segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Grandes problemas ou grandes oportunidades?

A inovação é ágil, mas há muitos problemas ainda sem solução e tantos outros nem se sabe qual é o problema. Pensar nisso pode gerar oportunidades, prestigio e dinheiro.

Nunca houve tanta inovação implantada num espaço de tempo tão curto como na atualidade e parece que será assim por muito tempo ainda. Para aqueles que gostariam que tudo caminhasse num ritmo mais cadenciado só posso dizer que é ilusão. Devemos nos esforçar para acompanhar esse ritmo frenético para não perder o bonde, caso contrário será muito difícil alcançar aqueles que se adiantaram.

Reinventar-se constantemente passou a ser o compasso dessa orquestra mundial. Aquilo que gerou muito lucro no passado pode ser apenas parte da história que agora não produz mais o mesmo efeito. Perder tempo poderá forçar-nos a antecipar a aposentadoria.

Sou frequentemente indagado, por pessoas que desejam investir, sobre negócios ou ramos de atividade mais lucrativos. Esta é uma pergunta muito difícil de ser respondida, mas tenho sugerido conhecer e aprimorar as habilidades, estudar o mercado, pesquisar e fazer muitos cálculos para saber se o negócio é ou não viável. Claro que isso é apenas o princípio, pois o empreendedor que está dentro de cada um de nós é que fará toda a diferença.

O Google, que faz parte do dia a dia de todos nós, é uma das empresas mais inovadoras do momento e se reinventa diariamente. A revista Exame de 02/10/2013 publicou que “lá dentro os projetos [...] são pensados com base em um grande problema, que existe há muito tempo e ocorre em escala global [...] algo que tem potencialmente grande apelo. Em seguida, os técnicos propõem possíveis soluções.”

Parece-me que esta pode ser a solução para todos os empresários e também para nós, profissionais da contabilidade. Pensar, não apenas individualmente, mas preferencialmente em grupo, como os sindicatos de classe, quais são os grandes problemas do mundo que podem ser solucionados com a prestação dos serviços de contabilidade.

Após encontrar os grandes problemas precisamos debater muito até encontrar a melhor forma de solucioná-lo. Descobrir os grandes problemas é tarefa árdua, mas tê-los em mãos facilita a segunda parte.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: Google, oportunidades, inovação, problemas, solução

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Linha de produção para as empresas de contabilidade funciona?

A produção em série que transformou a indústria no início do século XX é empregada até hoje, mas será que se aplica às empresas de serviços de contabilidade?

As empresas prestadoras de serviços de contabilidade têm capacidade de ofertar diversos serviços, inclusive consultoria empresarial, além dos imprescindíveis para todas elas: escrituração da contabilidade, escrita fiscal, departamento de pessoal e legalização de empresas.

Na atualidade, a forma tradicional de execução das tarefas é a personalização aos clientes, porém com o uso maciço das tecnologias disponíveis. Os empresários da contabilidade desconectados, que não acompanham o avanço tecnológico, acabam por prestar serviços de forma artesanal. Tal deficiência encarece os custos de execução, derruba a rentabilidade e eleva, muitas vezes, o preço.

É possível trabalhar com serviços de contabilidade em série? É comum pensar que esta relação de produção é coisa do passado, mas engana-se quem pensa assim. O trabalho em série teve início antes de Henry Ford implantá-lo em sua empresa, mas foi com ele, a partir de 1913, que houve a grande disseminação por todo o mundo. Claro que muitas melhorias foram introduzidas, especialmente para evitar a robotização das pessoas, como ficou evidenciado no filme “Tempos Modernos” com Charles Chaplin.

A produção em série alcança grandes benefícios na redução dos custos e dos defeitos, pois é a especialização da mão de obra pela repetição de uma determinada função.

Nesta última semana, em mais uma viagem de reunião da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec), visitei três empresas de contabilidade e uma delas adota o sistema de trabalho de produção em série, também chamada de linha de produção. A metodologia é utilizada há mais de cinco anos e os proprietários, satisfeitos com o resultado, destacaram os seguintes benefícios como os principais: redução do custo da mão de obra, facilidade de treinar os colaboradores para as novas funções e maximização da rentabilidade.

Se esta é a melhor forma de trabalhar, se os clientes ficam satisfeitos e se é aplicável em empresas com menos de quinze funcionários não sei responder. No entanto foi algo diferente que conheci e compartilho para propor a reflexão. Qual é a sua opinião sobre o assunto?


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: linha de produção, massa, Henry Ford, contabilidade, Copsec

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Balanços reais ou fictícios?

A estupidez do Governo ainda silencia grande parte da população brasileira, que aos poucos tem se manifestado nas praças públicas. É hora dos empresários e contadores darem-se as mãos e “gritar”.

Hilário Franco, contador, professor e autor de diversos livros na área da contabilidade, resumiu que a finalidade da contabilidade é estudar e controlar o patrimônio para fornecer informações sobre sua composição e variações, bem como sobre o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.

A finalidade não é somente para as empresas privadas, mas também para as públicas e mistas. A geração de informações autênticas depende da habilidade do profissional e do interesse daqueles que detém o poder sobre os destinos da empresa, que não deveriam influenciar negativamente.

O Governo é o principal fiscal da contabilidade, especialmente quando se trata das informações que impactam na geração e arrecadação dos tributos. Na contramão estão os empresários que, em função da pesada carga tributária imposta em nosso país e que cresce a cada ano que passa, exigem formas criativas de redução.

Essa rigorosidade do Governo deixa de existir quando se trata de processar a contabilidade das empresas públicas e mistas, como foi o caso da Petrobras. Para adulterar números e mostrar ao povo uma realidade fictícia, o Governo exigiu que a Petrobras não retrate mais R$ 70 bilhões de variação cambial. Ainda aumentou a distribuição de dividendos aos acionistas, dos quais o principal é a União. Este artifício foi batizado pela imprensa de “contabilidade criativa”.

