investimento através do processo de depreciação pode ser transformado em despesa ou custo. Exemplos comuns de gastos são o aluguel, o condomínio, o software, os seguros, os cursos, a manutenção de veículos, as tarifas bancárias, a depreciação, a assessoria jurídica e o material de escritório. Importante: tudo aquilo que não é classificado como investimento ou custo é considerado gasto.

Todo empreendimento deve ter rígido controle gerencial. Na empresa de contabilidade não pode ser diferente. Portanto, estruture o plano de contas com os detalhes necessários para cada realidade e mantenha a escrituração gerencial rigorosamente em dia. Mensalmente, encerre o balanço e o analise. Comparando com o planejamento e os meses anteriores. Com base nestas informações será possível precificar com maior segurança.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”

domingo, 28 de outubro de 2012

Precificação - 2º princípio: conheça e explore os pontos fortes e fracos do produto ou serviço


Resumo: Muito se fala e escreve sobre os pontos fortes e fracos das empresas e das pessoas, mas é de vital importância conhecer também os pontos positivos e negativos do produto ou serviço para maior sucesso na aceitação pelo consumidor.

Tags: pontos fortes, pontos fracos, serviço, produto, precificar

Os pontos negativos são aqueles sempre mais lembrados pelos outros, pois enxergá-los, em primeiro lugar, é uma característica do ser humano. Nem as pessoas bem sucedidas escapam de ter pontos fracos e de ter os mesmos apontados pelos outros, porém de alguma forma conseguem minimizar o impacto dos mesmos sobre suas vidas e tornam-se referência em alguma área. Alguns pontos negativos que impactam a vida das pessoas são a preguiça, a falta de paciência, a vingança, a distração, a timidez, o excesso de sentimentalismo e a má administração do tempo.

As empresas, que nada mais são do que as pessoas que as administram, estão sujeitas aos pontos fracos destas e, portanto, podem tornar-se lentas, desorganizadas, pouco arrojadas ou trabalhar com a emoção ao invés da razão, entre tantos outros.

Tanto na vida pessoal quanto na profissional deve-se procurar neutralizar os pontos negativos e, mais importante, potencializar os positivos. Por exemplo: um jogador de futebol que não manteria sua posição dado ao seu – apenas – bom futebol de dribles, passes e marcação, mas devido ao fato de ser um exímio cobrador de faltas, é mantido como titular para aproveitamento das bolas paradas. Este profissional, apesar de excelente batedor, deve continuar, cada vez mais, se especializando nas cobranças de faltas, ou seja, potencializando seu valor positivo.

Os produtos e serviços também têm valores positivos e negativos, então é imprescindível identificá-los para garantir o sucesso nas vendas. Numa situação hipotética, uma pesquisa de mercado e outras abordagens junto aos clientes identificaram o alto custo dos honorários e o extenso prazo para execução de um serviço de contabilidade como pontos negativos. No entanto, apareceu como valor positivo o alto grau de satisfação após a conclusão do serviço contratado.

Assim já é possível estabelecer uma estratégia de trabalho para comercializar o serviço. No caso citado, seria a de apresentar ao prospect (cliente potencial) o depoimento de consumidores de serviços já concluídos que afirmam ser compensadora a morosidade para a execução do serviço, pois as expectativas com os resultados finais foram superadas. Certamente depoimentos verdadeiros como estes contribuirão para concretizar novos negócios, pois tornam o serviço mais palpável e podem justificar a demora. Fica claro que se trata de um serviço diferenciado, que exige profissionais constantemente qualificados e tem a necessidade de maior tempo e consequentemente custo para a execução.

Pesquise para identificar se, em seu serviço ou produto, os pontos a seguir são valores positivos ou negativos: custo fixo, qualificação e atualização dos colaboradores, software utilizado, localização, site, formato da apresentação das informações (embalagem), agilidade na apresentação dos resultados solicitados, amabilidade no tratamento dos clientes, empresa tradicional, preços praticados, oferta de palestras e treinamentos.

Normalmente o produto ou serviço é mais conhecido pelos consumidores do que a empresa que o produz, o que justifica conhecer com profundidade seus pontos fortes e fracos.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”

domingo, 21 de outubro de 2012

Precificação - 1º princípio: faça pesquisas para conhecer as necessidades do mercado


Resumo: A pesquisa de mercado bem planejada demonstra com clareza se o fornecedor está no caminho certo rumo ao encontro dos desejos dos clientes.

