domingo, 30 de setembro de 2012

A “saudável” parceria entre o fisco e o contador


Agentes do governo costumam dizer, nas palestras para a classe contábil, que o contador é o grande parceiro do processo de arrecadação de tributos.

Para aprofundar neste discurso vamos, primeiramente, buscar o significado da palavra parceiro. No dicionário, a definição encontrada é "cada um dos indivíduos ou empresas que se associam para realizar ou desenvolver projetos comuns, permitindo a cada uma das partes servir melhor os interesses da outra."

A parceria sadia é aquela na qual um contribui de alguma forma para que o outro seja beneficiado. No entanto, a recíproca deve ser verdadeira, ou seja, ambos devem obter benefícios.

No caso tributário, o governo, nas diversas esferas, pede que o contador atue como agente fiscal. Espera que fiscalizemos nossos clientes para denunciá-los tão logo seja identificada qualquer anormalidade capaz de trazer danos ao erário. A primeira pergunta a se fazer é se cabe ao contador fiscalizar a empresa para a qual presta serviços.

É importante frisar que o foco do contador não é prestar informações ao fisco, mas controlar, planejar e orientar o cliente para a boa gestão empresarial. A empresa deve gerar empregos, fabricar produtos que supra as necessidades e o conforto das pessoas, arrecadar tributos, gerar lucro aos sócios e prosperar.

Será que a tão propalada "parceria" que o fisco invoca nas conversas com a classe contábil procede? Alguma vez o fisco informou qual é o retorno oferecido ao contador? Eu informo. Muitas vezes sobra demagogia, mau atendimento, pouco caso e pesadas multas, que resta ao contador arcar.

Um traço de parceria poderia haver caso os erros do fisco que resultam em retrabalho fossem multados em favor do contador, o que beneficiaria o profissional zeloso e ainda permita uma reserva para compensar futuros prejuízos.

Não é assim. Ao contrário, além de não ser ressarcido, ainda temos de despender tempo para justificar que foi feito certo. Que parceria é esta?
Nenhuma. Não pode haver parceria que apenas um lado se doa. O governo exige demais e retorna de menos, a não ser pesadas multas no descumprimento de prazos, muitas vezes perdido pela falta de condições para a efetivação do trabalho.

Para estabelecer a tão falada parceria sugiro a eliminação das penalidades e ofertar condições dignas de trabalho, com prazos justos para atender as obrigações acessórias.

Cada uma das partes - governo e contador - deve procurar servir melhor aos interesses da outra, única possibilidade de formar a verdadeira parceria.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado” e palestrante.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ser dono do próprio nariz exige conhecimentos para administrar


Resumo: Conhecer as aptidões e expectativas de um jovem é determinante para o seu sucesso. É crescente o número de pessoas que se lança no mercado empreendedor, então a grande expertise é estar preparado.

Tags: administração, empresa, faculdade, empresário.  

O sucesso pessoal e profissional está diretamente ligado à felicidade, medidos pela satisfação pessoal e pela melhor remuneração financeira.

De acordo com informação publicada este ano na Gazeta Online com informações do instituto norte-americano Marist Institute for Public Opinion, “aqueles que ganham uma média de U$ 50 mil, ou cerca de R$ 95 mil por ano (R$ 7,9 mil por mês) são mais felizes e satisfeitos do que aqueles que ganham menos ou mais do que isso.”

“Ser dono do próprio nariz”, ou seja, ter a própria empresa aumenta significativamente as responsabilidades, mas vem acompanhado de muitos benefícios. Os principais são o horário de trabalho, que pode ser mais flexível, e a possibilidade de maior remuneração. Ambos atendem aos anseios familiares. No entanto é frequente ouvirmos empresários que reclamam de dificuldades para administrar seus negócios. Para piorar, as estatísticas de mortalidade das empresas são elevadas.

Pessoas que se lançam no exigente terreno da gestão empresarial sem experiência muitas vezes perdem todas as economias e se veem obrigadas a retornar ao disputadíssimo mercado do emprego formal, em alguns casos com ganhos menores.  Em que pesem as dificuldades, é real a possibilidade de tornarem-se empresários. A grande questão é: como se preparar?

Os jovens têm dificuldades para decidir pela profissão e nem sempre contam com o apoio dos pais ou professores nesta tarefa. O resultado mais do que conhecido é que muitos deles cursam a faculdade errada. Algumas profissões são mais disputadas em função da visibilidade e do significado que já possuíram no passado, dando a impressão de garantia de futuro soberano.

Não são raros os jovens que perdem longos anos de suas vidas tentando, sem sucesso, ser aprovados no disputadíssimo vestibular. Outros estudam um ou dois anos e concluem que não é o que almejam. Alguns concluem a universidade, mas nunca chegam a exercer a profissão, e há ainda aqueles que exercem profissão enquanto tornam-se empresários.

Grande parcela destes jovens decide tornar-se empresária com pouco ou nenhum conhecimento sobre a administração do negócio. Onde está o erro? Talvez no momento de identificar os objetivos profissionais.

Costumo dizer ao jovem indeciso quanto ao futuro profissional que curse administração de empresas, pois esta nunca será perdida. Afinal, na pior das hipóteses, somos todos administradores das finanças pessoais. E como já dito, a chance de constituir uma empresa nos dias de hoje é grande. Saber administrar é o primeiro passo de um empresário sucesso.

Gilmar Duarte é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução com base no estudo do tempo aplicado”

domingo, 16 de setembro de 2012

O tabelamento dos honorários contábeis


Resumo: Controlar as tarefas e anotar o tempo pode ser complexo. Ao menos é o que relatam alguns empresários em minhas palestras. Vamos, então, fazer uma breve reflexão sobre outra forma que seja mais prática, demande pouco esforço e que atinja o alvo.

Tags: tabelamento, aviltamento, honorário, contabilidade.

Começamos determinando exatamente qual é o alvo que pretendemos atingir. Acredito que você concorda que o principal objetivo é definir o valor dos serviços prestados de forma equilibrada, capaz de cobrir todos os custos e despesas envolvidas e gerar lucro. O desejo de todo empresário é conhecer os custos e a lucratividade por serviço e por cliente.

O próximo passo é definir o preço dos serviços. Esta tarefa é labiríntica, sabemos disso, e com a intenção de facilitar vamos focar a análise na proposta de tabelamento, normalmente publicadas pelos sindicatos de classe. Mas como se chega até os valores ali propostos, como confeccioná-la? Parece que reunir alguns empresários contábeis, de preferência os oriundos de grandes empresas e que costumeiramente praticam preços acima da média do mercado, torna possível estabelecer a tabela que contempla todos os serviços com boa lucratividade.