No intuito de contribuir com a transformação das demonstrações contábeis transparentes, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) editou a Resolução 1.445/2013, que definiu regras claras para a denúncia, por parte do contador, de operações suspeitas de “lavagem de dinheiro” dos clientes. A intenção é boa e certamente irá valorizar a classe contábil, mas inicialmente não é assim que os contadores estão interpretando.

São regras duras para os empresários contábeis que têm, a cada ano que passa, reduzidos os ganhos e agora deverão abrir mão de parte da sua carteira de clientes ou correr o risco de perder o patrimônio pessoal.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: contabilidade, sonegação, Resolução 1.445/2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Precificar os serviços contábeis pode ser tarefa fácil?

Precificar serviços é uma tarefa difícil. Há muitos interessados em ampliar o conhecimento, mas ainda há pouco incentivo, o que acaba limitando o crescimento deste tema. A solução pode ser simples.

Grupos de pessoas com o objetivo de ampliar conhecimentos buscam formas organizadas que deem asas à imaginação. A reunião de pessoas, nas mais diversas áreas, tem sido uma das formas de ampliar a troca de experiências, o que vale também para empresários contábeis e contadores. Basta navegar na Internet para constatar a grande quantidade de eventos como congressos, seminários e outros tipos de encontros promovidos pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), conselhos regionais de Contabilidade (CRC), Sescap’s, Sescon’s, universidades e demais órgãos da classe contábil de todos os rincões do Brasil.

Congresso é uma reunião de pessoas com interesse comum para tratar de determinados assuntos, comunicar trabalhos, apresentar propostas ou trocar ideias, na qual os participantes vão para ouvir novidades. É, portanto, uma forma passiva.

Já o seminário se reveste de uma característica ativa, pois trata-se de um encontro  de especialistas para apresentar estudos a respeito de um tema central, seguido de debate com a plateia.

Refletindo desta forma, sinto falta de seminários para tratar da gestão das empresas contábeis e mais especificamente, à precificação. Imagino como seria proveitoso e enriquecedor a exposição sobre a precificação de serviços contábeis por especialistas, seguida de debate com a plateia e, por fim, escrever as conclusões, para que os interessados tenham condições de continuar desenvolvendo as ideais propostas pelo grande grupo.

Como membro da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis – Copsec - do Sescap/PR, tenho participado de muitas reuniões em diversas cidades do Paraná. Revelo que cresci com a troca de experiências. Tenho lutado para promover um encontro nacional de pessoas interessadas no tema precificação por acreditar que a classe ganhará com a unificação dos conhecimentos isolados.

Com este mesmo sentimento e vontade de fazer um pouco mais pela classe, conclamo os colegas empresários contábeis que enviem mensagem para demonstrar seu interesse. Com a manifestação do apoio será mais fácil viabilizar um seminário nacional de precificação que ficará registrado na história dos profissionais do meio empresarial contábil com um primeiro grande passo.



Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: Seminário, Congresso, precificação, contabilidade

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Contrato de serviços contábeis: a segurança nem sempre praticada do jeito certo

Apesar da exigência dos conselhos regionais de contabilidade e da Receita Estadual, a falta de contrato entre o empresário contábil e o cliente ainda é comum. Este “pequeno” detalhe pode garantir o futuro da sua empresa.

Contrato é um acordo de vontades entre duas ou mais pessoas que tenham capacidade de exercício, capaz de criar, modificar ou extinguir direitos, desde que o objeto seja lícito e possua forma prescrita ou não proibida pela lei. No caso do empresário contábil, além de regular os serviços prestados, o contrato também serve como garantia para estabelecer os limites da responsabilidade profissional.

Alguns contabilistas adotam esta importante ferramenta de forma simbólica, apenas para atender as exigências da Receita Estadual ou do Conselho Regional de Contabilidade (CRC). É possível que o principal motivo para a displicência e dificuldade em adotar o contrato como rotina esteja ligado ao desconhecimento da força do instrumento e da falta de apoio jurídico para aprimorá-lo.

A preocupação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com a falta de contratos entre empresários contábeis e seus clientes ficou registrada no artigo 6º da Resolução 803/1996: “o contabilista deve fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito...” e também no artigo 1º da Resolução 987/2003: “o contabilista ou a organização contábil deverá manter contrato por escrito de prestação de serviços.” Esta resolução ainda explica a principal função do contrato, que é comprovar os limites e a extensão da responsabilidade técnica para a segurança das partes.

O contrato de prestação de serviço de contabilidade mal preparado pode gerar desconfortos, especialmente em relação aos serviços que fazem parte do honorário fixo e preestabelecido. Muitas vezes a falta de clareza leva o cliente a interpretar a contratação do serviço de maneira equivocada, entendendo que o valor estabelecido inclui mais serviços do que o inicialmente combinado. O empresário contábil, por sua vez, acaba ficando no prejuízo, o que dificulta a continuidade do trabalho.

O contrato de prestação de serviços contábeis deve conter, no mínimo:
§  identificação das partes;
§  relação dos serviços a serem prestados;
§  duração;
§  cláusulas rescisórias;
§  honorário;
§  prazo para pagamento;
§  responsabilidades das partes;
§  estabelecer, sempre que possível, os meses em que haverá serviços acessórios excluídos do honorário fixo e os respectivos valores;
§  mencionar a configuração da empresa para o honorário apresentado, pois em caso de alteração, este deverá acompanhar;
§  fixar a data máxima para a disponibilização de todos os documentos necessários ao pagamento dos tributos e obrigações nos prazos legais;
§  a periodicidade e a forma de reajuste do honorário.