Tags: precificar, pesquisa, método

A adoção da ferramenta de pesquisas é pouco comum pelas pequenas empresas e os motivos são os mais diversos. Citamos dois deles, para nós os principais e ambos injustificáveis: desconhecimento e redução de custos.  A importância das pesquisas é amplamente divulgada em todos os meios, inclusive nos treinamentos oferecidos pelo Sebrae, e a custos bastante reduzidos. O Sebrae, aliás, que recebe verbas governamentais, também tem projetos para pesquisas.

Para fazer bons negócios é de fundamental importância conhecer o processo inconsciente que leva à tomada da decisão de compra. Este modelo genérico se divide em quatro etapas:
      ·         Reconhecimento da necessidade;
      ·         Busca de informações;
      ·         Avaliação das alternativas;
      ·         Opção (processo de decisão) – o aprofundamento neste tema contribui sensivelmente para melhor elaborar a pesquisa e obter resultados mais significativos.

A investigação deve começar com o planejamento. Discutir amplamente o que se deseja saber, quais perguntas devem ser formuladas e como abordar o cliente, entre outras questões. O método de coletas de informações primárias pode ser composto de:
      ·         Entrevistas pelo telefone ou pessoalmente;
      ·         Pesquisas via e-mail ou pelos Correios;
      ·         Questionários, também via e-mail ou Correios;
      ·         Grupos focais que reúnam amostras de potenciais consumidores ou clientes para feedback direto sobre um produto ou serviço.

O processo mais assertivo para conhecer o mercado é compreender como um negócio se concretiza. Para isso é necessário analisar o comportamento de consumidores, fornecedores e da concorrência. A observação e a pesquisa são peças fundamentais para este processo, capaz de retratar fielmente nichos lucrativos de produtos ou serviços.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Princípios da precificação


A incansável busca por fórmulas mágicas para precificar os serviços de contabilidade parece nunca chegar ao fim. É como um milagre que os santos têm dificuldades para atender.

Tags: princípio, tempo, custo, preço de venda.


Os contadores costumam orientar seus clientes a levantar balancetes periódicos e analisar os resultados. Aos que não conseguem obter lucro são advertidos da necessidade da revisão criteriosa dos custos e formação do valor de venda. O nosso conselho é que a elaboração do preço prescinda de criteriosa busca de todos os custos. Continuamos afirmando que precificar é uma arte que necessita de conhecimento, disciplina e dedicação de tempo, hábitos imprescindíveis para alcançar resultados positivos e conquistar a desejada fatia do mercado.

Dedico-me ao estudo desta metodologia há alguns anos e apresento abaixo o que chamo de “Princípios da Precificação”:

1. Faça pesquisas para conhecer as necessidades do mercado;
2. Saiba quais são os pontos fortes e fracos do produto ou serviço e os explore;
3. Relacione todos os gastos e os segregue por grupos - diretos, indiretos e de comercialização;
4. Encontre o critério mais adequado para o rateio dos gastos indiretos;
5. Apure os custos diretos por produto ou serviço, inclusive o valor da mão de obra direta;
6. Conheça a concorrência;
7. Trabalhe com o lucro líquido justo;
8. Administre os gastos;
9. Acompanhe atentamente os movimentos do  mercado;
10. Aprofunde os conhecimentos de precificação;
11. Retire o produto ou serviço do mercado no momento certo e inove.

Muitas vezes é difícil entender os motivos que levam alguns empreendedores a ter mais ou menos sucesso, mas posso garantir que aqueles que atentam aos princípios acima têm maiores chances de alcançá-lo.

Nas próximas semanas abordarei cada um desses princípios da precificação para deixá-los compreensíveis e de fácil aplicação.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado"

Inovar é a receita do sucesso

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A incansável busca por fórmulas mágicas para precificar os serviços de contabilidade parece nunca chegar ao fim. É como um milagre que os santos têm dificuldades para atender.

Tags: princípio, tempo, custo, preço de venda.

Os contadores costumam orientar seus clientes a levantar balancetes periódicos e analisar os resultados. Os que não conseguem obter lucro são advertidos da necessidade de revisão criteriosa dos custos e formação do valor de venda. Nosso conselho é que a elaboração do preço prescinda de criteriosa busca de todos os custos. Continuamos afirmando que precificar é uma arte que necessita de conhecimento, disciplina e dedicação de tempo, hábitos imprescindíveis para alcançar resultados positivos e conquistar a desejada fatia do mercado.

