As
possíveis multas dos Speds assustam
os contadores. Encontre tempo para se dedicar aos Speds com a precificação justa dos serviços.
Na
semana passada retornei à cidade de Maceió para um encontro com os contadores
da região, que debatem sobre diversos pontos polêmicos da classe. Um deles foi
o tenebroso SPED, que os contadores
ainda têm dificuldades para digerir, pois as alterações não param de acontecer.
A partir de janeiro deve começar mais um, o SPED da folha de pagamento. Esta
nova dificuldade só será vencida se houver dedicação e, mais uma vez, com muito
estudo, pois os contadores já venceram diversas barreiras, como o Simples Nacional,
assinatura digital, nota fiscal eletrônica, SPED contábil e o SPED
Contribuições.
O outro grande entrave que os profissionais da contabilidade enfrentam é para
precificar os seus serviços e fazer a gestão da equipe. Nesta agonia entendo
que já vencemos uma significativa etapa: o reconhecimento de que é preciso
buscar ajuda. Neste evento tive a honra de falar para mais de 60 contadores
sobre a valoração do honorário e observei a participação ativa e interessada de
todos eles.
Uma das dificuldades apontadas por este grupo de empresários contábeis é não
conseguir cobrar de seus clientes pelos serviços acessórios prestados, a
exemplo da constituição e alteração de empresas, recálculo de tributos por
falta de pagamento ou mesmo o serviço de parcelamento dos tributos.
Esta postura impacta diretamente na rentabilidade, pois é um trabalho que exige
a dedicação de muito tempo. Naturalmente, os clientes, sempre que possível,
querem o trabalho bem executado, mas nem sempre estão dispostos a remunerar.
Será que alguém consegue que uma diarista vá duas vezes por semana na sua casa
pelo valor de uma diária? O supermercado onde você gasta R$ 500 por mês lhe
dará adicionalmente um pacote de arroz ou uma garrafa de vinho sem o necessário
pagamento? A escola do seu filho que cobra a mensalidade dará gratuitamente um
ou mais livro cuja leitura foi solicitada pela professora?
Por qual motivo o contador deve executar gratuitamente serviços que não fazem parte
do pacote contratado? Ao refletir sobre isto encontrei algumas possíveis razões,
abaixo elencadas:
. Não há contrato ou o que existe está mal elaborado e não estão
claro quais serviços fazem parte do pacote contratado;
. O contador desconhece técnicas para argumentar junto ao cliente
e mostrar a importância, responsabilidade e tempo necessário para fazer o
serviço;
. Medo de perder o cliente;
. Não sabe como precificar o serviço.
Se não consegue cobrar pelos serviços acessórios prestados o profissional
continuará na vala dos pobres mortais que passarão por esta vida somente para
trabalhar como "um burro de carga", sem conquistar nada de reconhecimento.
É igual aos escravos que trabalhavam até o limite de suas forças e em troca
recebiam comida e um pequeno espaço para dormir. Quando "faziam corpo mole"
eram chicoteados.
Como o profissional que apenas trabalha terá tempo de sobra para investir na
preparação para as novas exigências? E pior, em serviços que não são
remunerados? Às vezes ele se ilude e pensa que o cliente ficou satisfeito
porque a alteração contratual foi de graça. Mas, ao contrário, normalmente ainda
reclama, pois desconhece o tempo que a tarefa exige. Claro que a culpa não é do
cliente, pois cabe a ao fornecedor informá-lo.
Para quem ainda costuma fazer todos os serviços de graça sugiro que reflita
sobre esta postura. A dica para definir o valor a ser cobrado é a seguinte:
apure o valor da hora vendida; estime o tempo que o serviço demandará;
multiplique o tempo demandado pelo valor da hora. Este é o valor mínimo para
prestar o serviço.
Se recebe pelos serviços executados será possível contratar colaboradores e
assim restará tempo para se dedicar ao estudo das novas exigências, como o SPED.