Proponho aos empresários contábeis esta reflexão e sugiro a revisão dos contratos com os clientes ativos, para evitar um prejuízo ou talvez o fim de um relacionamento profissional produtivo. É sempre bom lembrar o que disse o polonês Samuel Goldwyn (1879/1974), famoso produtor de filmes em Hollywood: um contrato verbal não vale a tinta em que é assinado.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: contrato, serviços, CRC, CFC, conselho, Resolução 987/2003

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Integração – A chave das inovações e mudanças nas empresas contábeis

Entre os dias 21 e 23 de agosto foi realizada a 15ª Convenção Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Conescap), em Gramado, no Rio Grande do Sul. O evento começou com a temperatura bastante quente e terminou bem próxima de zero. O frio assusta alguns, mas na ocasião foi insuficiente para esfriar a chama do conhecimento.

A participação foi recorde. Segundo os organizadores, estiveram presentes 1.800 pessoas. Numa primeira análise o número é considerado alto, mas torna-se insignificante quando comparado com o número de empresas contábeis existentes no Brasil – corresponde a apenas 2% dos profissionais empresários.

Qual é a importância da Conescap para os empresários contábeis? Toda categoria que deseja ganhar força deve se unir para debater as dificuldades encontradas e sugerir propostas de ações. Os empresários contábeis que reclamam da desunião da classe devem aproveitar estes momentos para somar forças.

Na 15ª Conescap presenciei diversas ocasiões que proporcionaram conhecimento e lazer. A palestras abordaram temas como gestão das empresas contábeis, eSocial, certificação digital, probabilidade das pesquisas, fusões e aquisições etc. Mas destaco as duas principais: “Perspectivas da economia brasileira diante das demais economias mundiais”, proferida por Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Economia do governo de Fernando Henrique Cardoso. Com muita sabedoria, o ex-ministro nos mostrou que o Brasil não corre mais riscos de voltar à inflação com altas taxas e nem à ditadura, graças às fortes instituições nacionais. E o autor do best-seller “O Monge e o Executivo”, James Hunter, deu uma aula de simplicidade que muitos de nós precisamos. Hunter abordou amplamente a necessidade do líder servidor.

Na Conescap também teve descontração com o belíssimo show do cantor Almir Sater e o tradicional Natal Luz. Momentos culturais lavam a nossa alma, muitas vezes lógica demais.

Nos intervalos das palestras e painéis os congressistas tiveram a oportunidade de trocar informações e visitar os diversos stands que ofereceram softwares para facilitar e trazer mais eficiência na execução dos serviços aos clientes.

Os sindicatos das empresas forneceram materiais com pesquisas efetuadas em diversas regiões, informações que nos são úteis para a gestão das empresas contábeis.

Os que foram com um pouco mais de tempo ainda tiveram a oportunidade de participar dos passeios na região e conhecer um pouco da cultura que ajudou a formar a nossa nação. Vinícolas, Maria Fumaça, epopeia italiana e a gastronomia local são algumas excelentes opções.

Participar de congressos é sair da rotina, é fonte de inspiração para oxigenar a nossa mente. Fazendo isto conquistamos novos conhecimentos, novos amigos, novas ferramentas e novos tempos mais promissores.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: Conescap, empresas, contabilidade, Gramado, conhecimento

domingo, 18 de agosto de 2013

A importância do tempo na gestão das empresas contábeis

Os contadores sempre discutiram a gestão das empresas dos clientes, mas agora vão mais longe e desejam que suas empresas também tenham excelência na gestão, especialmente para definir o preço do serviço prestado.

A precificação dos serviços contábeis continua sendo uma tarefa que gera muita dor de cabeça. Por falta de opção ou pela dificuldade de implantar métodos eficazes, muitos colegas buscam meios mais rápidos. Independentemente do método que você utiliza, se é muito bom ou não tão bom, pergunto: você sente segurança ao definir o preço dos serviços? Você sabe se irá alcançar o lucro desejado? Você consegue aplicar este preço sem precisar dar descontos exagerados? Se a resposta for positiva para todos os questionamentos, certamente você já é um empresário de sucesso ou está no caminho certo.

Nessa semana ministrei uma palestra sobre precificação para empresários contábeis em Campo Mourão, no Paraná, e tive a grata satisfação de ouvir o testemunho de quatro participantes que já utilizam parcialmente o tempo como base para definir o preço dos serviços contábeis. Eles relataram que, no início, encontraram dificuldades, mas logo incorporaram o método na rotina das empresas e os resultados começaram a aparecer.

Peter Drucker, muito conhecido por todos nós, disse que não se gerencia o que não se pode medir. Portanto, entendo que devemos medir as tarefas executadas constantemente para conhecer todas as etapas e assim buscar a melhoria contínua.

O Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRC/PR) está apoiando uma pesquisa de estudantes do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que tem como meta conhecer as formas de avaliação dos custos que estão sendo aplicadas nas empresas contábeis. Iniciativas com esta devem ser aplaudidas, pois fica evidente a preocupação do CRC/PR em também contribuir com a classe empresarial contábil a fim de que amplie os investimentos na gestão das empresas e melhore os lucros auferidos.
Não canso de lembrar que o preço de venda não deve ser calculado simplesmente com base no custo, embora este seja um dos enfoques da precificação, mas também com base na concorrência e no valor percebido pelo cliente. Portanto, deixo claro que é com a utilização dos três enfoques que conseguiremos maximizar a lucratividade. Calcule o preço com base nos custo e aplique o lucro desejado; faça pesquisas de mercado para compará-lo e identifique o valor que o cliente enxerga no serviço.

Estou convicto de que o tempo é a base para determinar o preço dos serviços contábeis com enfoque no custo. Hoje em dia não podemos reclamar da dificuldade de implantar esta metodologia, pois há softwares específicos para tal, mas é claro que o esforço e a determinação continuam sendo exigências fundamentais.

Tem-se a impressão de que o controle do tempo e das tarefas exige muitas informações, o que acabará tomando muito tempo dos colaboradores e encarecendo a adoção do método. Acredite, o colaborador necessita apenas de 15 minutos por dia para registrar as seguintes informações: data, hora inicial e final, cliente, colaborador e serviço. Para os serviços é criado um cadastro, então basta informar um código, inclusive para o cliente e o colaborador.