Dedico-me ao estudo desta metodologia há alguns anos e apresento abaixo o que chamo de “Princípios da Precificação”:

1. Faça pesquisas para conhecer as necessidades do mercado;
2. Saiba quais são os pontos fortes e fracos do produto ou serviço e os explore;
3. Relacione todos os gastos e os segregue por grupos - diretos, indiretos e de comercialização;
4. Encontre o critério mais adequado para o rateio dos gastos indiretos;
5. Apure os custos diretos por produto ou serviço, inclusive o valor da mão de obra direta;
6. Conheça a concorrência;
7. Trabalhe com o lucro líquido justo;
8. Administre os gastos;
9. Acompanhe atentamente os movimentos do  mercado;
10. Aprofunde os conhecimentos de precificação;
11. Retire o produto ou serviço do mercado no momento certo e inove.

Muitas vezes é difícil entender os motivos que levam alguns empreendedores a ter mais ou menos sucesso, mas posso garantir que aqueles que atentam aos princípios acima têm maiores chances de alcançá-lo.

Nas próximas semanas abordarei cada um desses princípios da precificação para deixá-los compreensíveis e de fácil aplicação.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado"

Gilmar Duarte

domingo, 30 de setembro de 2012

A “saudável” parceria entre o fisco e o contador


Agentes do governo costumam dizer, nas palestras para a classe contábil, que o contador é o grande parceiro do processo de arrecadação de tributos.

Para aprofundar neste discurso vamos, primeiramente, buscar o significado da palavra parceiro. No dicionário, a definição encontrada é "cada um dos indivíduos ou empresas que se associam para realizar ou desenvolver projetos comuns, permitindo a cada uma das partes servir melhor os interesses da outra."

A parceria sadia é aquela na qual um contribui de alguma forma para que o outro seja beneficiado. No entanto, a recíproca deve ser verdadeira, ou seja, ambos devem obter benefícios.

No caso tributário, o governo, nas diversas esferas, pede que o contador atue como agente fiscal. Espera que fiscalizemos nossos clientes para denunciá-los tão logo seja identificada qualquer anormalidade capaz de trazer danos ao erário. A primeira pergunta a se fazer é se cabe ao contador fiscalizar a empresa para a qual presta serviços.

É importante frisar que o foco do contador não é prestar informações ao fisco, mas controlar, planejar e orientar o cliente para a boa gestão empresarial. A empresa deve gerar empregos, fabricar produtos que supra as necessidades e o conforto das pessoas, arrecadar tributos, gerar lucro aos sócios e prosperar.

Será que a tão propalada "parceria" que o fisco invoca nas conversas com a classe contábil procede? Alguma vez o fisco informou qual é o retorno oferecido ao contador? Eu informo. Muitas vezes sobra demagogia, mau atendimento, pouco caso e pesadas multas, que resta ao contador arcar.

Um traço de parceria poderia haver caso os erros do fisco que resultam em retrabalho fossem multados em favor do contador, o que beneficiaria o profissional zeloso e ainda permita uma reserva para compensar futuros prejuízos.

Não é assim. Ao contrário, além de não ser ressarcido, ainda temos de despender tempo para justificar que foi feito certo. Que parceria é esta?
Nenhuma. Não pode haver parceria que apenas um lado se doa. O governo exige demais e retorna de menos, a não ser pesadas multas no descumprimento de prazos, muitas vezes perdido pela falta de condições para a efetivação do trabalho.

Para estabelecer a tão falada parceria sugiro a eliminação das penalidades e ofertar condições dignas de trabalho, com prazos justos para atender as obrigações acessórias.

Cada uma das partes - governo e contador - deve procurar servir melhor aos interesses da outra, única possibilidade de formar a verdadeira parceria.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado” e palestrante.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ser dono do próprio nariz exige conhecimentos para administrar


Resumo: Conhecer as aptidões e expectativas de um jovem é determinante para o seu sucesso. É crescente o número de pessoas que se lança no mercado empreendedor, então a grande expertise é estar preparado.

Tags: administração, empresa, faculdade, empresário.  

O sucesso pessoal e profissional está diretamente ligado à felicidade, medidos pela satisfação pessoal e pela melhor remuneração financeira.

De acordo com informação publicada este ano na Gazeta Online com informações do instituto norte-americano Marist Institute for Public Opinion, “aqueles que ganham uma média de U$ 50 mil, ou cerca de R$ 95 mil por ano (R$ 7,9 mil por mês) são mais felizes e satisfeitos do que aqueles que ganham menos ou mais do que isso.”