Tabela feita, o próximo passo é divulgá-la e suplicar a todos os empresários contábeis que a adotem, colocando um fim no tão propagado aviltamento dos honorários. Esta tabela deverá ser uma proposta indicativa, pois do contrário poderá ser enquadrada como cartelização pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Se a tabela foi criada com critérios bem definidos e aplicação de margem de lucro razoável, é provável que sugira preços justos. Do contrário, sua aplicação poderá favorecer a adoção de descontos, muitas vezes exagerados. Se isto ocorrer, ao descrédito de sua eficácia seguirá o abandono.

Na minha avaliação, a existência de tabelas de preços oferecida por alguma associação de classe não dispensa o empresário contábil de ter seus próprios controles de custo e formação do preço de venda. Só assim será possível aferir a mesma, propor correções e, especialmente, conhecer a real necessidade de conceder algum desconto.

Por fim sugiro precificar os serviços com base no tempo aplicado e se for possível, dentro do que é legal, criar a tabela dos preços mínimos, o que contribui muito para a valorização da classe.

Gilmar Duarte é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários Contábeis. Uma solução com base no estudo do tempo aplicado"
16/09/2012

domingo, 9 de setembro de 2012

O tempo dos colaboradores é a sua principal matéria-prima?


Resumo: A compra de matéria-prima para fabricar produtos ou mercadorias é feita sob rigoroso controle do estoque, tarefa normalmente auxiliada por um sistema. Se a matéria-prima das empresas prestadoras de serviços, quase sempre muito cara, é a mão de obra dos colaboradores, por que nesta também não se aplica um rígido controle para evitar o desperdício?

Tags: tempo, mão de obra, controle,

Descrição:
Tenho proferido muitas palestras para empresários­ contábeis e alunos de contabilidade e administração com o objetivo de divulgar a metodologia de precificação da hora trabalhada com base no tempo aplicado nas tarefas. Observo que tudo vai muito bem até que se fale na marcação do tempo. Parece que anotar algumas informações relativas ao tempo é algo muito complexo.

O tempo é finito, ou seja, vai terminar para cada um de nós, e é um dos bens mais preciosos da nossa vida. Se isto é verdade, por que temos tanta resistência no controle para utilizá-lo da melhor forma possível?

Fazer a contabilidade de qualquer empresa demanda apenas cinco informações: data, conta débito, conta crédito, valor e histórico. Com estas informações são gerados muitos relatórios para a análise do desempenho, como o Balanço Patrimonial, DRE, DOAR, DFC, Mutações do Patrimônio Líquido, razão e outras mais. Considero impressionante o que a contabilidade pode gerar com estas pouquíssimas, mas valiosas, informações.

O mesmo acontece com o controle do tempo. Calculá-lo depende de apenas seis informações: cliente, colaborador, serviço, data, hora inicial e hora final. Com base nestas anotações que cada colaborador faz diariamente é possível conhecer, num determinado período, o tempo aplicado por colaborador em cada cliente, o tempo mensal necessário para executar as tarefas de cada cliente, como cada colaborador aplicou o seu tempo, quais tarefas tomam mais tempo da sua equipe e qual o lucro líquido gerado por cada cliente, entre outras análises.

Para precificar o tempo apure todos os custos diretos fixos e variáveis, gastos fixos indiretos e determine o lucro líquido desejado. Em seguida multiplique o valor da hora pelo tempo necessário para executar o serviço e encontrará o valor do serviço.

Por que muitos acreditam ser difícil marcar o tempo? Tenho certeza absoluta de que a dificuldade decorre do desconhecimento, da ausência de tentativa ou de um possível erro que marcou a experiência inicial, o que impediu que os grandes benefícios gerados por este pequeno trabalho aparecessem.

Sem o controle o tempo, que é o bem mais precioso que você e os seus colaboradores possuem, pode se esgotar mais rápido do que se imagina, sem sequer ter sido valorizado adequadamente.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado” e palestrante.
09/09/2012

domingo, 2 de setembro de 2012

A chave da precificação


Resumo: O desenvolvimento de um produto exige muita criatividade e o acompanhamento de um bom profissional capaz de precificá-lo. Se houver falha nesta arte, o produto corre o risco de nunca chegar às prateleiras do comércio.

Tags: precificação, pesquisa de mercado, custo, lucro.

Descrição:
Determinar o preço de venda de um produto ou serviço é uma tarefa muito complexa e demanda um profissional com sólidos conhecimentos de custos e de mercado. Não basta ser um expert em cálculos, o que é suficiente para definir um preço justo para o vendedor, mas que, o comprador pode não estar disposto a bancar.

Este profissional, do qual o mercado carece, deve estudar todo o processo produtivo e ser um especialista, ou, ao menos, deter bons conhecimentos daquilo que compõe o custo variável, os custos e despesas fixas, além de sempre investir no estudo da tributação incidente sobre o produto ou serviço.

Estas características ainda serão insuficientes para determinar o preço do produto ou serviço, então é necessário fazer a pesquisa de mercado para conhecer quais são os produtos que irão concorrer e o valor que o consumidor está disposto a pagar. Relacionar os preços praticados e os diferenciais em relação ao produto ou serviços a serem lançados no mercado contribuirá significativamente para determinar o preço de venda.

Veja como esses dados estão sendo utilizados no comércio e, de posse dessas informações, organize-as. Com o auxílio de um software de custeio descubra se a comercialização do produto ou serviço irá lhe proporcionar lucratividade. Se o resultado for negativo é necessário revisar todos os processos produtivos, materiais aplicados e demais custos nele inseridos, com o objetivo de reduzi-los. Muitas vezes será necessário mudar o projeto ou até abortá-lo. O importante é obter lucro, ainda que modesto.

O produto ou serviço que, inicialmente, teve a precificação com lucratividade aceita pelo mercado deve ter esse valor avaliado periodicamente, para não incorrer em prejuízos decorrentes de alterações no custo. Os movimentos dos concorrentes também devem ser acompanhados, pois, caso mudem de estratégias, a resposta tem de ser rápida.