O método foi criado e já é praticado por muitas empresas contábeis do Brasil e acreditamos que logo será uma ferramenta que ninguém mais dispensará. Como disse Albert Einstein, a falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: gestão, tempo, pecificar, valor, CRC, medir, pesquisa

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O lucro líquido ideal para as empresas de contabilidade

Quem vende um produto ou serviço deseja fazê-lo pelo maior valor possível para maximizar o lucro, sem esquecer que o cliente quer o melhor produto ou serviço pelo menor preço do mercado. Desta guerra de força deve surgir a estratégia do lucro líquido.

Uma das formas de garantir a renda financeira para o sustento é um bom emprego, mas com o passar do tempo, principalmente quando o profissional atinge a idade de 40 anos e fica desempregado, surgem muitas barreiras. Nesta situação, a busca por um novo emprego tem sido um grande pesadelo para muitas pessoas.

Outra forma – que pode ser mais segura - de conquistar a estabilidade financeira é tornar-se empresário, ainda mais se houve preparo ao longo da vida profissional. O bacharel em ciências contábeis, especialmente aquele que trabalhou algum tempo como contador, possui experiência significativa para constituir um negócio, já que a habilidade para análise e interpretação dos números de empresas é incontestável.

De acordo com o site oficial do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no Brasil são 488.179 profissionais ativos e 81.845 empresas contábeis, o que significa que ao menos 17% constituíram empresa. Mas se considerarmos que as empresas são formadas, em média, por 2,2 sócios, conforme aponta a Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC), então é possível afirmar que 37% dos profissionais da contabilidade são empresários.

Uma vez como empresário, o profissional se vê cercado de muitas dúvidas. Uma delas é saber qual é o lucro líquido ideal para uma empresa de contabilidade. O primeiro passo é definir o que é o lucro líquido e claro que não desejo ensinar, pois o contador possui conhecimento suficiente. No entanto, devemos destacar dois pontos: para conhecer o lucro líquido da empresa é importante adicionar, juntamente com todos os custos e despesas, o pró-labore e o aluguel quando o imóvel pertence ao sócio. O pró-labore deve ser o valor de mercado que remunere os pelos serviços prestados.

A PNEC, que iniciou em junho e já foi respondida por muitos empresários contábeis de todo o Brasil, ficará ativa até o final deste ano. Acesse o link goo.gl/o5A2Ro para responder. Esta pesquisa mostrará como o empresário contábil atua neste mercado com tantas mudanças, além do tamanho e os principais pontos positivos e negativos. Participe.

Até o presente momento o lucro líquido médio apurado pelas empresas de contabilidade que responderam a PNEC foi de 24,27% do faturamento. Então devo aplicar este percentual ao determinar o preço de venda dos serviços contábeis da minha empresa? Apesar de considerar que se trata de um lucro líquido bom, certamente cada empresário deve ponderar os investimentos, responsabilidade e a procura pelos seus serviços para determinar este percentual.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: lucro, ideal, pnec, pesquisa, cfc, contador, empresário

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Compartilhe experiências e aumente o seu lucro

Compartilhar experiências com os colegas de profissão ajuda a poupar tempo e dinheiro, além de evitar erros. Este hábito, perfeitamente cabível na rotina diária e óbvio num primeiro momento, tem sido pouco aplicado na área empresarial contábil.

Na Idade Média, a maioria da população da Europa Ocidental vivia no campo. A partir do século XI, essa realidade começou a mudar com as Cruzadas até o Oriente. Aos poucos, as descobertas de novas mercadorias e a intensa atividade comercial favoreceram o desenvolvimento de diversas cidades no interior da Europa. Uma das maiores descobertas desse período talvez tenha sido a importância da união, pois os comerciantes sempre andavam em grupos como forma de proteção contra assaltantes e também para fazer melhores negócios.

Nessa última sexta-feira aconteceu mais uma reunião da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec) do Sescap/PR, da qual faço parte, precedida de visitas enriquecedoras em três empresas contábeis. A Copsec foi criada após diversas reuniões feitas por um grupo de empresários com o objetivo de buscar técnicas eficientes para precificar os serviços contábeis. Como aconteceu com as Cruzadas na Europa, também a Copsec, desde 2010, visitou muitas empresas promovendo a união da classe e o compartilhamento de metodologias de precificação e gestão dos serviços contábeis.

Nas empresas que vistamos nestes dois anos destaco que muitas delas estão construindo novas instalações ou reformando a existente para oferecer melhores condições de trabalho aos colaboradores e atendimento aos clientes.

Nas visitas técnicas feitas na última quinta-feira, nas quais fomos amavelmente recebidos por proprietários e colaboradores, que apresentaram suas instalações, métodos de trabalho e números, desejo enumerar o que mais me chamou a atenção:

   *sala equipada com computador e datashow para reuniões com clientes e treinamento dos colaboradores;
   * no período mais crítico do processamento da folha de pagamento, uma das empresas, que conta com cinco colaboradores do departamento de pessoal, isola três deles para garantir maior tranquilidade, concentração e produtividade;
   *utilização de distintas formas de precificação, com evidente lucratividade;
   *métodos de premiação aos colaboradores pelo alcance de metas preestabelecidas, tais como: encerramento dos balanços e impressão dos livros; finalização dos balancetes de todos os clientes no mês seguinte; limite máximo de faltas abonadas etc.;
   *alto nível de limpeza, organização e boa estrutura de recepção.

Visite os colegas de profissão sempre que possível e permita ser visitado para a troca de informações. Isto não é espionagem, mas colaboração mútua que proporciona o crescimento de toda a classe empresarial contábil. A troca de experiências possibilita a evolução de forma mais assertiva e com menos desperdício.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: visita técnica, Copsec, Sescap, técnicas, experiência

domingo, 28 de julho de 2013

Cuidado com a precificação dos serviços contábeis acessórios

O lucro é proveniente dos bons serviços prestados, mas se estes não forem acompanhados de excelência no critério de precificação, o "tiro poderá sair pela culatra.”