Tags:
SPED, precificar, honorários, serviços, acessórios
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
Você sabe como otimizar a mão de obra dos colaboradores?
Obter maior
rendimento da mão de obra é possível, mas demanda contas e comparações. Verifique
quais são os clientes que exigem mais tempo e descubra os reais motivos para
que isto aconteça.
Nas empresas
prestadoras de serviços, o custo com a mão de obra é geralmente aquele que mais
representa em relação ao faturamento. Segundo a Pesquisa Nacional das Empresas
Contábeis (PNEC), o índice é de 45,23%, sem considerar o pró-labore dos sócios.
Índice tão
expressivo naturalmente exige muita atenção dos gestores, pois ações acertadas
gerarão custos menores e contribuirão para facilitar a penetração da empresa no
mercado ou a própria lucratividade.
Para saber
como a empresa está posicionada em relação aos custos com a mão de obra
primeiramente deve-se totalizar todos os custos diretos com a mão de obra dos
colaboradores (salários, benefícios, encargos sociais e trabalhistas etc.) e
dividir pelo faturamento bruto. Depois, comparar com as pesquisas disponíveis.
A outra
conta importante a ser feita é o balanceamento da mão de obra, ou seja,
conhecer as horas disponíveis que a empresa possui para vender e aquelas efetivamente
vendidas. De posse destas informações é possível fazer o balanceamento e saber se
há ociosidade ou excedente de horas vendidas.
Para
conhecer o tempo disponível calcule as horas médias que cada colaborador consegue
efetivamente produzir. Por exemplo: na empresa que possui 10 colaboradores
apurou-se que cada um produz 140 horas por mês, então são 1.400 horas para
vender mensalmente.
Agora só
falta descobrir quantas horas a empresa efetivamente já vendeu. Para fazer esta
conta de forma bastante rápida tome o faturamento mensal e divida pelo preço de
venda da hora trabalhada. (Se ainda não calculou a valor da hora sugiro que
acesse www.gilmarduarte.com.br/2014/02/voce-conhece-o-preco-da-hora-trabalhada.html).
Imagine que a empresa prestadora de serviços de contabilidade possui faturamento
mensal de R$ 70 mil com base nos contratos (honorários fixos), e que o valor da
hora vendida é de R$ 60,00. Então divida R$ 70.000,00 por R$ 60,00 e encontrará
1.167, que é o número de horas vendidas.
Ao deduzir
as horas vendidas (1.167) das horas disponíveis (1.400) encontra-se a diferença
de 233 horas, ou seja, 17%. Estas 233 horas podem ter as seguintes interpretações:
·
Ociosidade –
há tempo disponível que poderá ser ocupado com a contratação de novos clientes;
·
Serviços
acessórios – há tempo disponível, mas o mesmo é ocupado com serviços acessórios
aos próprios clientes, tais como constituição e alteração de sociedades,
elaboração de contratos, consultoria etc. Estes serviços são faturados aos
clientes e normalmente o valor da hora é maior.
·
Ocupação
desordenada do tempo – as tarefas são mal planejadas e acompanhadas, exigindo
muito mais tempo para ser desenvolvidas.
·
Tempo
excessivo – alguns clientes exigem muito tempo para executar todas as tarefas
contratadas, o que sugere a renegociação do honorário (vender mais horas).
A partir do balanceamento deve-se buscar a
redução máxima do tempo aplicado para executar cada tarefa, obtendo assim maior
lucratividade ou preços mais competitivos.
Tags: balanceamento, custo, hora, honorário, Pnec, ociosidade, tempo
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Invista no tempo e conquiste mais lucro
Invista tempo nas coisas certas, pois é garantia
da boa colheita. “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e
tempo de arrancar o que se plantou” (Eclisiaste 3,2).
Desejar melhor desempenho
fazendo do jeito antigo pode ser uma ilusão no mundo moderno. Busque
informações sobre esta metodologia e descubra que o custo necessário é muito
pequeno em relação aos grandes benefícios que serão conquistados. Depois de
algum tempo até parece milagre o volume de informações disponíveis para a
tomada de decisão, mas é simplesmente a adoção de técnicas estudas por um grupo
de abnegados empresários contábil.