“Ser dono do próprio nariz”, ou seja, ter a própria empresa aumenta significativamente as responsabilidades, mas vem acompanhado de muitos benefícios. Os principais são o horário de trabalho, que pode ser mais flexível, e a possibilidade de maior remuneração. Ambos atendem aos anseios familiares. No entanto é frequente ouvirmos empresários que reclamam de dificuldades para administrar seus negócios. Para piorar, as estatísticas de mortalidade das empresas são elevadas.

Pessoas que se lançam no exigente terreno da gestão empresarial sem experiência muitas vezes perdem todas as economias e se veem obrigadas a retornar ao disputadíssimo mercado do emprego formal, em alguns casos com ganhos menores.  Em que pesem as dificuldades, é real a possibilidade de tornarem-se empresários. A grande questão é: como se preparar?

Os jovens têm dificuldades para decidir pela profissão e nem sempre contam com o apoio dos pais ou professores nesta tarefa. O resultado mais do que conhecido é que muitos deles cursam a faculdade errada. Algumas profissões são mais disputadas em função da visibilidade e do significado que já possuíram no passado, dando a impressão de garantia de futuro soberano.

Não são raros os jovens que perdem longos anos de suas vidas tentando, sem sucesso, ser aprovados no disputadíssimo vestibular. Outros estudam um ou dois anos e concluem que não é o que almejam. Alguns concluem a universidade, mas nunca chegam a exercer a profissão, e há ainda aqueles que exercem profissão enquanto tornam-se empresários.

Grande parcela destes jovens decide tornar-se empresária com pouco ou nenhum conhecimento sobre a administração do negócio. Onde está o erro? Talvez no momento de identificar os objetivos profissionais.

Costumo dizer ao jovem indeciso quanto ao futuro profissional que curse administração de empresas, pois esta nunca será perdida. Afinal, na pior das hipóteses, somos todos administradores das finanças pessoais. E como já dito, a chance de constituir uma empresa nos dias de hoje é grande. Saber administrar é o primeiro passo de um empresário sucesso.

Gilmar Duarte é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução com base no estudo do tempo aplicado”

domingo, 16 de setembro de 2012

O tabelamento dos honorários contábeis


Resumo: Controlar as tarefas e anotar o tempo pode ser complexo. Ao menos é o que relatam alguns empresários em minhas palestras. Vamos, então, fazer uma breve reflexão sobre outra forma que seja mais prática, demande pouco esforço e que atinja o alvo.

Tags: tabelamento, aviltamento, honorário, contabilidade.

Começamos determinando exatamente qual é o alvo que pretendemos atingir. Acredito que você concorda que o principal objetivo é definir o valor dos serviços prestados de forma equilibrada, capaz de cobrir todos os custos e despesas envolvidas e gerar lucro. O desejo de todo empresário é conhecer os custos e a lucratividade por serviço e por cliente.

O próximo passo é definir o preço dos serviços. Esta tarefa é labiríntica, sabemos disso, e com a intenção de facilitar vamos focar a análise na proposta de tabelamento, normalmente publicadas pelos sindicatos de classe. Mas como se chega até os valores ali propostos, como confeccioná-la? Parece que reunir alguns empresários contábeis, de preferência os oriundos de grandes empresas e que costumeiramente praticam preços acima da média do mercado, torna possível estabelecer a tabela que contempla todos os serviços com boa lucratividade.

Tabela feita, o próximo passo é divulgá-la e suplicar a todos os empresários contábeis que a adotem, colocando um fim no tão propagado aviltamento dos honorários. Esta tabela deverá ser uma proposta indicativa, pois do contrário poderá ser enquadrada como cartelização pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Se a tabela foi criada com critérios bem definidos e aplicação de margem de lucro razoável, é provável que sugira preços justos. Do contrário, sua aplicação poderá favorecer a adoção de descontos, muitas vezes exagerados. Se isto ocorrer, ao descrédito de sua eficácia seguirá o abandono.

Na minha avaliação, a existência de tabelas de preços oferecida por alguma associação de classe não dispensa o empresário contábil de ter seus próprios controles de custo e formação do preço de venda. Só assim será possível aferir a mesma, propor correções e, especialmente, conhecer a real necessidade de conceder algum desconto.

Por fim sugiro precificar os serviços com base no tempo aplicado e se for possível, dentro do que é legal, criar a tabela dos preços mínimos, o que contribui muito para a valorização da classe.