No artigo "Empresário contábil: aumente o faturamento com a prestação de serviços acessórios", escrito em 12 de maio desse ano, tratei sobre a importância de maximizar o faturamento e agora escrevo a respeito das formas para precificá-lo.

A troca de informações sobre preços praticados é bastante comum nas rodas de empresários contábeis, o que acaba servindo como um termômetro importante para nos deixar a par do que os colegas estão cobrando.

A primeira tarefa é conhecer o tempo necessário para executar o serviço solicitado ou oferecido. Quando se trata de um serviço que já foi executado diversas vezes o processo é mais fácil, pois basta descrever todas as rotinas e o tempo necessário para terminá-las. Em determinadas situações, algumas tarefas poderão consumir mais ou menos tempo. A título de exemplo podemos citar a entrega de uma obrigação acessória para a Receita Federal que, dependendo do fluxo na internet, pode ser imediata ou muito demorada, às vezes obrigando a suspensão da tarefa para retomá-la mais tarde. Nestes casos devemos considerar o tempo médio, sem que isso exclua a possibilidade de prejuízo em dado momento.

Descrever a rotina de serviços que serão executados pela primeira vez é um pouco mais trabalhoso, uma vez que se faz necessário estimar todas as etapas e tempo, conforme explicado no parágrafo anterior. Considere sempre uma reserva ou uma "gordurinha" para atender algo que possa não ter considerado, mas depois de executá-la faça as necessárias correções.

A Ficha Técnica de Serviços (FTS) é a ferramenta adequada para detalhar todas as etapas e o tempo exigido. Finalmente totalize as horas exigidas, podendo dividi-las por departamentos.

Agora que conhecemos a complexidade do serviço, devemos precificá-lo. Já escrevi outras vezes que são três as formas de precificação de um serviço ou produto: com base nos custos, na concorrência ou no valor percebido pelo cliente. Também afirmei que não existe a melhor, mas devemos precificar considerando as três formas.

Com base nos custos: considere todos os custos envolvidos, adicione a margem de lucro desejada e encontre o valor da hora trabalhada do setor ou da empresa. Agora basta multiplicar o total de horas necessárias para fazer o serviço pelo valor da hora trabalhada, que pode ser por departamento ou setor. Este é o preço de venda com base no custo.

Com base na concorrência: faça pesquisas de mercado – valem até as conversas informais com os colegas - e conheça o valor que está sendo praticado.

Com base no valor percebido pelo cliente: este método pode trazer maior lucratividade, pois permite conhecer o que o cliente espera do serviço ou produto. De acordo com o interesse demonstrado poderá ser impossível cobrar melhor. No entanto, é necessário conhecer o custo para decidir se a execução do trabalho é vantajoso.

A arte de precificar os serviços acessórios de contabilidade está na habilidade de conhecer as três formas de precificação e aplicá-las simultaneamente.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: precificar, valorizar, lucro, serviços, acessórios, custo.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Contabilista: a profissão do presente e do futuro

Uma das profissões que mais cresce no mundo, e também no Brasil, a contabilidade contribui significativamente para o sucesso das empresas. É impensável um empreendimento sem este profissional, legalmente também impossível.

Para o desenvolvimento econômico mundial são necessários muitos profissionais, e estes devem trabalhar de forma sincronizada. É impossível afirmar que determinada profissão é mais ou menos importante do que outra. Neste sentido sugiro uma rápida reflexão sobre a possibilidade de vivermos sem os préstimos de qualquer dos profissionais listados abaixo: trabalhador doméstico, babá, médico, mecânico, advogado, professor, garçom, policial, servidor público, esportista, escritor, ator, cantor, contador, administrador, cientista, pedreiro, operário etc. É possível descartar algum desses?

Diante da imensa gama de profissões devemos nos atentar para a “lei da oferta e procura” a fim de escolher aquela que, dentro das habilidades que possuímos, seja capaz de ampliar o horizonte do nosso sucesso, ou sirva para orientar nossos filhos quanto à carreira a seguir. Resumindo: qual é a profissão que mais me atrai, tem futuro e remunera melhor?

Muitas vezes temos a percepção de que a profissão dos outros é menos estressante, tem melhor rentabilidade e exige menos esforço, o que não passa de ilusão. Todo oficio requer muito e dependendo da forma como encaramos o trabalho é possível atingir altos níveis de desgaste e entrar em depressão. Devemos estar preparados para as cobranças e sempre receber críticas e cobranças como estímulo para fazermos melhor.

O jovem tem a difícil tarefa de escolher a profissão que deseja seguir, decisão que tem início na definição do curso e pode ser facilitada com o auxílio dos já experientes, especialmente dos pais.

Analisar o mercado, as tendências das profissões no futuro e investir firmemente em você. Este diagnóstico me permitiu observar que há ao menos uma profissão com vasto campo de atuação, inclusive com grandes possibilidades para atuar como empresário em qualquer ramo de atividade. Refiro-me ao curso de Ciências Contábeis.

Um jovem que investe firmemente na profissão de contador desenvolverá as seguintes características:
*organização;
*foco no trabalho;
*facilidade para se concentrar;
*bom hábito de leitura;
*facilidade para interpretar números;
*confiabilidade;
*tendência para desenvolver trabalhos em equipe;
*preocupação com a qualidade do trabalho;
 *dons para identificar o resultado de um empreendimento.

O bacharel em Ciências Contábeis está habilitado para exercer plenamente a profissão de contador e tantas outras, tais como de auditor fiscal da Fazenda Pública, auditor independente, consultoria empresarial, empresário contábil, professor, perito contábil,
investigador de fraudes e escritor.

Não tenho dúvidas de que a grande profissão do presente e do futuro é a de contador. Certamente há contadores que desvalorizam a classe e isto acontece em qualquer profissão, mas a grande maioria é de profissionais sérios e bem focados para dar o melhor de si para desenvolver serviços de qualidade.

