domingo, 28 de julho de 2013

Cuidado com a precificação dos serviços contábeis acessórios

O lucro é proveniente dos bons serviços prestados, mas se estes não forem acompanhados de excelência no critério de precificação, o "tiro poderá sair pela culatra.”

No artigo "Empresário contábil: aumente o faturamento com a prestação de serviços acessórios", escrito em 12 de maio desse ano, tratei sobre a importância de maximizar o faturamento e agora escrevo a respeito das formas para precificá-lo.

A troca de informações sobre preços praticados é bastante comum nas rodas de empresários contábeis, o que acaba servindo como um termômetro importante para nos deixar a par do que os colegas estão cobrando.

A primeira tarefa é conhecer o tempo necessário para executar o serviço solicitado ou oferecido. Quando se trata de um serviço que já foi executado diversas vezes o processo é mais fácil, pois basta descrever todas as rotinas e o tempo necessário para terminá-las. Em determinadas situações, algumas tarefas poderão consumir mais ou menos tempo. A título de exemplo podemos citar a entrega de uma obrigação acessória para a Receita Federal que, dependendo do fluxo na internet, pode ser imediata ou muito demorada, às vezes obrigando a suspensão da tarefa para retomá-la mais tarde. Nestes casos devemos considerar o tempo médio, sem que isso exclua a possibilidade de prejuízo em dado momento.

Descrever a rotina de serviços que serão executados pela primeira vez é um pouco mais trabalhoso, uma vez que se faz necessário estimar todas as etapas e tempo, conforme explicado no parágrafo anterior. Considere sempre uma reserva ou uma "gordurinha" para atender algo que possa não ter considerado, mas depois de executá-la faça as necessárias correções.

A Ficha Técnica de Serviços (FTS) é a ferramenta adequada para detalhar todas as etapas e o tempo exigido. Finalmente totalize as horas exigidas, podendo dividi-las por departamentos.

Agora que conhecemos a complexidade do serviço, devemos precificá-lo. Já escrevi outras vezes que são três as formas de precificação de um serviço ou produto: com base nos custos, na concorrência ou no valor percebido pelo cliente. Também afirmei que não existe a melhor, mas devemos precificar considerando as três formas.

Com base nos custos: considere todos os custos envolvidos, adicione a margem de lucro desejada e encontre o valor da hora trabalhada do setor ou da empresa. Agora basta multiplicar o total de horas necessárias para fazer o serviço pelo valor da hora trabalhada, que pode ser por departamento ou setor. Este é o preço de venda com base no custo.

Com base na concorrência: faça pesquisas de mercado – valem até as conversas informais com os colegas - e conheça o valor que está sendo praticado.

Com base no valor percebido pelo cliente: este método pode trazer maior lucratividade, pois permite conhecer o que o cliente espera do serviço ou produto. De acordo com o interesse demonstrado poderá ser impossível cobrar melhor. No entanto, é necessário conhecer o custo para decidir se a execução do trabalho é vantajoso.

A arte de precificar os serviços acessórios de contabilidade está na habilidade de conhecer as três formas de precificação e aplicá-las simultaneamente.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: precificar, valorizar, lucro, serviços, acessórios, custo.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Contabilista: a profissão do presente e do futuro

Uma das profissões que mais cresce no mundo, e também no Brasil, a contabilidade contribui significativamente para o sucesso das empresas. É impensável um empreendimento sem este profissional, legalmente também impossível.

Para o desenvolvimento econômico mundial são necessários muitos profissionais, e estes devem trabalhar de forma sincronizada. É impossível afirmar que determinada profissão é mais ou menos importante do que outra. Neste sentido sugiro uma rápida reflexão sobre a possibilidade de vivermos sem os préstimos de qualquer dos profissionais listados abaixo: trabalhador doméstico, babá, médico, mecânico, advogado, professor, garçom, policial, servidor público, esportista, escritor, ator, cantor, contador, administrador, cientista, pedreiro, operário etc. É possível descartar algum desses?

Diante da imensa gama de profissões devemos nos atentar para a “lei da oferta e procura” a fim de escolher aquela que, dentro das habilidades que possuímos, seja capaz de ampliar o horizonte do nosso sucesso, ou sirva para orientar nossos filhos quanto à carreira a seguir. Resumindo: qual é a profissão que mais me atrai, tem futuro e remunera melhor?