Gilmar Duarte é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução com base no estudo do tempo aplicado"
16/09/2012

domingo, 9 de setembro de 2012

O tempo dos colaboradores é a sua principal matéria-prima?


Resumo: A compra de matéria-prima para fabricar produtos ou mercadorias é feita sob rigoroso controle do estoque, tarefa normalmente auxiliada por um sistema. Se a matéria-prima das empresas prestadoras de serviços, quase sempre muito cara, é a mão de obra dos colaboradores, por que nesta também não se aplica um rígido controle para evitar o desperdício?

Tags: tempo, mão de obra, controle,

Descrição:
Tenho proferido muitas palestras para empresários­ contábeis e alunos de contabilidade e administração com o objetivo de divulgar a metodologia de precificação da hora trabalhada com base no tempo aplicado nas tarefas. Observo que tudo vai muito bem até que se fale na marcação do tempo. Parece que anotar algumas informações relativas ao tempo é algo muito complexo.

O tempo é finito, ou seja, vai terminar para cada um de nós, e é um dos bens mais preciosos da nossa vida. Se isto é verdade, por que temos tanta resistência no controle para utilizá-lo da melhor forma possível?

Fazer a contabilidade de qualquer empresa demanda apenas cinco informações: data, conta débito, conta crédito, valor e histórico. Com estas informações são gerados muitos relatórios para a análise do desempenho, como o Balanço Patrimonial, DRE, DOAR, DFC, Mutações do Patrimônio Líquido, razão e outras mais. Considero impressionante o que a contabilidade pode gerar com estas pouquíssimas, mas valiosas, informações.

O mesmo acontece com o controle do tempo. Calculá-lo depende de apenas seis informações: cliente, colaborador, serviço, data, hora inicial e hora final. Com base nestas anotações que cada colaborador faz diariamente é possível conhecer, num determinado período, o tempo aplicado por colaborador em cada cliente, o tempo mensal necessário para executar as tarefas de cada cliente, como cada colaborador aplicou o seu tempo, quais tarefas tomam mais tempo da sua equipe e qual o lucro líquido gerado por cada cliente, entre outras análises.

Para precificar o tempo apure todos os custos diretos fixos e variáveis, gastos fixos indiretos e determine o lucro líquido desejado. Em seguida multiplique o valor da hora pelo tempo necessário para executar o serviço e encontrará o valor do serviço.

Por que muitos acreditam ser difícil marcar o tempo? Tenho certeza absoluta de que a dificuldade decorre do desconhecimento, da ausência de tentativa ou de um possível erro que marcou a experiência inicial, o que impediu que os grandes benefícios gerados por este pequeno trabalho aparecessem.

Sem o controle o tempo, que é o bem mais precioso que você e os seus colaboradores possuem, pode se esgotar mais rápido do que se imagina, sem sequer ter sido valorizado adequadamente.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado” e palestrante.
09/09/2012

domingo, 2 de setembro de 2012

A chave da precificação


Resumo: O desenvolvimento de um produto exige muita criatividade e o acompanhamento de um bom profissional capaz de precificá-lo. Se houver falha nesta arte, o produto corre o risco de nunca chegar às prateleiras do comércio.

Tags: precificação, pesquisa de mercado, custo, lucro.

Descrição:
Determinar o preço de venda de um produto ou serviço é uma tarefa muito complexa e demanda um profissional com sólidos conhecimentos de custos e de mercado. Não basta ser um expert em cálculos, o que é suficiente para definir um preço justo para o vendedor, mas que, o comprador pode não estar disposto a bancar.

Este profissional, do qual o mercado carece, deve estudar todo o processo produtivo e ser um especialista, ou, ao menos, deter bons conhecimentos daquilo que compõe o custo variável, os custos e despesas fixas, além de sempre investir no estudo da tributação incidente sobre o produto ou serviço.

Estas características ainda serão insuficientes para determinar o preço do produto ou serviço, então é necessário fazer a pesquisa de mercado para conhecer quais são os produtos que irão concorrer e o valor que o consumidor está disposto a pagar. Relacionar os preços praticados e os diferenciais em relação ao produto ou serviços a serem lançados no mercado contribuirá significativamente para determinar o preço de venda.