Acredito que o ofício de contador evoluiu muito nos últimos anos e tem ainda mais a crescer e conquistar maior espaço no cenário econômico.

Vale a pena ser contador e lutar em prol da classe!


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: contador, empresa, profissão, orientar, futuro.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Aviltamento dos honorários contábeis - uma visão diferente da tradicional

Para alguns, a “prostituição” dos honorários chega a ser usada como muleta. Minha afirmação pode causar perplexidade e discordância entre os colegas e é destes que peço a leitura atenta do artigo.

Alguns estudiosos defendem a tese de que a empresa contábil é uma organização e seus proprietários não são empresários. Mesmo sem nunca conseguir compreender e aceitar esta visão, a respeito. Também considero empresários todos os contabilistas que se reúnem para constituir empresas com o objetivo de prestar serviços de contabilidade e gerar lucros que permitirão o crescimento do empreendimento e seu sustento.

A empresa contábil recebe valores pelos serviços prestados. A maioria delas presta serviços mensais e fixos, geralmente remunerados com honorários mensais uniformes e à parte quando o serviço é eventual. A tarefa de definir o valor dos serviços tem trazido muita dor de cabeça aos gestores, e não só na área contábil.

Os serviços certamente são ofertados com qualidades diferenciadas e os clientes fazem a opção pelos diversos níveis disponíveis no mercado. Há clientes que não conseguem distinguir serviços que inicialmente são parecidos, mas também há empresários contábeis que têm dificuldades para apresentar ao mercado, de forma clara, os motivos que elevam seus preços em relação aos demais.

Henry Ford sonhou fabricar automóveis a preço acessíveis para que todos pudessem ter o seu próprio veículo, inclusive seus operários. Steve Jobs sonhou desenvolver computadores pessoais com preços reduzidos para que todas as pessoas pudessem ter o seu computador em casa. Ambos atingiram seus objetivos e a história os registra como pessoas de sucesso.

Será que as atitudes de Ford e Jobs devem ser encaradas como articulação de prostituição de mercado, pois baixaram preços e forçaram os concorrentes a fazer o mesmo?

Especialmente nas redes sociais, encontramos empresários contábeis reclamando de colegas que praticam preços baixos e a isto chamamos de aviltamento ou prostituição dos honorários. É possível que tenham razão, mas qual é a base para esta alegação dos que não possuem uma metodologia lógica de precificação? Alguém que pratica valores menores do que o meu não pode ser acusado de estar prostituindo o mercado.

Há empresas contábeis que prestam serviços com qualidade e a preços razoáveis. Isto é possível graças a gestores que fazem revisão dos processos produtivos, seleção de ferramentas adequadas, análise criteriosa dos custos e formação do preço de venda. Estes empresários atentos ao mercado, que atendem a legislação e obtém lucro com a satisfação dos clientes não podem ser considerados predadores.

Implorar ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que intervenha no mercado para definir uma tabela mínima não é a solução, mas acomodação da classe. Vejam que os médicos têm esta famigerada tabela que paga valores ínfimos por uma consulta. Os poucos que conseguem sobreviver sem os convênios obtêm melhor lucratividade.

Os empresários contábeis não sofrem com preços irrisórios devido à pressão dos convênios. Todos nós atendemos “particulares”, mas nem sempre somos eficientes, comercialmente falando, para alavancar o nosso nome e sermos merecedores de melhores remunerações.

Muitos proprietários de empresas contábeis ocupam-se o dia todo com a execução de tarefas rotineiras, não restando tempo para fazer a gestão da empresa. Fazem inúmeros cursos de atualização, mas nenhum deles para tratar sobre formas e ferramentas de gestão.

O concorrente é um predador ou um empresário visionário que a cada dia conquista parcela maior do mercado, obtém lucro e a satisfação dos clientes? Podemos separar o joio do trigo, conhecer atitudes do “trigo” e se juntar a ele. A opção é nossa.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários  contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".


Tags: prostituição, aviltamento, honorários, contabilidade, concorrência, tabela

domingo, 7 de julho de 2013

Sistema complexo inviabiliza informações precisas em nota fiscal

A tarefa de calcular o valor real, ou aproximado, da carga tributária que deve ser informada nos documentos fiscais de vendas ao consumidor final pode ser uma atribuição nada fácil devido ao complexo sistema tributário.

Talvez seja possível afirmar que praticamente nenhum brasileiro seja contra o fato de que em documentos fiscais, mais especificamente nas notas/cupons fiscais, a carga tributária incidente nas vendas de mercadoria e do serviço prestado seja informada.

Em uma primeira análise, o artigo 1º da Lei 12.741/2012 define que cabe à empresa que realiza a venda ao consumidor final a obrigação de informar o tributo. Sendo assim, aquelas que efetuarem operações comerciais com outras empresas não estão obrigadas a cumprir esta norma.

Já na segunda análise deve-se buscar o entendimento do que seja “aproximado”, conforme preceitua a Lei. Qual é a margem de diferença com o percentual real, se alguém conseguir calculá-lo, que será compreendido como “aproximado”?

Além disso, como as empresas que comercializam diretamente com o consumidor final deverão proceder para demonstrar “aproximadamente” o total de tributos existentes no preço constante do documento fiscal? Devem ater-se somente aos que são exigidos pelas suas operações comerciais? Se for assim, talvez a tarefa não seja exageradamente complexa, mesmo considerando o embaraçado sistema tributário nacional e as várias situações que provocam diferenças nas incidências. As opções tributárias são as mais estranhas possíveis para as permissões de recuperações, em benefícios específicos em determinadas mercadorias e serviços, além das vantagens ligadas ao ramo de atividade, inclusive dependendo da região de atuação.