Tags: custo, benefício, tempo, lucro, investimento
A falta de disciplina, organização
ou ainda pode-se dizer um critério adequado para trabalhar, estudar ou fazer
qualquer atividade torna ela pouco produtiva e maçante. Esta reação é natural,
pois quando não se tem a técnica necessária para fazer bem determinada coisa,
haverá pouco resultado e assim o desprazer em executá-la.
Para conseguir alto rendimento
naquilo que fazemos e consequentemente a satisfação é necessário que sejamos
bons naquilo. É fundamental investir tempo e recursos para atingir a meta de
resultados positivos e o melhor de tudo é a satisfação. Popularmente se diz que
quem faz aquilo que gosta não precisa trabalhar, mas trabalha muito mais, pois
trata-se de uma atividade prazerosa e não de tarefa sofrível.
Entendo que a livre concorrência é
adequada ao mercado, mesmo que muitas vezes nos fazem perder noites de sono
para tentar compreender o melhor processo que permita ganhar dinheiro
suficiente para manter o negócio, remunerar adequadamente os colaboradores,
fazer novos investimentos e sobrar lucro.
A "Falta de tempo é desculpa
daqueles que perdem tempo por falta de métodos” coerentes disse Albert Einsten,
e é com base nessa frase inspiradora que busco meios que permita-me enfrentar o
mercado com respeito, mas decididamente pela lucratividade para todas as
atividades que exerço e especialmente na profissão da prestação de serviços
contábeis.
O método de precificar com base no
tempo investido em cada cliente exige, especialmente, a aplicação do nosso
tempo para a implantação, apontamento das tarefas e análise dos resultados.
Alguns empresários da contabilidade dizem que não concordam em gastar tempo
para controlar as tarefas e portanto ficam à espera de algum modelo que fará
este processo automaticamente. Adoto este padrão há quase 4 anos e testemunha nas
palestras e treinamentos as vantagens. Veja os principais benefícios que serão
conquistados por quem o adota com disciplina:
·
Conhecer o
tempo investido em cada cliente;
·
Saber a
lucratividade por cliente;
·
Controle das
atividades dos colaboradores;
·
Registro dos
serviços acessórios para facilitar a cobrança;
·
Permite
saber quais as atividades que precisam ou podem ser otimizadas;
·
Facilidade
para o controle do banco de horas dos colaboradores;
·
Medir faltas
abonadas, tempo dos serviços etc.;
·
Funciona como
um diário, protocolo ou registro de informações p/ consultas e comprovação
daquilo que foi feito.
Tags: custo, benefício, tempo, lucro, investimento
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Quanto tempo é necessário para atender um cliente?
Saiba qual é a média de tempo destinada à
prestação de serviços de contabilidade para um cliente e ateste sua eficiência.
Sugira ao seu sindicato fazer como o Sescap/PR, que
investe nos associados para viabilizar a maximização da rentabilidade de seus
representados. Uma proposta pode ser a formação da comissão de precificação.
Tags: Pesquisa, tempo, Copsec, Sescap, eficiência
Sinto-me
renovado a cada reunião da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis
(Copsec), do Sescap/PR, da qual participo. Assim aconteceu no encontro
realizado nesta última sexta-feira, 29, na cidade de Cascavel, sudoeste do
Paraná. O grande empenho de todos os membros para contribuir com o crescimento
e a valorização da classe contábil é por demais animador.
A pauta
estava recheada de temas instigantes e em breve a ata será divulgada pela
entidade, mas destaco o firme propósito de um seminário de precificação que
deverá acontecer entre o final deste ano e o início de 2015, que certamente
será um marco na valorização da categoria.
O segundo e
último destaque que faço, pois somente desejo despertar o interesse para a leitura
da ata no formato de artigo, é a iniciativa de comparar o tempo investido para
atender aos clientes ao invés da tradicional pesquisa do honorário médio.