Veja como esses dados estão sendo utilizados no comércio e, de posse dessas informações, organize-as. Com o auxílio de um software de custeio descubra se a comercialização do produto ou serviço irá lhe proporcionar lucratividade. Se o resultado for negativo é necessário revisar todos os processos produtivos, materiais aplicados e demais custos nele inseridos, com o objetivo de reduzi-los. Muitas vezes será necessário mudar o projeto ou até abortá-lo. O importante é obter lucro, ainda que modesto.

O produto ou serviço que, inicialmente, teve a precificação com lucratividade aceita pelo mercado deve ter esse valor avaliado periodicamente, para não incorrer em prejuízos decorrentes de alterações no custo. Os movimentos dos concorrentes também devem ser acompanhados, pois, caso mudem de estratégias, a resposta tem de ser rápida.

“A chave para a precificação lucrativa é reconhecer que os consumidores no mercado, não os custos, determinam o valor de venda de um produto. Por conseguinte, antes de incorrer em qualquer custo, os gerentes devem estimar quanto os consumidores podem ser convencidos a pagar por um futuro produto”.  Quem defende esta importante ideia é Thomas T. Nagle, autor do livro “Estratégia e Táticas de Preços”, publicado em 2007.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado.”

domingo, 26 de agosto de 2012

A responsabilidade civil para o contabilista ajuda ou atrapalha? - parte 2


Resumo: A profissão contábil tem fundamental importância na economia mundial. No caso brasileiro, o exercício profissional está previsto em nada menos do que 18 artigos do Código Civil Brasileiro. (1177 a 1195)

Tags: seguro, RCP, Código Civil, Contador

Descrição: Em 2009, a Caixa Econômica Federal (CEF) adquiriu 49% do Banco PanAmericano por quase R$ 800 milhões e posteriormente descobriu que foi enganada.  As demonstrações contábeis foram distorcidas e não refletiam a real situação do banco. A instituição adquirida possuía enormes dívidas e a Caixa assumiu grandes prejuízos.

Profundo conhecedor da ciência contábil, o contador é o profissional melhor preparado para fazer o “raio-X” das empresas, bem como para interpretá-lo. A adulteração do “raio- X” é tão prejudicial quanto a troca dos resultados de exames médicos de uma pessoa, podendo conduzir um tratamento errado e levar o paciente a consequências graves, inclusive a morte.

No caso contábil, o “raio-X” trocado também pode condenar um inocente.  Demonstrações contábeis adulteradas podem gerar sérias consequências, tais como prejuízo financeiro aos acionistas, governo ou sociedade, quebra de empresas, calotes e desemprego.

Inicialmente, o contabilista sentiu-se penalizado por demais com os 18 artigos do Código Civil Brasileiro que trataram exclusivamente da sua atuação profissional. Um passado não muito distante guarda uma mancha na relação empresário X contador. É sabido que alguns daqueles costumavam exigir de seus contadores a adulteração dos demonstrativos, sob a ameaça de demissão ou rescisão contratual da parceria para execução dos serviços contábeis. Em muitos casos, a necessidade de sobrevivência falou mais alto.

Hoje em dia, com as fortes penalizações para ambos os lados, o que parecia injusto acabou favorecendo a classe contábil. Raramente encontramos profissionais que cedem a estes abusivos (e, por que não dizer, criminosos) apelos. O empresário também sente o peso da mão da justiça e deixa de exigir a falsificação dos “exames” para maquiar a saúde financeira da empresa.

Quem ganha com isso? Todos ganham com a verdade. As decisões podem ser tomadas com maior segurança e os diversos relatórios contábeis passam, inclusive, a servir para a gestão, eliminando, para as empresas, a necessidade de manutenção das contabilidades fiscal e gerencial.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado.”
26/08/2012

sábado, 18 de agosto de 2012

A responsabilidade civil para o contabilista ajuda ou atrapalha? - parte 1


Resumo: Em todas as atividades, a exemplo do comerciante, advogado, zelador, garçom, motorista, jogador de futebol ou médico há aquele profissional zeloso, responsável, dedicado e preocupado em fazer o melhor. Obviamente há os que pensam e agem de maneira diferente e totalmente oposta. Este lado obscuro e comum a todas as profissões denigre a imagem da classe, pois tenta levar os íntegros ao lamaçal. Nestes casos, além da sujeira, também o mau cheiro torna a convivência insuportável.

Tags: seguro, RCP, Código Civil, Contador

Descrição:                                                                                                                                                                                                                  
O mau profissional, ou melhor, aquele que não é profissional, mas disfarçadamente se veste como tal, presta serviço de baixa qualidade e não executa todas as tarefas conforme determina a legislação e o código de ética da sua categoria. Propositadamente, muitas vezes ainda desvirtua informações para atender clientes igualmente inescrupulosos com o objetivo de tirar vantagens, tais como vencer uma concorrência, conseguir um empréstimo ou sonegar tributos.