Afora a complexidade, vejamos outro exemplo possível. Imagine duas empresas que atuam na venda a varejo do vestuário e que estejam lado a lado em algum shopping. Ao observar os banners que informam o total de tributos, o cliente percebe que os percentuais são diferentes, embora as mercadorias sejam quase iguais. Como saberá qual das empresas está informando o percentual mais aproximado? Poderá umas delas estar informando a carga tributária errada? Como estas empresas poderão comprovar, perante a fiscalização, que seu cálculo está correto? Como o Procon, ou outro órgão fiscalizador, poderá comprovar que os valores informado estão errados? É bom ressaltar que o Código de Defesa do Consumidor permite a imposição de multas por erro na informação ao consumidor.

A lei anseia que as empresas cientifiquem “a totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais, cuja incidência influi na formação dos respectivos preços de venda”, conforme determina o artigo 1º. Desta forma não pode se limitar aos tributos incidentes na empresa que vende ao consumidor final, mas a todos os que estejam compondo o preço dessa venda, desde a produção.

Como conhecer o total de tributos devidos pela indústria que produziu e vendeu para o atacadista, que depois revendeu a outro intermediário, que por fim chega ao consumidor final? Cada uma dessas empresas, então, deveria informar ao seu cliente a carga tributária constante no preço de venda. Mas será que é somente essa a cadeia de relacionamentos comerciais que deve ser observada? Sabemos que o produtor rural de algodão, ainda na hipótese de produção e venda de roupas, não é o início do processo. Esse produtor rural paga tributos nos insumos que utiliza, tais como adubos, inseticidas, sementes etc. Também há tributos na folha de pagamento dos trabalhadores, entre tantas outras especificidades.

Isso continua e podemos citar que há tributos na energia elétrica consumida, na aquisição de máquinas, equipamentos, ferramentas e insumo no processo industrial, administrativo e comercial. Não é preciso lembrar que o preço de venda deve, além incluir o lucro pretendido, também considerar todos os gastos, assim como os tributários.

É fácil perceber que cumprir a referida lei demanda a necessária e criteriosa definição de parâmetros, sob pena de culpar injustamente a empresa, que pode não ser a única responsável pela totalidade de tributos existentes no preço de venda. Destacamos a boa intenção do legislador, mas não se podem colocar as empresas brasileiras sob a pressão popular, sem falar dos riscos de autuações que podem ser direcionadas aos menos culpados pela carga tributária total que existe na venda de mercadorias e em serviços prestados. Considere-se que grande parcela das empresas que atuam na venda direta ao consumidor final está enquadrada no regime tributário do Simples Nacional e, por conseguinte, há um peso diferenciado das demais.

Nilton Facci – Professor no curso de Ciências Contábeis na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e
Gilmar Duarte da Silva – Empresário contábil, componentes do Grupo de Estudos Tributários do SESCAP Paraná – Regional de Maringá.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reclamar é fácil. Você contribui para a transformação?

Reclamar é a ação mais firme dos perdedores. Os vencedores buscam respostas para ajustar o rumo em função das alterações proporcionadas pela evolução dos tempos.

Àqueles que buscam o aperfeiçoamento, a evolução das profissões proporciona condições para que se ofereçam serviços com maior qualidade e preço justo.

Em 1494, a publicação do Frei Luca Paccioli inaugurou a fase moderna da contabilidade, mas era apenas o princípio, pois nestes 500 anos o ofício passou por grande progresso, transformando a contabilidade em ciência, reconhecendo a profissão de Guarda-Livros e, posteriormente, a de contador. Agora passamos pelo período moderníssimo em que o contador constitui a empresa de contabilidade e deseja fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a administração a fim de oferecer serviços com qualidade aos seus clientes e obter rentabilidade.

Assim como tantos outros profissionais, talvez o contador não receba, durante a graduação, orientações para atuar como empresário, obrigando os interessados a buscar formação complementar. Quem age assim transforma o escritório de contabilidade em verdadeira empresa competitiva e conquista melhores resultados em seus negócios.

Sabemos que alguns empresários contábeis têm mais sucesso do que outros, mas quais são os fatores que fazem esta diferença? Buscar conhecimento, participar de encontros para a troca de experiência, visitar colegas para debater sobre as dificuldades, investir em tecnologia, contratar colaboradores capacitados e muita determinação são algumas das ações que transformam qualquer empresa.

Quem não gostaria de obter repostas para os seguintes questionamentos: qual o salário médio dos funcionários? Quanto representa a folha de pagamento sobre o faturamento? Quanto é o custo fixo das empresas contábeis? Há inadimplência? Qual é o melhor software disponível no mercado? Quais as maiores dificuldades e pontos positivos das empresas contábeis? Qual é o lucro médio aplicado nos serviços?

Conforme já dissemos acima, uma das formas para obter as resposta é conversando com os colegas de profissão que estão dispostos a contribuir com o crescimento da classe empresarial contábil. Podemos imaginar que quem tem a receita não irá divulgá-la, mas não é isso o que tem acontecido. Se todos os empresários contábeis souberem administrar os seus negócios de forma eficaz é certo que também saberão valorizar o serviço, então todos ganharão.

Com o objetivo de contribuir para a evolução da classe empresária contábil é que lançamos a Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis. O questionário composto de 26 perguntas irá gerar novos conhecimentos para todos aqueles que participarem. O resultado final será dividido por regiões. É o momento dos empresários contábeis e sindicatos se unirem para a divulgação da pesquisa, pois quanto maior o número de resposta, maior a qualidade.


Todos já sabem que sou grande admirador do Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna e mais especialmente do pensamento “Se você não pode medir, você não pode gerenciar”. Para que possamos fazer a administração da empresa contábil com eficiência e eficácia é necessário ter números para comparar e traçar metas a fim de atingir novos alvos. Vamos abraçar esta bandeira e divulgar, com muita determinação, a pesquisa. Em breve teremos novas unidades de medidas com o conhecimento que será produzido.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: pesquisa, contabilidade, questionário, empresário, resposta

domingo, 23 de junho de 2013

Organização: sinônimo de lucro ou ocupação de quem não tem nada para fazer?

Estamos acostumados a valorizar as aparências, mesmo correndo o risco de cometer erros enormes. Acúmulo de trabalho, por exemplo, pode ser sinônimo de desorganização, excesso de centralização e dinheiro indo para o ralo.