“A chave para a precificação lucrativa é reconhecer que os consumidores no mercado, não os custos, determinam o valor de venda de um produto. Por conseguinte, antes de incorrer em qualquer custo, os gerentes devem estimar quanto os consumidores podem ser convencidos a pagar por um futuro produto”.  Quem defende esta importante ideia é Thomas T. Nagle, autor do livro “Estratégia e Táticas de Preços”, publicado em 2007.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado.”

domingo, 26 de agosto de 2012

A responsabilidade civil para o contabilista ajuda ou atrapalha? - parte 2


Resumo: A profissão contábil tem fundamental importância na economia mundial. No caso brasileiro, o exercício profissional está previsto em nada menos do que 18 artigos do Código Civil Brasileiro. (1177 a 1195)

Tags: seguro, RCP, Código Civil, Contador

Descrição: Em 2009, a Caixa Econômica Federal (CEF) adquiriu 49% do Banco PanAmericano por quase R$ 800 milhões e posteriormente descobriu que foi enganada.  As demonstrações contábeis foram distorcidas e não refletiam a real situação do banco. A instituição adquirida possuía enormes dívidas e a Caixa assumiu grandes prejuízos.

Profundo conhecedor da ciência contábil, o contador é o profissional melhor preparado para fazer o “raio-X” das empresas, bem como para interpretá-lo. A adulteração do “raio- X” é tão prejudicial quanto a troca dos resultados de exames médicos de uma pessoa, podendo conduzir um tratamento errado e levar o paciente a consequências graves, inclusive a morte.

No caso contábil, o “raio-X” trocado também pode condenar um inocente.  Demonstrações contábeis adulteradas podem gerar sérias consequências, tais como prejuízo financeiro aos acionistas, governo ou sociedade, quebra de empresas, calotes e desemprego.

Inicialmente, o contabilista sentiu-se penalizado por demais com os 18 artigos do Código Civil Brasileiro que trataram exclusivamente da sua atuação profissional. Um passado não muito distante guarda uma mancha na relação empresário X contador. É sabido que alguns daqueles costumavam exigir de seus contadores a adulteração dos demonstrativos, sob a ameaça de demissão ou rescisão contratual da parceria para execução dos serviços contábeis. Em muitos casos, a necessidade de sobrevivência falou mais alto.

Hoje em dia, com as fortes penalizações para ambos os lados, o que parecia injusto acabou favorecendo a classe contábil. Raramente encontramos profissionais que cedem a estes abusivos (e, por que não dizer, criminosos) apelos. O empresário também sente o peso da mão da justiça e deixa de exigir a falsificação dos “exames” para maquiar a saúde financeira da empresa.

Quem ganha com isso? Todos ganham com a verdade. As decisões podem ser tomadas com maior segurança e os diversos relatórios contábeis passam, inclusive, a servir para a gestão, eliminando, para as empresas, a necessidade de manutenção das contabilidades fiscal e gerencial.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado.”
26/08/2012

sábado, 18 de agosto de 2012

A responsabilidade civil para o contabilista ajuda ou atrapalha? - parte 1


Resumo: Em todas as atividades, a exemplo do comerciante, advogado, zelador, garçom, motorista, jogador de futebol ou médico há aquele profissional zeloso, responsável, dedicado e preocupado em fazer o melhor. Obviamente há os que pensam e agem de maneira diferente e totalmente oposta. Este lado obscuro e comum a todas as profissões denigre a imagem da classe, pois tenta levar os íntegros ao lamaçal. Nestes casos, além da sujeira, também o mau cheiro torna a convivência insuportável.

Tags: seguro, RCP, Código Civil, Contador

Descrição:                                                                                                                                                                                                                  
O mau profissional, ou melhor, aquele que não é profissional, mas disfarçadamente se veste como tal, presta serviço de baixa qualidade e não executa todas as tarefas conforme determina a legislação e o código de ética da sua categoria. Propositadamente, muitas vezes ainda desvirtua informações para atender clientes igualmente inescrupulosos com o objetivo de tirar vantagens, tais como vencer uma concorrência, conseguir um empréstimo ou sonegar tributos.

Na maioria das vezes, o falso profissional oferece serviços a preços muito abaixo daqueles praticados no mercado, pois sabe que não prestará o serviço completo e, portanto, poderá ainda obter lucro. Mas será que o seu cliente está consciente de que receberá o serviço incompleto? Normalmente, não. Além de desconhecer, ele só perceberá tempos depois, quando receber visita da fiscalização ou necessitar de informações e documentos que nunca foram feitos.

Você já deve ter sido consultado por algum cliente que se julgou enganado pelo contador ou outro profissional, razão pela qual passou a ficar ressabiado com todos os demais profissionais. Este cliente deseja detalhes para saber se você é diferente do anterior e se mostra disposto até a remunerar melhor o novo contratado, afirmando que o honorário barato pago anos a fio acabou ficando muito caro.

Especificamente para o contador, quero dizer que a responsabilidade civil criada com o Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2003) e o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) veio para valorizar o bom profissional. Com as novas leis, a chance de o contador imprudente sofrer grandes penalizações, assumir prejuízos causados a terceiros, ser condenado à prisão por até cinco anos e perder o direito de exercer a atividade ficou muito maior. Essas penalizações têm sido imputadas aos maus profissionais com significativa frequência, conforme pode ser observado nos noticiários nacionais.

Entendo que o endurecimento da legislação veio para contribuir na valorização dos bons profissionais da contabilidade, pois é ofertando segurança e bons serviços para a sociedade que chegaremos ao pódio do reconhecimento, local adequado aos que lutam pela valorização e evolução da profissão. No entanto, há necessidade do policiamento da equipe de trabalho, bem como de contratar o seguro de Responsabilidade Civil Profissional para ampliar a segurança oferecida aos clientes.

Gilmar Duarte da Silva é autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 12 de agosto de 2012

A União contribui com o sucesso do empresário contábil


Resumo: 12 de janeiro é o Dia do Empresário Contábil. A data comemorativa foi instituída no ano passado pela lei 12.387. Isto mesmo, 2011. É muito recente. Mas, afinal de contas, o que significa ser um empresário contábil? Basta ser contador ou contabilista?

Tags: empresário contábil, sindicato, união, valorização.

Descrição:
Empresário é toda pessoa que estabelece uma entidade para ofertar produtos ou serviços. No entanto, o simples exercício de uma atividade econômica não faz de ninguém um bom empreendedor.

Geralmente o profissional da contabilidade inicia suas atividades e aprende o oficio trabalhando de colaborador de um empresário. Com o passar do tempo, o profissional vai ganhando autoconfiança e se sentindo seguro para executar todos os serviços do meio contábil, momento em que resolve começar o seu próprio negócio. E assim surge mais um empreendedor no mercado.

O novo empresário contábil ocupa-se com todas as tarefas para prestar o melhor serviço possível ao cliente. Faz a contabilidade, a escrituração fiscal, a folha de pagamento e todas as obrigações acessórias. Quando o serviço vai se acumulando o competente profissional decide contratar ajudantes, mas continua sendo o melhor cumpridor das tarefas rotineiras e muitas vezes se gaba desta façanha.