Muitas vezes temos a percepção de que a profissão dos outros é menos estressante, tem melhor rentabilidade e exige menos esforço, o que não passa de ilusão. Todo oficio requer muito e dependendo da forma como encaramos o trabalho é possível atingir altos níveis de desgaste e entrar em depressão. Devemos estar preparados para as cobranças e sempre receber críticas e cobranças como estímulo para fazermos melhor.

O jovem tem a difícil tarefa de escolher a profissão que deseja seguir, decisão que tem início na definição do curso e pode ser facilitada com o auxílio dos já experientes, especialmente dos pais.

Analisar o mercado, as tendências das profissões no futuro e investir firmemente em você. Este diagnóstico me permitiu observar que há ao menos uma profissão com vasto campo de atuação, inclusive com grandes possibilidades para atuar como empresário em qualquer ramo de atividade. Refiro-me ao curso de Ciências Contábeis.

Um jovem que investe firmemente na profissão de contador desenvolverá as seguintes características:
*organização;
*foco no trabalho;
*facilidade para se concentrar;
*bom hábito de leitura;
*facilidade para interpretar números;
*confiabilidade;
*tendência para desenvolver trabalhos em equipe;
*preocupação com a qualidade do trabalho;
 *dons para identificar o resultado de um empreendimento.

O bacharel em Ciências Contábeis está habilitado para exercer plenamente a profissão de contador e tantas outras, tais como de auditor fiscal da Fazenda Pública, auditor independente, consultoria empresarial, empresário contábil, professor, perito contábil,
investigador de fraudes e escritor.

Não tenho dúvidas de que a grande profissão do presente e do futuro é a de contador. Certamente há contadores que desvalorizam a classe e isto acontece em qualquer profissão, mas a grande maioria é de profissionais sérios e bem focados para dar o melhor de si para desenvolver serviços de qualidade.

Acredito que o ofício de contador evoluiu muito nos últimos anos e tem ainda mais a crescer e conquistar maior espaço no cenário econômico.

Vale a pena ser contador e lutar em prol da classe!


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: contador, empresa, profissão, orientar, futuro.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Aviltamento dos honorários contábeis - uma visão diferente da tradicional

Para alguns, a “prostituição” dos honorários chega a ser usada como muleta. Minha afirmação pode causar perplexidade e discordância entre os colegas e é destes que peço a leitura atenta do artigo.

Alguns estudiosos defendem a tese de que a empresa contábil é uma organização e seus proprietários não são empresários. Mesmo sem nunca conseguir compreender e aceitar esta visão, a respeito. Também considero empresários todos os contabilistas que se reúnem para constituir empresas com o objetivo de prestar serviços de contabilidade e gerar lucros que permitirão o crescimento do empreendimento e seu sustento.

A empresa contábil recebe valores pelos serviços prestados. A maioria delas presta serviços mensais e fixos, geralmente remunerados com honorários mensais uniformes e à parte quando o serviço é eventual. A tarefa de definir o valor dos serviços tem trazido muita dor de cabeça aos gestores, e não só na área contábil.

Os serviços certamente são ofertados com qualidades diferenciadas e os clientes fazem a opção pelos diversos níveis disponíveis no mercado. Há clientes que não conseguem distinguir serviços que inicialmente são parecidos, mas também há empresários contábeis que têm dificuldades para apresentar ao mercado, de forma clara, os motivos que elevam seus preços em relação aos demais.

Henry Ford sonhou fabricar automóveis a preço acessíveis para que todos pudessem ter o seu próprio veículo, inclusive seus operários. Steve Jobs sonhou desenvolver computadores pessoais com preços reduzidos para que todas as pessoas pudessem ter o seu computador em casa. Ambos atingiram seus objetivos e a história os registra como pessoas de sucesso.

Será que as atitudes de Ford e Jobs devem ser encaradas como articulação de prostituição de mercado, pois baixaram preços e forçaram os concorrentes a fazer o mesmo?

Especialmente nas redes sociais, encontramos empresários contábeis reclamando de colegas que praticam preços baixos e a isto chamamos de aviltamento ou prostituição dos honorários. É possível que tenham razão, mas qual é a base para esta alegação dos que não possuem uma metodologia lógica de precificação? Alguém que pratica valores menores do que o meu não pode ser acusado de estar prostituindo o mercado.

Há empresas contábeis que prestam serviços com qualidade e a preços razoáveis. Isto é possível graças a gestores que fazem revisão dos processos produtivos, seleção de ferramentas adequadas, análise criteriosa dos custos e formação do preço de venda. Estes empresários atentos ao mercado, que atendem a legislação e obtém lucro com a satisfação dos clientes não podem ser considerados predadores.