Quem já viveu um pouco mais certamente se lembra de colegas, chefes ou diretores que mantinham, por hábito, mesas com grandes pilhas de papéis. Esta prática dava a impressão de importância, de muita ocupação e excesso de responsabilidades.  Conseguir um tempo para discutir qualquer assunto com uma pessoa dessas era quase impossível, pois estava sempre assoberbado de trabalho que se acumulava sobre a mesa a olhos vistos.

Aqueles que sempre deixam as mesas e arquivos organizados parecem nada ter para fazer, e acabam recebendo mais e mais trabalho para ocuparem-se o dia todo. Aos poucos, observou-se que o rendimento das pessoas organizadas é maior e emprega menor esforço, exatamente como Taylor (1856/1915), considerado o pai da administração científica, pregava. Segundo ele, as tarefas devem ser realizadas de modo mais inteligente e com a máxima economia de esforço.

Quando a prática da mesa cheia é de um “colaborador raso”, todos ficam à vontade para criticá-lo, mas se isso ocorre com o chefe ou o empresário fica mais difícil chamar a atenção, mas é evidente que tal desorganização atrapalha o bom desenvolvimento do trabalho.

A organização não deve parar apenas na mesa, mas no arquivo, no computador, na agenda e em tudo que envolve a nossa vida. É preciso dividir as tarefas do dia em urgente, importante e o que é pura pressão de alguém, mas sem importância. Organizar os arquivos digitais é de suma importância para ganhar rapidez no momento de procurá-los, e criar uma estrutura de cópia de segurança é fundamental. Quem não conhece pessoas que perderam informações importantes devido à queima ou roubo do computador?

Adote um sistema de gestão eficaz que permita medir o tempo despendido em cada tarefa e estude aquelas que tomam tempo demasiado para racionalizá-las. Peter Drucker, conhecido como o pai da administração moderna, afirmava que não se gerencia o que não se pode medir.

Especialmente nas empresas prestadoras de serviços de contabilidade, a organização é fundamental para atrair o cliente e oferecer serviços com qualidade, rapidez e com preços justos. O cliente não está disposto a remunerar mais pela falta de organização que exige tempo maior na execução das tarefas.

Um trabalhador normal está disponível para a empresa em torno de 190 horas mensais. Deduzidas as faltas, treinamentos, reuniões, lanches e outras paradas, descobre-se que dificilmente as horas mensais vendidas são superiores a 140. Horas vendidas são aquelas disponibilizadas para executar serviços “produto final” ou diretamente para o cliente.

Apure o valor da hora vendida somando salário, encargos sociais e benefícios. Aproprie os gastos fixos da empresa e encontre o custo da hora do colaborador. Agora controle o tempo desperdiçado em função da desorganização e descubra quanto dinheiro a empresa está jogando no lixo.

A organização não é ocupação de quem não tem nada para fazer. Conheço empresas que estão com muita ociosidade e o desastre organizacional é grande. O lucro se busca nas pequenas ações organizadas em que o tempo não é desperdiçado. Busque pessoas que trabalham de forma sistematizada, que deixam na sua mesa apenas os documentos dos serviços que estão sendo executados e faça disso um princípio da sua empresa para ganhar muito tempo e aumentar o lucro.



Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: organização, arquivo, tempo, qualidade, medir, lucro

domingo, 16 de junho de 2013

Utilize os pontos fortes da empresa para maximizar a rentabilidade

Alguns empresários contábeis se envolvem exageradamente com tarefas rotineiras e ficam sem tempo para conhecer os pontos positivos da empresa, razão pela qual deixam de melhorar a lucratividade.

Na semana passada escrevi sobre os pontos fracos das empresas e disse que conhecê-los e relacioná-los tem a finalidade transformá-los em pontos positivos ou, ao menos, controlá-los, para que não danifiquem a imagem da empresa. Durante toda a semana recebi muitos contatos de empresários da área contábil que se dispuseram a responder a pesquisa que estamos desenvolvendo. Outros queriam conhecer melhor a metodologia de precificação e ainda houve quem quis contribuir com a lista dos pontos fracos. A todos agradeço pela importante colaboração e carinho demonstrado.

Neste artigo, abordaremos os pontos fortes das empresas de contabilidade, de acordo com as respostas dos empresários que já responderam ao nosso questionário.

Pontos fortes são características ou recursos disponíveis que facilitam o cumprimento da missão da empresa. Estas características tornam a imagem da empresa mais atraente, respeitada e competitiva. É importante saber o que diferencia a sua empresa positivamente das demais, para potencializar esses pontos e extrair deles o máximo de benefícios.

Ao questionar o empresário contábil sobre os pontos positivos de sua empresa, percebi que o assunto desperta sua autoconfiança, demonstrada pelo semblante altivo. Ele então passa a relatar ponto por ponto, inclusive rarram considerações feitas pelos clientes, com muita satisfação e riqueza de detalhes. A relação dos pontos positivos, citada abaixo, crescerá muito mais à medida que intensificarmos as entrevistas, que poderão ser solicitadas através do endereço gilmarduarte@dygran.com.br.

Vejam as características positivas apontadas por diversos empresários entrevistados:

·         Know-how;
·         Agilidade;
·         Honestidade;
·         Atendimento ao cliente;
·         Qualificação dos colaboradores;
·         Gestão das tarefas e tempos dos colaboradores;
·         Controle do custo e precificação da hora vendida;
·         Departamento de TI (tecnologia da informação) interno.

Conhecer o que diferencia positivamente sua empresa das demais é uma ferramenta de precificação, pois ela é baseada em três enfoques: custo, concorrência e valor percebido pelos clientes. Se o cliente reconhece a sua empresa com excelência em determinados serviços, cobre por eles valores acima dos praticados pelos concorrentes. O cliente saberá que isto é investimento, e não custo.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: pontos fortes, precificar, valor, imagem, lucro.