Imagine se, por exemplo, é possível ao empresário do ramo da indústria do vestuário se ocupar em fazer a modelagem, cortar o tecido, costurar e ainda auxiliar no acabamento do produto. Ele terá condições de fazer tudo isto e ainda bem administrar a empresa? Ele terá qualidade de vida?

Ao pesquisar diversos autores podemos resumir como as principais características do perfil de um empreendedor: autoconfiança, automotivação, criatividade, flexibilidade, energia, iniciativa, perseverança, resistência à frustração e disposição para assumir riscos. Perceba que a ocupação com tarefas rotineiras, ou seja, “colocar a mão na massa” não faz parte da lista.

O empresário contábil deve pensar, planejar e administrar o seu negócio. Atualmente vivemos grandes mudanças no meio contábil com o advindo dos SPEDs, do IFRS e das constantes obrigações que o governo cria ou que os clientes exigem. A classe precisa unir-se mais ainda para decidir como enfrentar os novos problemas, pois a falta de pensamento coletivo faz brotar a insegurança e pode comprometer a precificação dos serviços. “Ninguém está cobrando por determinado serviço – logo, se eu cobrar, posso perder o cliente. Melhor fazer de graça”. Pronto. A armadilha está ativada. Este empresário contábil que pensa e age desta forma trabalhará mais e receberá bem menos do que deveria. É assim que queremos continuar?

A pressão exercida por alguns clientes tem sido cada vez maior. Muitos exigem um nível acima do excelente na prestação do serviço, mas se ofendem quando informados do custo, irritam-se e ameaçam buscar um profissional menos ganancioso. Se isto também ocorre com você saiba que seu desconforto se repete em muitas empresas de contabilidade.
Mudar este cenário e valorizar o desempenho profissional do empresário contábil depende de nós mesmos, e a forma mais natural de provocar a mudança é buscando a união. Os sindicatos da classe contábil nunca estiveram tão atuantes como hoje, então engaje-se para conhecer melhor como é possível trabalhar com rentabilidade digna. Quanto mais empresários fizerem parte do grupo, maiores serão as conquistas, a força e a valorização da categoria.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários contábeis. Uma metodologia baseada no estudo do tempo aplicado”.

12/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Novas normas contábeis (IFRS) exigem ainda mais profissionalismo


Resumo: As novas normas contábeis introduzidas no Brasil a partir de 2007 trazem grandes benefícios capazes de inserir nosso país, ainda mais, no contexto internacional. A padronização é necessária para a melhoria na qualidade das informações.
Tags: IFRS, padronização, novas normas, contabilidade
Descrição:
Há muito tempo estudiosos do mundo todo procuram desenvolver conceitos para facilitar a vida dos investidores na análise das demonstrações financeiras. Em 2004, após o insucesso de estudos nos Estados Unidos da América, foi publicado na Inglaterra um conjunto de pronunciamentos contábeis mundialmente reconhecido e conhecido pela sigla IFRS, International Financial Reporting Standards, ou, simplesmente, normas internacionais de contabilidade.
Os estudos foram motivados pelas dificuldades enfrentadas por empresas multinacionais na conversão das demonstrações financeiras para a consolidação na matriz. É importante lembrar que a contabilidade é avaliada pela sua capacidade de fornecer informações úteis ao processo decisório dos usuários.
Com o advento da Lei 11.638/2007 passou a ser exigido o IFRS, a partir de 2010, para instituições financeiras e empresas de capital aberto. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), órgão criado em 2005 pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com as atribuições de estudar, preparar e, exclusivamente, divulgar procedimentos de contabilidade passou a comandar a implantação das novas normas contábeis.
Entre elas, o CPC definiu que, a partir de 2011, a adoção do IFRS passa a ser exigido para todas as empresas, inclusive micro e pequenas (MPEs), mesmo aquelas optantes pelo regime de tributação do Simples Nacional. Em princípio parece um descabimento, pois, recentemente, foi amplamente divulgado o projeto de lei  289/2008, do Senado Federal, que visa abolir a contabilidade para as empresas optantes pelo Simples Nacional, o que esperamos não ser aprovado, pois trata-se de um demasiado retrocesso.
Assim como a Lei 6.404/76 trouxe profundas alterações na contabilidade e os profissionais contábeis sentiram-se ameaçados quanto à continuidade da sua profissão, as novas normas contábeis provocam os mesmos sentimentos. As alterações são grandes, de difícil compreensão e exigem que o contador estude muito, o que nunca foi problema para esta classe, pois seguidamente são introduzidas inovações, tais como o Simples Nacional, que não tinha nada de simples, principalmente pela falta de clareza na legislação; e os diversos SPEDs, para ficar apenas em dois exemplos.
O custo e o tempo para a implementação das mudanças trazidas pela nova legislação são os principais fatores que dificultam a adoção pelas PMEs. Além de divulgada aos contadores, esta nova tarefa deve ser conhecida também pelos mais de cinco milhões de empresários que nunca ouviram falar em IFRS, a fim de serem sensibilizados a respeito do aumento do volume de serviço e responsabilidade que ela traz consigo e que será, obviamente, precificada pelos contabilistas e repassada aos clientes.
Por fim, não há como retroagir. As novas normas vêm para valorizar mais ainda a contabilidade e, de nossa parte, é preciso que aprofundemos o conhecimento para oferecer aos clientes a segurança e o profissionalismo à altura de suas necessidades e da nossa capacidade. Boa sorte.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro “Honorários contábeis. Uma metodologia baseada no estudo do tempo aplicado”.
05/08/2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Indicadores para empresas de contabilidade


Resumo:
"Se você não pode medir algo, você não pode entender.
Se você não pode entender, você não pode controlar.
Se você não pode controlar, você não pode melhorar!"
(Harrington)

Tags: medir, indicador, índices

Qual foi a inflação do ano? Quanto que a aplicação financeira está rendendo? Qual é a cotação do dólar e a taxa de juros para financiamento? E o peso da carga tributária? Necessitamos, diariamente, destas e muitas outras informações para poder tomar decisões acertadas. A gestão de uma empresa contábil não é diferente. Mensurar os processos para compreendê-los possibilita dominá-los e facilita o aperfeiçoamento.

Como tratar as medições para que a compreensão seja mais clara? Um processo amplamente adotado é a padronização de índices e/ou indicadores por atividade. Índice é a relação entre valores e medidas, e indicadores são dados estatísticos relativos a um ou a diversos processos que se deseja controlar. Ambos servem para avaliar situações atuais com anteriores ou, ainda, com outras empresas do mesmo segmento.