Na maioria das vezes, o falso profissional oferece serviços a preços muito abaixo daqueles praticados no mercado, pois sabe que não prestará o serviço completo e, portanto, poderá ainda obter lucro. Mas será que o seu cliente está consciente de que receberá o serviço incompleto? Normalmente, não. Além de desconhecer, ele só perceberá tempos depois, quando receber visita da fiscalização ou necessitar de informações e documentos que nunca foram feitos.

Você já deve ter sido consultado por algum cliente que se julgou enganado pelo contador ou outro profissional, razão pela qual passou a ficar ressabiado com todos os demais profissionais. Este cliente deseja detalhes para saber se você é diferente do anterior e se mostra disposto até a remunerar melhor o novo contratado, afirmando que o honorário barato pago anos a fio acabou ficando muito caro.

Especificamente para o contador, quero dizer que a responsabilidade civil criada com o Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2003) e o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) veio para valorizar o bom profissional. Com as novas leis, a chance de o contador imprudente sofrer grandes penalizações, assumir prejuízos causados a terceiros, ser condenado à prisão por até cinco anos e perder o direito de exercer a atividade ficou muito maior. Essas penalizações têm sido imputadas aos maus profissionais com significativa frequência, conforme pode ser observado nos noticiários nacionais.

Entendo que o endurecimento da legislação veio para contribuir na valorização dos bons profissionais da contabilidade, pois é ofertando segurança e bons serviços para a sociedade que chegaremos ao pódio do reconhecimento, local adequado aos que lutam pela valorização e evolução da profissão. No entanto, há necessidade do policiamento da equipe de trabalho, bem como de contratar o seguro de Responsabilidade Civil Profissional para ampliar a segurança oferecida aos clientes.

Gilmar Duarte da Silva é autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 12 de agosto de 2012

A União contribui com o sucesso do empresário contábil


Resumo: 12 de janeiro é o Dia do Empresário Contábil. A data comemorativa foi instituída no ano passado pela lei 12.387. Isto mesmo, 2011. É muito recente. Mas, afinal de contas, o que significa ser um empresário contábil? Basta ser contador ou contabilista?

Tags: empresário contábil, sindicato, união, valorização.

Descrição:
Empresário é toda pessoa que estabelece uma entidade para ofertar produtos ou serviços. No entanto, o simples exercício de uma atividade econômica não faz de ninguém um bom empreendedor.

Geralmente o profissional da contabilidade inicia suas atividades e aprende o oficio trabalhando de colaborador de um empresário. Com o passar do tempo, o profissional vai ganhando autoconfiança e se sentindo seguro para executar todos os serviços do meio contábil, momento em que resolve começar o seu próprio negócio. E assim surge mais um empreendedor no mercado.

O novo empresário contábil ocupa-se com todas as tarefas para prestar o melhor serviço possível ao cliente. Faz a contabilidade, a escrituração fiscal, a folha de pagamento e todas as obrigações acessórias. Quando o serviço vai se acumulando o competente profissional decide contratar ajudantes, mas continua sendo o melhor cumpridor das tarefas rotineiras e muitas vezes se gaba desta façanha.

Imagine se, por exemplo, é possível ao empresário do ramo da indústria do vestuário se ocupar em fazer a modelagem, cortar o tecido, costurar e ainda auxiliar no acabamento do produto. Ele terá condições de fazer tudo isto e ainda bem administrar a empresa? Ele terá qualidade de vida?

Ao pesquisar diversos autores podemos resumir como as principais características do perfil de um empreendedor: autoconfiança, automotivação, criatividade, flexibilidade, energia, iniciativa, perseverança, resistência à frustração e disposição para assumir riscos. Perceba que a ocupação com tarefas rotineiras, ou seja, “colocar a mão na massa” não faz parte da lista.

O empresário contábil deve pensar, planejar e administrar o seu negócio. Atualmente vivemos grandes mudanças no meio contábil com o advindo dos SPEDs, do IFRS e das constantes obrigações que o governo cria ou que os clientes exigem. A classe precisa unir-se mais ainda para decidir como enfrentar os novos problemas, pois a falta de pensamento coletivo faz brotar a insegurança e pode comprometer a precificação dos serviços. “Ninguém está cobrando por determinado serviço – logo, se eu cobrar, posso perder o cliente. Melhor fazer de graça”. Pronto. A armadilha está ativada. Este empresário contábil que pensa e age desta forma trabalhará mais e receberá bem menos do que deveria. É assim que queremos continuar?