Cada membro da
comissão compartilhou o tempo médio mensal investido para atender três clientes
com as seguintes características:
·
optante pelo
regime tributário do Simples Nacional;
·
com 5 a 10
funcionários;
·
faturamento
médio mensal de R$ 60 mil;
·
inclusão dos
serviços de escrituração fiscal, contabilidade, folha de pagamento e serviços
acessórios rotineiros.
Naturalmente
o resultado final pode servir de parâmetro para sabermos a eficiência da nossa
empresa. Certamente estes números ainda possuem uma base pequena e por isso há o
desejo de investir numa pesquisa maior que contribuirá de forma mais significativa.
Somente para
aguçar o seu interesse por este método de precificação - o tempo investido -, informo
que para atender um cliente com sete funcionários, faturamento de R$ 55 mil e
com as demais informações já fornecidas acima, o tempo médio empregado foi de quase
11 horas.
Você tem o
controle do tempo investido em seus clientes? Parabéns aos que já fazem uso
desta metodologia e proponho que comparem o tempo aplicado com a nossa breve
pesquisa. Aos que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer as vantagens de
medir o tempo destinado ao atendimento dos clientes sugiro buscar informações e
começar o mais rapidamente possível.
Tags: Pesquisa, tempo, Copsec, Sescap, eficiência
Gilmar
Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do
livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.
domingo, 24 de agosto de 2014
“Anatomização do tempo”, na prestação de serviços
Ganhar
produtividade para maximizar a rentabilidade na prestação de serviços é a meta
de todos os empresários, mas nem sempre a ferramenta certa está disponível.
Estará agora?
Quando prestamos serviços e não temos funcionários aparenta
que o rendimento na execução das tarefas é altamente produtivo, mas depois que
aumenta o número de clientes e há necessidade de contratar colaboradores surgem
as dificuldades e dúvidas sobre o controle e rendimento dos trabalhos.
Muitas vezes se conclui que os colaboradores não
apresentam a mesma destreza e produtividade ou talvez é o gestor que não detém
ferramentas para acompanhar, medir e cobrar resultados.
A prestação de serviços pode ser vendida de diversas
formas: tamanho do cliente, número de funcionários, regime tributário etc., mas
para medir e definir o custo da execução o modo que normalmente é mais
expressivo e fácil de implantar é aquele com base no tempo investido.
Adoto essa metodologia em minhas empresas há mais de
três anos e constantemente procuro aprimorá-la a fim de oferecer serviços com
melhor qualidade, preço competitivo e lucratividade.
A intensa troca de experiência com
os colegas empresários, por meio de frequentes visitas, nos permite observar
que os colaboradores precisam saber quantas horas mensais poderão investir para
executar as tarefas do cliente para que ele seja lucrativo. Assim implantamos
melhorias no software de apontamento CTpres
– Controle do Tempo e Precificação dos Serviços, que mostra a tabela
“Anatomização do Tempo”, ou seja, o tempo vendido para cada cliente por setor
(contabilidade, RH, escrita fiscal etc.) e aquele que já foi consumido. Esta
informação é atualizada segundo a segundo e quando o tempo planejado foi
extrapolado a linha do cliente fica marcada na cor vermelha.
O acompanhamento a posteriori, ou seja, somente depois
que terminou o mês, não é o ideal, pois nada mais pode ser feito em relação ao
que já passou. Desta forma agora ele é monitorado diariamente.
Constantemente o gerente e todos os colaboradores
envolvidos sabem qual é a meta e como está a evolução. Esta rotina foi batizada
de Anatomização do Tempo, que nada mais é que a dissecação do tempo pelos
setores envolvidos.
Tags: Tempo, controle, produtividade, CTpres, lucratividade
Gilmar Duarte da Silva é contador,
diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários
Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.
domingo, 17 de agosto de 2014
Inovação e determinação, as chaves do sucesso
As empresas nada mais são do que as pessoas que as administram. Então é preciso que estas sejam sonhadoras, inovadoras e determinadas, caso contrário poderão estar fadadas ao insucesso.