A contabilidade trabalha com muitos índices, como, por exemplo, IGE, CCL, LL, ILS, mas a fragilidade do processo aparece quando analisada sua aplicação na gestão da empresa contábil. Praticamente, esta considera apenas faturamento e lucro líquido. Dado esta deficiência, a Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis – Sescap/PR (Copsec) aprovou, na reunião de julho deste ano, o estudo que visa definir indicadores e índices que orientarão os empresários contábeis.

Utilizo este artigo para conclamar os empresários da contabilidade a contribuir com sugestões, pois com este trabalho será possível melhorar a execução das tarefas e, consequentemente, a rentabilidade da empresa.

Adianto aqui, para avaliação de todos, alguns índices e indicadores que apresentarei na reunião de agosto/2012:
·                    Índice de Custos Total Colaboradores
ICTC = custo total do colaborador/faturamento

·                    Horas Vendidas por Colaborador
HVC = total de horas vendidas/número colaboradores

·                    Lucro Líquido efetivo
LLe  = lucro líquido apurado/faturamento

·                    Faturamento por Colaborador
FC = faturamento/número de colaboradores

·                    Encargo Social e Trabalhista
EST = somatório dos índices incidentes sobre o salário básico

·                    Índice de Serviços Eventuais
ISE = faturamento eventual/faturamento dos serviços rotineiros
·                    Índice de Gastos Fixos Indiretos
IGFI = Gastos Fixos Indiretos/Faturamento Total

·                    Valor da hora Vendida

Gerenciar sem informações e tomar decisões sem resultados das medidas é como procurar a diferença no balanço sem ter em mãos as fichas razões, ou conciliar uma conta sem o histórico dos lançamentos. Este estudo certamente será um marco em nossa atividade, pois sairemos das trevas para encontrar a luz e enxergar a beleza das cores e a intensidade da gestão das empresas contábeis.

Gilmar Duarte da Silva é autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”. Sugestões e críticas sobre este artigo são muito bem-vindas e poderão ser encaminhadas para o endereço gilmarduarte@dygran.com.br

domingo, 22 de julho de 2012

Empresário, a mola que impulsiona a economia

Resumo:
"Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços", diz o artigo 966 do Código Civil Brasileiro. Este profissional organizado que constituiu uma empresa é o mais capacitado para criar e inovar produtos e serviços capazes de atender as necessidades e proporcionar mais conforto para as pessoas.

Tags: empresário, governo, economia, incompetência, emprego.

O governo, muitas vezes eleitoreiro, assume atribuições de natureza empresarial e comete trapalhadas devido à disfunção. Obviamente, a incapacidade proporciona grandes desperdícios. Essa incompetência, presente nas mais diversas esferas, resulta em custo de produção muito mais elevado em relação à iniciativa privada. Os motivos que justificam os altos custos são muitos, mas citamos apenas dois: o nepotismo, que acaba gerando "cabides de empregos" e altos salários; e a incompetência, já mencionada. Além de não saber produzir ou comercializar, o governo ainda permite enormes rombos no caixa.

Em função de posturas assumidas no passado, ainda hoje muitos empresários são vistos pelo governo como sonegadores e pelos empregados como exploradores, infelizmente. Mas será que é justo tratar assim uma categoria que arrecada tantos tributos para a nação, emprega e proporciona tantos benefícios, inclusive para que seus colaboradores se desenvolvam e sejam melhores remunerados? As leis trabalhistas protegem exageradamente os empregados, incentivando a "maquinização" das empresas. Neste aspecto podemos citar a lei que criou, em 2011, o aviso prévio de 90 dias, que beneficia somente o empregado em detrimento do empregador.

A título de ilustração cito alguns grandes empresários que contribuíram ou ainda contribuem de forma significativa para o bem-estar das pessoas: Steve Jobs, responsável pela revolução na área da informática; Thomas Edison, que registrou mais de 2 mil  inventos e destacou-se com o fonógrafo, câmera cinematográfica e o telefone, aparelho que aperfeiçoou; o jovem Mark Zuckerberg, criador do Facebook,  a rede social que permite o relacionamento das pessoas do mundo inteiro; Roberto Marinho, criador das Organizações Globo, geradora de milhares de empregos e reveladora de talentos; Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, que possui mais de 60 mil empregados, entre tantos outros.

Grande parcela dos empregos gerados pelo governo nas mais diversas repartições é de alto custo e de duvidoso retorno para a população. A Grécia, exemplo mais badalado no momento e motivo de inúmeras piadas, fez isso e hoje se encontra à beira do abismo.

A função do governo, segundo Peter Drucker, é garantir a segurança, proporcionar a justiça e, basicamente, reger. Já às empresas cabem as funções de criar, inovar, abandonar e alcançar resultados mensuráveis, tarefas que vêm sendo realizadas pelos empresários com muita competência.

Gilmar Duarte da Silva é autor do Livro "Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

sábado, 14 de julho de 2012

Não se gerencia o que não se pode medir


Resumo: Administrar uma empresa é tarefa que exige muita dedicação, destreza  e conhecimento, atribuições que demandam constante atualização para atingir resultados mensuráveis capazes de manter o empreendimento vivo e viável.

Tags: Atualização, inovar, empresário

Descrição:
É comum pessoas entrarem no mundo dos negócios sem muita ambição e aos poucos darem-se conta de que aquilo que parecia ser apenas uma pequena fonte de renda para o sustento da família tornou-se um empreendimento de maior vulto, transformando seu idealizador em um empresário.

Ao perceber que o negócio cresceu mais do que havia sonhado ou imaginado sem muito planejamento, o agora empresário se questiona: como fazer para gerir? A facilidade inicial decorrente do pequeno número de dados desapareceu, deixando em seu lugar muitas dúvidas para obter informações úteis à tomada de decisões.

Em outro extremo, empresários já bem sucedidos e com muitos anos de bagagem também pode se sentir desmotivados em face das grandes e velozes  mudanças impostas pelo mercado, sugerindo haver chegado o momento da aposentadoria.

Buscar conhecimento através de cursos e treinamentos é uma ferramenta indispensável, assim como assessorar-se de bons profissionais. Gerentes capacitados contribuirão significativamente para dividir o peso e as responsabilidades das atribuições de administrar, sempre em busca de meios mais eficazes e competitivos.

Peter Drucker, escritor, consultor e considerado o pai da administração moderna, afirmava que “não se gerencia o que não se pode medir”. Para tanto, as empresas precisam assumir determinadas posturas para alcançar resultados mensuráveis. São elas:
·        Criar novos produtos, serviços ou novas formas de gestão;
·        Inovar aquilo que necessita de um toque para atualizar-se com a nova proposta de mercado;
·        Abandonar ideias ou produtos que já apresentaram bons resultados, mas que no momento não têm mais aceitação.