Implorar ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC) que intervenha no mercado para definir uma tabela mínima não é a solução, mas acomodação da classe. Vejam que os médicos têm esta famigerada tabela que paga valores ínfimos por uma consulta. Os poucos que conseguem sobreviver sem os convênios obtêm melhor lucratividade.

Os empresários contábeis não sofrem com preços irrisórios devido à pressão dos convênios. Todos nós atendemos “particulares”, mas nem sempre somos eficientes, comercialmente falando, para alavancar o nosso nome e sermos merecedores de melhores remunerações.

Muitos proprietários de empresas contábeis ocupam-se o dia todo com a execução de tarefas rotineiras, não restando tempo para fazer a gestão da empresa. Fazem inúmeros cursos de atualização, mas nenhum deles para tratar sobre formas e ferramentas de gestão.

O concorrente é um predador ou um empresário visionário que a cada dia conquista parcela maior do mercado, obtém lucro e a satisfação dos clientes? Podemos separar o joio do trigo, conhecer atitudes do “trigo” e se juntar a ele. A opção é nossa.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários  contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".


Tags: prostituição, aviltamento, honorários, contabilidade, concorrência, tabela

domingo, 7 de julho de 2013

Sistema complexo inviabiliza informações precisas em nota fiscal

A tarefa de calcular o valor real, ou aproximado, da carga tributária que deve ser informada nos documentos fiscais de vendas ao consumidor final pode ser uma atribuição nada fácil devido ao complexo sistema tributário.

Talvez seja possível afirmar que praticamente nenhum brasileiro seja contra o fato de que em documentos fiscais, mais especificamente nas notas/cupons fiscais, a carga tributária incidente nas vendas de mercadoria e do serviço prestado seja informada.

Em uma primeira análise, o artigo 1º da Lei 12.741/2012 define que cabe à empresa que realiza a venda ao consumidor final a obrigação de informar o tributo. Sendo assim, aquelas que efetuarem operações comerciais com outras empresas não estão obrigadas a cumprir esta norma.

Já na segunda análise deve-se buscar o entendimento do que seja “aproximado”, conforme preceitua a Lei. Qual é a margem de diferença com o percentual real, se alguém conseguir calculá-lo, que será compreendido como “aproximado”?

Além disso, como as empresas que comercializam diretamente com o consumidor final deverão proceder para demonstrar “aproximadamente” o total de tributos existentes no preço constante do documento fiscal? Devem ater-se somente aos que são exigidos pelas suas operações comerciais? Se for assim, talvez a tarefa não seja exageradamente complexa, mesmo considerando o embaraçado sistema tributário nacional e as várias situações que provocam diferenças nas incidências. As opções tributárias são as mais estranhas possíveis para as permissões de recuperações, em benefícios específicos em determinadas mercadorias e serviços, além das vantagens ligadas ao ramo de atividade, inclusive dependendo da região de atuação.

Afora a complexidade, vejamos outro exemplo possível. Imagine duas empresas que atuam na venda a varejo do vestuário e que estejam lado a lado em algum shopping. Ao observar os banners que informam o total de tributos, o cliente percebe que os percentuais são diferentes, embora as mercadorias sejam quase iguais. Como saberá qual das empresas está informando o percentual mais aproximado? Poderá umas delas estar informando a carga tributária errada? Como estas empresas poderão comprovar, perante a fiscalização, que seu cálculo está correto? Como o Procon, ou outro órgão fiscalizador, poderá comprovar que os valores informado estão errados? É bom ressaltar que o Código de Defesa do Consumidor permite a imposição de multas por erro na informação ao consumidor.

A lei anseia que as empresas cientifiquem “a totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais, cuja incidência influi na formação dos respectivos preços de venda”, conforme determina o artigo 1º. Desta forma não pode se limitar aos tributos incidentes na empresa que vende ao consumidor final, mas a todos os que estejam compondo o preço dessa venda, desde a produção.

Como conhecer o total de tributos devidos pela indústria que produziu e vendeu para o atacadista, que depois revendeu a outro intermediário, que por fim chega ao consumidor final? Cada uma dessas empresas, então, deveria informar ao seu cliente a carga tributária constante no preço de venda. Mas será que é somente essa a cadeia de relacionamentos comerciais que deve ser observada? Sabemos que o produtor rural de algodão, ainda na hipótese de produção e venda de roupas, não é o início do processo. Esse produtor rural paga tributos nos insumos que utiliza, tais como adubos, inseticidas, sementes etc. Também há tributos na folha de pagamento dos trabalhadores, entre tantas outras especificidades.