Manter-se
constantemente motivado na vida familiar e profissional é uma tarefa árdua. É
comum encontrarmo-nos prontos para desistir devido às inúmeras dificuldades
diárias. Por vezes parece que tudo conspira contra nós. Desejamos fazer algo
que consideramos justo e importante, mas surgem tantas barreias que fazem
parecer ser melhor desistir antes de nos depararmos com colegas, clientes ou
fornecedores que nos taxarão de complicados, chatos, sonhadores, “dinheiristas”
ou qualquer outro rótulo que poderá nos destruir.
Você pensa
que as grandes mudanças pelas quais o mundo passou foram resultado de imediata
aclamação e exaltação?
·
Quando Henry
Ford desejou produzir em série - linha de produção - todos consideraram uma loucura.
Ele venceu, pois criou uma nova forma de produzir muito mais com menos;
·
Quando
Galileu defendia, contra todos, que a Terra não era o centro do universo, quase lhe
tiraram a vida, mas ele estava certo;
·
Quando, nos
Estados Unidos, Rosa Parks, uma senhora negra de meia-idade, se recusou a
levantar para ceder o lugar a um homem branco nos anos 1950, a julgaram insana.
Mas este ato pacífico de desobediência civil revolucionou o país
discriminatório e racista.
As grandes
transformações só acontecem porque surge alguém que pensa completamente diferente
dos demais. Este são, normalmente, apedrejados, mas se forem determinados poderão
atingir o sucesso e ser registrados na história como uma pessoa que contribuiu
para o mundo ser um pouco melhor.
Temos de
aprender a aprender, conforme disse Aristóteles. “Pois as coisas que temos de
aprender antes de fazê-las, nós aprendemos fazendo-as”. Também é necessário ser
mais determinados. “Eu me recuso a reconhecer que existam impossibilidades”,
disse Ford.
Com este
artigo, inspirado nas pessoas que se tornaram ilustres, conclamo os contadores
para buscar a eficiência na prestação dos serviços com o investimento nas
tecnologias e o seu poder de criar para reduzir o tempo e a forma de executar
as tarefas. Assim será possível competir com os baixos honorários, mas com
lucratividade cada vez maior, como aconteceu na Ford Motor Company.
Acredite que
sempre é possível fazer melhor e opte por correr alguns riscos.
Tags: Determinado, inovar, Ford, Aristóteles, sonhar, honorário, contador
Gilmar
Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do
livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.
17/08/2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Inadimplência e perdas com clientes são itens distintos – Parte II
Em artigo
anterior tratamos da inadimplência, que é o atraso no recebimento dos clientes.
Neste abordaremos a importância do controle das perdas, ou seja, a falta do
recebimento em definitivo.
A simples inadimplência foi interpretada como atraso
temporário do pagamento do compromisso por parte do cliente. Definimos como
“simples” porque a perda é mais dolorosa e pode representar 100% do serviço
prestado ou do bem comercializado. Assim podemos dizer que perda é a privação
de uma coisa que se possuía, um prejuízo ou um dano, podendo ser parcial ou
total.
Antes da declaração de perda deve-se ter certeza de
que o processo de inadimplência foi realizado e que todas as possibilidades para
viabilização do recebimento foram esgotadas. Em alguns casos a perda poderá ser
anunciada logo no vencimento, ou até antes, isto quando acontece o golpe nas
mais diversas modalidades. Uma pessoa ou mais planeja o ataque: faz compras com
documentos falsos e desaparece. Quando isto acontece, normalmente a única ação
é o registro da reclamação na polícia para posterior contabilização do prejuízo.
Tal façanha acontece com menos intensidade na prestação de serviços.
Confirmada a perda, ou seja, decorrido o processo da
cobrança administrativa e judicial, resta apenas efetuar o controle deste
índice para que o mesmo não ultrapasse os limites pré-estabelecidos,
suficientemente para colocar em risco a continuidade do empreendimento.