Gilmar Duarte é autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”
15/07/12

sábado, 7 de julho de 2012

Chega de sofrer para precificar os serviços


Resumo: A dificuldade cotidiana para definir o preço justo do honorário dos serviços prestados infelizmente é uma constante no meio empresarial contábil, mas alguns estudiosos desenvolveram uma proposta que poderá ser o fim desse drama.

Tags: Honorário, preço, prestação de serviços, PC Contábil, tempo.

Descrição:
A área de prestação de serviços geralmente se inicia com um único profissional com habilidade, destreza e conhecimento do serviço para executá-los.

Com o passar do tempo esse profissional capacitado atrai mais e mais serviços, mas percebe que se torna difícil desempenhá-los sozinho. Então contrata o primeiro e depois o segundo auxiliar até ver-se com uma equipe. Pronto. Agora é um empresário.

No início era fácil definir o valor dos serviços, pois não havia muitos ingredientes para considerar. No entanto, depois da constituição da empresa o cenário mudou. Pois são diversos colaboradores com direitos trabalhistas e tantas outras obrigações como aluguel, energia elétrica, água, segurança, condomínio, consultoria tributária, software, etc.

O atendimento inicial aos poucos clientes fazia o dinheiro render e até sobrar, mas o crescimento da empresa fez o dinheiro escassear e o bom profissional que se tornou empresário não consegue compreender o que está acontecendo. Uma das hipóteses está no valor dos honorários praticados, provavelmente muito baixo. A saída encontrada por ele é aproximar-se de colegas/concorrentes para conhecer o preço praticados e, a partir disso, tentar melhorar o próprio honorário, mas sem critérios muito confiáveis.

Essa agonia se repete diariamente no Brasil inteiro nas mais diversas áreas de atuação profissional. Basta acessar os fóruns da sua área de serviços na internet para confirmar. Eu também passei por todo esse calvário e posso garantir o quão desolador é trabalhar desta forma.

A mudança ocorreu graças à iniciativa de um grupo de empresários contábeis insatisfeito com a situação. Esse grupo reuniu-se mais 50 vezes durante dois anos para debater a precificação dos serviços contábeis e encontrou uma proposta simples, apresentada no Encontro Estadual dos Empresários Contábeis do Paraná 2012 (Enescopar).

Definir o preço da hora vendida e controlar o tempo aplicado nas tarefas dos clientes é a solução, detalhada no livro "Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado" e estruturada no software "PC Contábil". Apesar de todos os exemplos apresentados serem voltados à área contábil, a metodologia é perfeitamente passível de aplicação em outros segmentos da prestação de serviços.
Vale a pena conhecer para parar de sofrer.

Gilmar Duarte
08/07/2012

domingo, 1 de julho de 2012

Santo de casa faz milagre



Resumo: Os empresários buscam o auxílio do contador para executar inúmeras tarefas acessórias. O que deveria ser um ponto positivo, uma vez que permite a maximização da lucratividade, muitas vezes torna-se um problema para o profissional, que não cobra adequadamente pela prestação dos serviços.

Tags: valorização, especialista, cobrança, serviço, milagre.

Descrição:
A relação comercial entre o prestador e o tomador dos serviços deve ser bastante clara, preferencialmente em contrato assinado no que tange ao que se está vendendo e o valor que será cobrado. Na prestação de serviços contábeis deve ocorrer o mesmo. O contrato deve especificar detalhadamente quais serviços fazem parte do honorário preestabelecido.
Na eventualidade de serviços não combinados e muitas vezes indiretamente relacionados com a atividade administrativa, é ao contador que o empresário recorre para pedir auxílio. Isso é positivo para a classe contábil, pois demonstra a confiança que o cliente deposita nesse profissional. Esse crédito deve ser confirmado com a execução do serviço com qualidade.

É impossível ao contador possuir habilidades para fazer tudo - algo utópico para qualquer profissional -, mas sempre é razoável contribuir ouvindo o cliente e na impossibilidade de executá-los indicar um especialista.

Se o profissional da contabilidade está habilitado para prestar o serviço indiretamente relacionado com sua rotina, mas este deixou de figurar no rol dos trabalhos contratados e incluídos no honorário, é seu dever imediato informar o cliente do valor pela execução do mesmo.

Alguns clientes pensam que o contador deve fazer todas as tarefas que surjam, tais como cadastros para financiamentos, PPRA, LTCAT, revisão de cálculos de empréstimos bancários, instalação de software, licenciamento ambiental, seleção de funcionários, etc.

Há empresários contábeis preparados para ofertar e executar muitos dos serviços citados, além de outros tantos. O primeiro passo para resguardar a relação profissional X cliente é verificar se as tarefas fazem parte do contrato e se há necessidade de fazer cobrança acessória. Com receio de perder o cliente, alguns contadores prestam qualquer serviço sem cobrar por isso, decisão que contamina negativamente o mercado. Empresários contábeis que, pressionados pelo cliente, fazem tudo sem a devida cobrança acabam prestando serviços de baixa qualidade porque ficam sem receita suficiente para contratar auxiliares capazes. Por fim, o cliente ficará mais ainda insatisfeito.

Ninguém deveria fazer nada de graça. Até os milagres precisam de contrapartida, no caso muita oração e, às vezes, até promessas. Os santos só atendem os apelos dos crentes mediante essa troca. Os santos mais famosos são os especialistas. Santo Antônio é o casamenteiro, São Cristóvão é o protetor dos motoristas e São Francisco, dos animais. Embora especialistas, as santidades têm ampla área de atuação, mas em todas é preciso retribuir para conquistar as graças.

Os contadores, assim como os santos, já produzem além dos limites de suas especialidades, mas podem ofertar outros serviços desde que remunerados para tanto, sob pena de figurarem como santos genéricos sem grande reconhecimento.
Valorizar o seu trabalho é o caminho mais curto para alcançar o milagre de ser um empresário contábil de sucesso. Caso contrário, é possível que você passe a vida toda mendigando reconhecimento, e aí nem São Matheus, o protetor do contabilista, conseguirá te salvar.

Gilmar Duarte é empresário contábil e autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”.
01/07/2012

domingo, 24 de junho de 2012

Entusiasmo e planejamento são alicerces de negócios de sucesso


Resumo: A oportunidade de constituir ou ingressar em uma empresa normalmente causa euforia e ansiedade para a concretização. Esta atitude poderá fazer pular algumas etapas que no futuro, as vezes bem próximo, gera grandes complicações.