A pressão exercida por alguns clientes tem sido cada vez maior. Muitos exigem um nível acima do excelente na prestação do serviço, mas se ofendem quando informados do custo, irritam-se e ameaçam buscar um profissional menos ganancioso. Se isto também ocorre com você saiba que seu desconforto se repete em muitas empresas de contabilidade.
Mudar este cenário e valorizar o desempenho profissional do empresário contábil depende de nós mesmos, e a forma mais natural de provocar a mudança é buscando a união. Os sindicatos da classe contábil nunca estiveram tão atuantes como hoje, então engaje-se para conhecer melhor como é possível trabalhar com rentabilidade digna. Quanto mais empresários fizerem parte do grupo, maiores serão as conquistas, a força e a valorização da categoria.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários contábeis. Uma metodologia baseada no estudo do tempo aplicado”.

12/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Novas normas contábeis (IFRS) exigem ainda mais profissionalismo


Resumo: As novas normas contábeis introduzidas no Brasil a partir de 2007 trazem grandes benefícios capazes de inserir nosso país, ainda mais, no contexto internacional. A padronização é necessária para a melhoria na qualidade das informações.
Tags: IFRS, padronização, novas normas, contabilidade
Descrição:
Há muito tempo estudiosos do mundo todo procuram desenvolver conceitos para facilitar a vida dos investidores na análise das demonstrações financeiras. Em 2004, após o insucesso de estudos nos Estados Unidos da América, foi publicado na Inglaterra um conjunto de pronunciamentos contábeis mundialmente reconhecido e conhecido pela sigla IFRS, International Financial Reporting Standards, ou, simplesmente, normas internacionais de contabilidade.
Os estudos foram motivados pelas dificuldades enfrentadas por empresas multinacionais na conversão das demonstrações financeiras para a consolidação na matriz. É importante lembrar que a contabilidade é avaliada pela sua capacidade de fornecer informações úteis ao processo decisório dos usuários.
Com o advento da Lei 11.638/2007 passou a ser exigido o IFRS, a partir de 2010, para instituições financeiras e empresas de capital aberto. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), órgão criado em 2005 pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com as atribuições de estudar, preparar e, exclusivamente, divulgar procedimentos de contabilidade passou a comandar a implantação das novas normas contábeis.
Entre elas, o CPC definiu que, a partir de 2011, a adoção do IFRS passa a ser exigido para todas as empresas, inclusive micro e pequenas (MPEs), mesmo aquelas optantes pelo regime de tributação do Simples Nacional. Em princípio parece um descabimento, pois, recentemente, foi amplamente divulgado o projeto de lei  289/2008, do Senado Federal, que visa abolir a contabilidade para as empresas optantes pelo Simples Nacional, o que esperamos não ser aprovado, pois trata-se de um demasiado retrocesso.
Assim como a Lei 6.404/76 trouxe profundas alterações na contabilidade e os profissionais contábeis sentiram-se ameaçados quanto à continuidade da sua profissão, as novas normas contábeis provocam os mesmos sentimentos. As alterações são grandes, de difícil compreensão e exigem que o contador estude muito, o que nunca foi problema para esta classe, pois seguidamente são introduzidas inovações, tais como o Simples Nacional, que não tinha nada de simples, principalmente pela falta de clareza na legislação; e os diversos SPEDs, para ficar apenas em dois exemplos.
O custo e o tempo para a implementação das mudanças trazidas pela nova legislação são os principais fatores que dificultam a adoção pelas PMEs. Além de divulgada aos contadores, esta nova tarefa deve ser conhecida também pelos mais de cinco milhões de empresários que nunca ouviram falar em IFRS, a fim de serem sensibilizados a respeito do aumento do volume de serviço e responsabilidade que ela traz consigo e que será, obviamente, precificada pelos contabilistas e repassada aos clientes.
Por fim, não há como retroagir. As novas normas vêm para valorizar mais ainda a contabilidade e, de nossa parte, é preciso que aprofundemos o conhecimento para oferecer aos clientes a segurança e o profissionalismo à altura de suas necessidades e da nossa capacidade. Boa sorte.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários contábeis. Uma metodologia baseada no estudo do tempo aplicado”.
05/08/2012