Isso continua e podemos citar que há tributos na energia elétrica consumida, na aquisição de máquinas, equipamentos, ferramentas e insumo no processo industrial, administrativo e comercial. Não é preciso lembrar que o preço de venda deve, além incluir o lucro pretendido, também considerar todos os gastos, assim como os tributários.

É fácil perceber que cumprir a referida lei demanda a necessária e criteriosa definição de parâmetros, sob pena de culpar injustamente a empresa, que pode não ser a única responsável pela totalidade de tributos existentes no preço de venda. Destacamos a boa intenção do legislador, mas não se podem colocar as empresas brasileiras sob a pressão popular, sem falar dos riscos de autuações que podem ser direcionadas aos menos culpados pela carga tributária total que existe na venda de mercadorias e em serviços prestados. Considere-se que grande parcela das empresas que atuam na venda direta ao consumidor final está enquadrada no regime tributário do Simples Nacional e, por conseguinte, há um peso diferenciado das demais.

Nilton Facci – Professor no curso de Ciências Contábeis na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e
Gilmar Duarte da Silva – Empresário contábil, componentes do Grupo de Estudos Tributários do SESCAP Paraná – Regional de Maringá.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reclamar é fácil. Você contribui para a transformação?

Reclamar é a ação mais firme dos perdedores. Os vencedores buscam respostas para ajustar o rumo em função das alterações proporcionadas pela evolução dos tempos.

Àqueles que buscam o aperfeiçoamento, a evolução das profissões proporciona condições para que se ofereçam serviços com maior qualidade e preço justo.

Em 1494, a publicação do Frei Luca Paccioli inaugurou a fase moderna da contabilidade, mas era apenas o princípio, pois nestes 500 anos o ofício passou por grande progresso, transformando a contabilidade em ciência, reconhecendo a profissão de Guarda-Livros e, posteriormente, a de contador. Agora passamos pelo período moderníssimo em que o contador constitui a empresa de contabilidade e deseja fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a administração a fim de oferecer serviços com qualidade aos seus clientes e obter rentabilidade.

Assim como tantos outros profissionais, talvez o contador não receba, durante a graduação, orientações para atuar como empresário, obrigando os interessados a buscar formação complementar. Quem age assim transforma o escritório de contabilidade em verdadeira empresa competitiva e conquista melhores resultados em seus negócios.

Sabemos que alguns empresários contábeis têm mais sucesso do que outros, mas quais são os fatores que fazem esta diferença? Buscar conhecimento, participar de encontros para a troca de experiência, visitar colegas para debater sobre as dificuldades, investir em tecnologia, contratar colaboradores capacitados e muita determinação são algumas das ações que transformam qualquer empresa.

Quem não gostaria de obter repostas para os seguintes questionamentos: qual o salário médio dos funcionários? Quanto representa a folha de pagamento sobre o faturamento? Quanto é o custo fixo das empresas contábeis? Há inadimplência? Qual é o melhor software disponível no mercado? Quais as maiores dificuldades e pontos positivos das empresas contábeis? Qual é o lucro médio aplicado nos serviços?

Conforme já dissemos acima, uma das formas para obter as resposta é conversando com os colegas de profissão que estão dispostos a contribuir com o crescimento da classe empresarial contábil. Podemos imaginar que quem tem a receita não irá divulgá-la, mas não é isso o que tem acontecido. Se todos os empresários contábeis souberem administrar os seus negócios de forma eficaz é certo que também saberão valorizar o serviço, então todos ganharão.

Com o objetivo de contribuir para a evolução da classe empresária contábil é que lançamos a Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis. O questionário composto de 26 perguntas irá gerar novos conhecimentos para todos aqueles que participarem. O resultado final será dividido por regiões. É o momento dos empresários contábeis e sindicatos se unirem para a divulgação da pesquisa, pois quanto maior o número de resposta, maior a qualidade.


Todos já sabem que sou grande admirador do Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna e mais especialmente do pensamento “Se você não pode medir, você não pode gerenciar”. Para que possamos fazer a administração da empresa contábil com eficiência e eficácia é necessário ter números para comparar e traçar metas a fim de atingir novos alvos. Vamos abraçar esta bandeira e divulgar, com muita determinação, a pesquisa. Em breve teremos novas unidades de medidas com o conhecimento que será produzido.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: pesquisa, contabilidade, questionário, empresário, resposta

domingo, 23 de junho de 2013

Organização: sinônimo de lucro ou ocupação de quem não tem nada para fazer?