Tags: viabilidade, planejamento, empresa, entusiasmo

Descrição:
Muitas empresas são constituídas diariamente por ­­diversos motivos. O desemprego pode ser um deles e acaba se tornando um incentivo importante para abrir o próprio negócio. Devido à falta de opção, pessoas desempregadas lançam-se no empreendedorismo em busca do sustento da família. Para tanto reúnem as economias e contraem dívidas – cálculos rápidos e afoitos as levam a acreditar que o novo negócio é prospero e capaz de retornar o capital investido em curto prazo, permitindo quitar as dívidas. E – vantagem das vantagens, ainda oferecendo postos de trabalho para o mercado tão carente.

Enfim, o novo negócio entra em operação e as dificuldades começam a surgir quase no mesmo instante, especialmente para os empreendedores de primeira viagem. Estes, movidos pelo entusiasmo e exagerado empenho, conseguem superar os momentos mais difíceis. Devido às inúmeras exigências do negócio, às vezes o empreendedor desvia-se das atividades de gestão e ocupa-se com afazeres operacionais. Aos controles internos de produção, vendas e finanças é destinada pequena ou nenhuma importância, tanto que a falta de informações pode tornar impossível chegar à origem de certos problemas. Em pouco tempo, o constrangimento de algumas empresas é tamanho que a única possibilidade é fechar as portas e tentar administrar o endividamento criado.

Para não cair na armadilha de perder as economias e contrair dívidas impagáveis faça um competente planejamento que inclua a análise de viabilidade, tarefa que poderá ser bem desenvolvida com o auxílio de um contador.

Depois de concretizada a ideia, ou seja, quando os investimentos começarem a ser feitos, novamente a orientação do profissional de contabilidade é fundamental para organizar todos os controles necessários, a fim de comparar o planejamento com o que está sendo executado.

A importância da presença do contabilista na vida financeira de qualquer empresa vai além do atendimento das exigências legais. Essa tarefa é necessária e importante, mas para que a empresa gere lucro, a prioridade dos acionistas, são necessários muitos outros controles, sobre os quais o profissional da contabilidade exerce total domínio.

Transforme o entusiasmo em combustível para fazer o negócio seguir adiante. Acrescente a ele o planejamento e o acompanhamento profissional de todos os números e sua empresa terá vida longa, certamente. Esta não é uma receita rápida de sucesso, apenas uma sugestão para potencializar a admirável capacidade empreendedora do brasileiro, graças à qual nossa nação vem obtendo destaque no plano internacional.

Gilmar Duarte é empresário contábil e autor do livro “Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”.
24/06/2012

domingo, 17 de junho de 2012

Participação sindical empresarial: problema ou solução?


Tags: associativismo, sindicato patronal, benefícios, união.

Resumo: O desembolso de valores de qualquer ordem sempre nos faz refletir se o retorno será significativo e/ou imediato. O mesmo ocorre com o empresário convidado a participar e contribuir com a associação de classe, embora muitos aceitem pagar somente mediante exigência legal.

Descrição: O homem é um ser em evolução e sua tendência natural é sair do egocentrismo em função da necessidade de pertencer a um ou mais grupos sociais, embora muita gente, pela comodidade, prefira trabalhar sozinha. Aos poucos essas pessoas aprendem a compartilhar suas ideias, pois observam que as tarefas desenvolvidas em grupo geram melhores resultados.

A origem do sindicato foi na Europa medieval – séculos V e XV – e essa palavra deriva do latim syndicus, proveniente do grego sundikós, que designava um advogado.

O campo de atuação do associativismo é amplo. Os sindicatos e as associações de classe têm por objetivo representar e buscar o bem comum de uma categoria, uma vez que as políticas coletivas definidas pelo grupo têm maior chance de serem alcançadas, proporcionando mais benefícios para todos. Basta que duas ou mais pessoas com um problema em comum decidam se unir para, mais fortes, enfrentá-lo. Quando as lutas são travadas individualmente, os resultados, se e quando atingidos, são pouco expressivos.

Seguem algumas das bandeiras levantadas pelos empresários nas reuniões sindicais:
* convenção coletiva de trabalho;
* oferta de treinamentos para associados e colaboradores;
* assistência jurídica, tecnológica, ambiental e de investimentos;
* convênios de saúde e compras com benefícios;
* reuniões setoriais de estudo e debates objetivando solucionar problemas coletivos;
* luta pela criação de normas legais.

Essas associações são formadas por indivíduos que se dispõem a doarem-se em prol da coletividade, ao invés de simplesmente reclamarem ou exigirem benefícios. Quanto maior a união maior será a força e a probabilidade de obter êxito. É como o jogo cabo de guerra, brincadeira bastante conhecida das crianças que opõe um número de pessoas de cada lado de uma corda. Se apenas um estiver desmotivado todo o grupo será prejudicado. Agora imagine o contrário, se apenas um ou dois jogadores estiverem motivados e dando tudo que podem. Será que vencerão?

O mesmo ocorre em algumas associações patronais, pouco prestigiadas pelos filiados. Muitas reuniões para tratar de assuntos importantes que definirão o futuro da classe contam com ínfima participação, para citar apenas um exemplo. Se, por um lado, a classe fica fragilizada, por outro ganham força as reclamações de que o grupo é desunido e que há dificuldades para conquistar melhorias.

Fortalecer a categoria participando ativamente dos eventos promovidos pela associação de classe é o primeiro passo para que os resultados positivos apareçam. Inclusive os financeiros.

Gilmar Duarte da Silva (autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”). 17/06/2012

domingo, 10 de junho de 2012

Bons profissionais para bons clientes


Resumo: Em todas as atividades existem profissionais de variados níveis e é essa diferença que implicará no valor financeiro do serviço prestado. Assim como há diferentes níveis de profissionais, também há níveis diferenciados de clientes. Oferte o que possui de melhor e cobre o valor que julgar justo. Se o cliente sugerir um valor que você considera indigno, analise se ao aceitá-lo ofertará trabalho igualmente indigno.

Tags: honorário, serviço contábil, valor, preço, profissional, concorrência.

Descrição:
Vivemos numa colossal sociedade capitalista, que tem como principal objetivo - muitas vezes único - a conquista de lucros sob qualquer pretexto. Enganar o cliente repassando serviços destoantes do prometido pode gerar lucro imediato e encerrar a relação comercial ali mesmo, no primeiro trabalho. Para ser duradouro, o relacionamento cliente e fornecedor vai além de valores desprezíveis, caso contrário pode se tornar tão gélido quanto o ar polar.

Há empresários que, desconhecendo a importância, as responsabilidades, os riscos e a assessoria oferecida por um bom contador optam por fazer o orçamento do serviço contábil de suas empresas pelo telefone ou internet, e acabam selecionando aquele de menor preço, sem ao menos terem conhecido o profissional, as instalações físicas e referências do escritório, entre outros cuidados.