Na apuração do índice de perda, quanto maior for o
período utilizado, mais preciso será o cálculo. A conta é feita com base no
histórico de perdas. Quando a empresa inicia as atividades deverá pesquisar o
índice do ramo de atividade em que atuará. Aquelas que já estão há algum tempo
no mercado deverão fazer com base em seus dados para saber se a política de crédito
está adequada e inclusive apreciar as pessoas que compõem o setor de crédito e
cobrança.
O período a ser utilizado deve ser aquele em que todas
as possibilidades de cobrança foram esgotadas. Para conhecer o índice médio de
perdas com clientes é necessário, primeiramente, saber qual é o prazo de
pagamento oferecido nas vendas. Em nosso exemplo vamos considerar 30/45/60 dias
do faturamento. Outra informação necessária é definir quando decretar o
compromisso perdido depois de vencido. Aqui, para exemplificar, adotaremos 120
dias do vencimento.
Desta forma, para o exemplo acima, a venda que foi
realizada há mais de 180 dias (60 de prazo para o pagamento e mais 120 de
vencido) já será tratada como perda, mas naturalmente nunca deixamos de ter
esperança de recebê-la um dia.
Para calcular o índice de perda tome o faturamento
máximo possível do período que antecede os seis meses (180 dias) e, do mesmo intervalo,
os valores perdidos. Divida o menor pelo maior e descubra o índice de perda do
seu negócio. Este índice deve ser considerado no momento de precificar o
serviço, mercadoria ou produto.
Tags: perda, inadimplência, índice, cobrança
Gilmar Duarte da
Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro
"Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
“Isto é Conta de Contador”...
Jargão de péssimo
gosto de um representante do Governo Federal tenta desvalorizar a classe contábil. Será que
ele tem razão naquilo que falou?
No
domingo passado (27/07/14), na Globo News, três economistas indicados pelos
candidatos à
presidência da República, Aécio
Neves (PSDB), Dilma Rouseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) foram entrevistados
para discutir as propostas dos concorrentes ao cargo máximo
do executivo nacional.
O
economista Márcio Holland,
indicado da petista, esforçou-se
muito para defender a política
atrapalhada que Dilma vem comandando, mas claramente foi trucidado pelos adversários. No decorrer do debate, Gianetti, que representou Eduardo Campos,
chegou a dizer ao colega: "Entendo sua posição
de ter que defender o que foi feito nos últimos
anos, mas não dá pra
tapar o sol com a peneira."
Em
minha opinião, o momento mais deplorável do representante da presidente e
candidata à
reeleição aconteceu quando ele atacou
gratuitamente a classe contábil,
aquela mesma que é
a
principal parceira do governo, segundo eles, para a legalização das empresas e a redução da sonegação tributária.
Este "economista", ao tentar se
defender do abuso do governo ao conceder empréstimos
incentivados do BNDES, mas que não
está
pagando
a conta, rebateu dizendo que isto "é conta de contador". É
notório que o objetivo dele foi dizer que
os números não
podiam ser vistos com a simplicidade ponderada pelos adversários. Tentou dizer que 2 mais 2
necessariamente não deve ser 4, mas pode ser 5, 10 ou
20. Claramente observou-se o famoso jeitinho brasileiro tão
banalizado, especialmente no meio político.
Naquele
momento fiquei muito desapontado por observar pessoas pagas com os nossos
tributos fazendo uso de emissoras com alta audiência
para proferir absurdos e tentar banalizar o trabalho sério
da classe contábil brasileira. Mas refleti muito no
decorrer da semana e observei que, sem querer, ele falou a verdade. Conta de
contador é
exata!
2 mais 2 sempre foi 4 e para os contadores nunca deixará de
ser.