Alguns empresários reclamam da ineficiência do seu contador e preferem nem conversar com este profissional por considerá-lo desprovido de conhecimentos. Serão todos assim?

Os clientes que valorizam a assessoria de bons profissionais buscam empresas contábeis que possuam história, que sejam formadas por especialistas, estejam instaladas adequadamente e ofereçam referenciais. Um profissional com estas características tem um valor diferenciado, tanto no preço financeiro quanto na qualidade do trabalho. O custo benefício é altamente concreto.

Os colegas empresários contábeis por vezes ficam decepcionados com o mercado em virtude da concorrência desleal, que acaba sugerindo a inexistência de motivos para continuar na luta pela prestação de serviços contábeis com qualidade. Afirmo a esses colegas que há muitos clientes interessados em trabalhos de excelência, mas é preciso que os benefícios oferecidos sejam muito bem apresentados.

Invista em si mesmo. Delegue as funções rotineiras e torne-se um gestor, um empresário contábil, pois ao final os bons contadores vencerão e o preço será medido com a régua da aptidão, competência, habilidade e talento do profissional.


Gilmar Duarte (autor do livro "Honorários contábeis: uma solução baseada no estudo do tempo aplicado")

domingo, 3 de junho de 2012

Como planejar o endividamento com segurança?


Resumo: O endividamento é uma ferramenta saudável para o financiamento de projetos, mas cuidados devem ser tomados para que o remédio não seja utilizado em quantidades excessivas que poderá matar o paciente.

Tags: Endividamento, captação, crédito, fluxo de caixa, projeto.

Descrição:
O endividamento das empresas é, normalmente, uma ferramenta útil para investir em maquinários ou equipamentos que maximizem a produtividade, as vendas e gere expectativa de maior lucratividade do empreendimento.

As instituições financeiras, especialmente aquelas controladas pelos governos federal e estadual, em geral possuem disponibilidades com taxas razoáveis e prazo dilatado para emprestar àqueles que apresentam bons projetos a médio ou longo prazo.

Os empresários buscam esse dinheiro avidamente, mas nem sempre conseguem aprovação do cadastro ou do projeto devido à falta de um profissional qualificado para auxiliá-los. Em função disso muitas boas ideias ficam no papel e algumas empresas acabam fechando as portas.

A concessão de crédito possui outro lado, e é para este que chamo a atenção. Alguns empresários têm extrema facilidade para conseguir crédito e abusam dos recursos de terceiros na aquisição de máquinas e equipamentos, na abertura de novas lojas, na construção de novas indústrias ou da sede própria, no aumento do capital de giro, etc.

A captação dos recursos de terceiros está longe de ser ruim ou indesejada, mas é fundamental que seja equilibrada. Para tanto, a análise de cada novo pedido de recurso deve ser feita com profundidade. Entre os vários aspectos que esse estudo deve considerar, alguns são imprescindíveis:
*o lucro a ser gerado é maior do que os juros contratados?
*a carência do pagamento é suficiente?
*o lucro e o caixa gerados por esse novo investimento será suficiente para pagar as parcelas? (se for insuficiente, o que é mais comum no início, deve-se antecipadamente estudar de onde virão tais recursos)
*há mercado consumidor para a alta produção a ser gerada pelo investimento? A empresa conseguirá vender?

Solicite o auxílio de um profissional e faça o fluxo de caixa com margem de segurança, para que não aconteça como a Grécia que, mesmo recebendo 50% de desconto dos credores não possui capacidade de pagamento. Esta situação caótica trará consequências gravíssimas tanto para o país quanto para os demais tomadores de dinheiro que projetaram a contratação de dívidas sem muita habilidade. Em muitos casos a única solução é pedir concordata, medida que também é fonte de muitos transtornos, mas a tragédia é ser obrigado a decretar falência porque nem a concordata é possível.

Planeje o endividamento com segurança e boa sorte.

Gilmar Duarte (autor do livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”)

domingo, 27 de maio de 2012

Qual é o futuro da minha profissão?


Resumo: A velocidade com que o mundo está se transformando gera insegurança aos profissionais que tanto investiram na preparação, pois poderá ver-se incapacitado para o trabalho.

Tags: Tecnologia, profissão, futuro, espaço.

Descrição:
Sentir satisfação ao desempenhar uma atividade bem reconhecida e que oportuniza o sustento familiar com o conforto desejado é a meta de todo bom profissional.

No passado, quando se acertava a profissão logo no início a chance de ter um futuro tranquilo era maior. Será que hoje em dia, com o crescente avanço tecnológico, é possível sentir a mesma segurança? A profissão que atualmente desenvolvo continuará tendo espaço no futuro?

Meu pai aprendeu o ofício de ferreiro e com ela possibilitou o sustento da família de oito filhos. Depois de 20 anos desempenhando com muita maestria aquilo que mais sabia fazer, o "Nelsinho Ferreiro", como todos o chamavam, percebeu que a atividade estava desaparecendo e que havia chegado a hora de mudar para continuar obtendo a renda desejada. Decidiu adquirir um caminhão e passou a ser caminhoneiro. Antes forjava ferro e depois transportava as riquezas do Brasil.

A velocidade das mudanças proporcionada pela tecnologia tem sido cada vez maior. É preciso estar atento e aprimorar habilidades, incrementar novos conhecimentos e utilizar ferramentas atuais para permanecer na profissão, da qual o futuro vai exigir – obrigatoriamente - maior rapidez, qualidade e redução nos custos.

Quantas vezes já se disse que esta ou aquela profissão deixará de existir no futuro? Recentemente, em um evento institucional, um palestrante de renome nacional afirmou que a profissão contábil será extinta em poucos anos. Após refletir bastante reconheci que ele está certo e errado. Da forma que é desempenhada hoje em dia, não tenho dúvidas de que a atividade contábil está condenada a ser varrida do mercado, da mesma maneira que os guarda-livros do início do século XIX ficaram apenas na lembrança.

A profissão contábil não deixará de existir. Ao contrário, ganhará importância cada vez maior. Para atingir os objetivos de ser competitiva, ganhar mais espaço, obter lucro e crescer as empresas necessitam de informações confiáveis e velozes sobre custos, preço de venda, rentabilidade, fluxo de caixa, etc, e o empresário contábil é o profissional que contribui significativamente na geração de informações.

Ajustes de rotas provocados pelo passar do tempo e advento de novas tecnologias são obrigatórios. O futuro será generoso com quem estiver disposto a se adequar aos novos tempos.