Ao
interpretar um número, por exemplo, o Índice de Liquidez que o balanço aponta para 0,8, não dizemos qualquer outro número, pois a verdade é
exatamente
0,8. Os contadores podem e fazem análises
com mais profundidade. Vejamos, a título
de exemplo, algumas análises
proferidas pelos contadores:
. No exercício
anterior o índice foi maior, porém neste os investimentos para o
aumento da produção exigiram a redução
da liquidez imediata.
. A tendência
para os próximos dois exercícios
é
que
o índice caia um pouco mais, podendo
chegar a 0,6, mas depois voltará a crescer até chegar
ao desejável, que é 1,2.
. Observem que o índice
de liquidez caiu, mas a lucratividade teve crescimento de 5% em relação ao ano anterior.
No
exemplo acima, vejam que foi justificado o mau desempenho de um indicador com
informações verdadeiras, sem necessidade de
mentiras ou ofensas. Está é a atitude do contador.
Parabéns, contadores, e continuem fazendo “Conta de Contadores”, pois aos poucos conseguiremos
transformar o Brasil numa nação
séria. Elegeremos representantes
honestos e estes indicarão
auxiliares igualmente honestos que jamais aceitarão
cargos para mentir ou ofender o seu povo.
Leia
sobre a entrevista em
http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/07/28/internas_economia,552778/economistas-de-presidenciaveis-debatem-cenario-economico.shtml
Tags: conta, contador, Dilma, Holland, economista,
Gilmar
Duarte da Silva é
contador,
diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis"
e membro da Copsec do Sescap/PR.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Inadimplência e perdas com clientes são itens distintos
Muitas vezes parece que inadimplência e
perda tratam-se da mesma coisa, mas são totalmente diferentes. O controle de
ambas é de vital importância, pois se for malfeito pode colocar o
empreendimento em "maus lençóis".
O cliente contrata o serviço ou produto
do fornecedor e espera recebê-lo dentro do prazo combinado, para que consiga
também honrar os seus compromissos. Infelizmente e por diversos motivos o
atraso no recebimento pode ser significativo em alguns ramos de atividade.
Assim, é necessário conhecer a média da inadimplência no ramo da sua empresa e
sempre que possível ter capital de giro para suportar.
Conhecida a média da inadimplência no
seu ramo de negócio, o primeiro passo é manter rigoroso controle para não
extrapolá-lo, e o segundo é ir em busca da eficiência, ou seja, deixar o atraso
dos clientes o mais próximo possível de zero.
O atraso dos clientes, conforme já foi
dito, acontece por diversos motivos e podemos classificá-los em dois: internos
e externos.
Causas internas: provocadas pelo
fornecedor, podem ser classificadas em negligência ou opção pelo risco. A negligência
ou a falha interna deve ser imediatamente constatada, analisada e corrigida. Quando
a causa interna foi consequência de opção por assumir o risco resta rever a
política interna e se há necessidade de adequação.
Causas externas: as causas externas ocorrem quando não há erro ou culpa do fornecedor, mas
fatos impossíveis de ser previstos. As principais causas externas e
que devem ser rigorosamente acompanhadas são: cliente com problemas momentâneos, mercado, crise, desemprego, ações de governo e
fatores econômicos internacionais.
Ao dar início ao processo de cobranças
do cliente inadimplente primeiramente deve-se buscar saber qual é o motivo da
não quitação do título. Se foi por causas internas (do fornecedor), como, por
exemplo, a falta de entrega do serviço ou produto, será necessário regularizar
a falha e pactuar novo prazo de vencimento.
O cálculo da inadimplência pode ter
bases (faturamento) diferentes de acordo com o ramo de atividade. Para as
empresas contábeis sugerimos totalizar os honorários vencidos há mais de 30
dias, mas com reais possibilidades de recebimento, e dívida pelo faturamento do
último mês que faz parte dos atrasos. A Pesquisa Nacional das Empresas
Contábeis (PNEC) deste ano apontou 10,8% de inadimplência no ramo.
Na próxima semana escreveremos sobre as
perdas com recebimentos de clientes que é diferente da inadimplência.
Tags: inadimplência, perda, PNEC, honorários, atraso, recebimento
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