Estamos acostumados a valorizar as aparências, mesmo correndo o risco de cometer erros enormes. Acúmulo de trabalho, por exemplo, pode ser sinônimo de desorganização, excesso de centralização e dinheiro indo para o ralo.

Quem já viveu um pouco mais certamente se lembra de colegas, chefes ou diretores que mantinham, por hábito, mesas com grandes pilhas de papéis. Esta prática dava a impressão de importância, de muita ocupação e excesso de responsabilidades.  Conseguir um tempo para discutir qualquer assunto com uma pessoa dessas era quase impossível, pois estava sempre assoberbado de trabalho que se acumulava sobre a mesa a olhos vistos.

Aqueles que sempre deixam as mesas e arquivos organizados parecem nada ter para fazer, e acabam recebendo mais e mais trabalho para ocuparem-se o dia todo. Aos poucos, observou-se que o rendimento das pessoas organizadas é maior e emprega menor esforço, exatamente como Taylor (1856/1915), considerado o pai da administração científica, pregava. Segundo ele, as tarefas devem ser realizadas de modo mais inteligente e com a máxima economia de esforço.

Quando a prática da mesa cheia é de um “colaborador raso”, todos ficam à vontade para criticá-lo, mas se isso ocorre com o chefe ou o empresário fica mais difícil chamar a atenção, mas é evidente que tal desorganização atrapalha o bom desenvolvimento do trabalho.

A organização não deve parar apenas na mesa, mas no arquivo, no computador, na agenda e em tudo que envolve a nossa vida. É preciso dividir as tarefas do dia em urgente, importante e o que é pura pressão de alguém, mas sem importância. Organizar os arquivos digitais é de suma importância para ganhar rapidez no momento de procurá-los, e criar uma estrutura de cópia de segurança é fundamental. Quem não conhece pessoas que perderam informações importantes devido à queima ou roubo do computador?

Adote um sistema de gestão eficaz que permita medir o tempo despendido em cada tarefa e estude aquelas que tomam tempo demasiado para racionalizá-las. Peter Drucker, conhecido como o pai da administração moderna, afirmava que não se gerencia o que não se pode medir.

Especialmente nas empresas prestadoras de serviços de contabilidade, a organização é fundamental para atrair o cliente e oferecer serviços com qualidade, rapidez e com preços justos. O cliente não está disposto a remunerar mais pela falta de organização que exige tempo maior na execução das tarefas.

Um trabalhador normal está disponível para a empresa em torno de 190 horas mensais. Deduzidas as faltas, treinamentos, reuniões, lanches e outras paradas, descobre-se que dificilmente as horas mensais vendidas são superiores a 140. Horas vendidas são aquelas disponibilizadas para executar serviços “produto final” ou diretamente para o cliente.

Apure o valor da hora vendida somando salário, encargos sociais e benefícios. Aproprie os gastos fixos da empresa e encontre o custo da hora do colaborador. Agora controle o tempo desperdiçado em função da desorganização e descubra quanto dinheiro a empresa está jogando no lixo.

A organização não é ocupação de quem não tem nada para fazer. Conheço empresas que estão com muita ociosidade e o desastre organizacional é grande. O lucro se busca nas pequenas ações organizadas em que o tempo não é desperdiçado. Busque pessoas que trabalham de forma sistematizada, que deixam na sua mesa apenas os documentos dos serviços que estão sendo executados e faça disso um princípio da sua empresa para ganhar muito tempo e aumentar o lucro.



Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: organização, arquivo, tempo, qualidade, medir, lucro

domingo, 16 de junho de 2013

Utilize os pontos fortes da empresa para maximizar a rentabilidade

Alguns empresários contábeis se envolvem exageradamente com tarefas rotineiras e ficam sem tempo para conhecer os pontos positivos da empresa, razão pela qual deixam de melhorar a lucratividade.

Na semana passada escrevi sobre os pontos fracos das empresas e disse que conhecê-los e relacioná-los tem a finalidade transformá-los em pontos positivos ou, ao menos, controlá-los, para que não danifiquem a imagem da empresa. Durante toda a semana recebi muitos contatos de empresários da área contábil que se dispuseram a responder a pesquisa que estamos desenvolvendo. Outros queriam conhecer melhor a metodologia de precificação e ainda houve quem quis contribuir com a lista dos pontos fracos. A todos agradeço pela importante colaboração e carinho demonstrado.

Neste artigo, abordaremos os pontos fortes das empresas de contabilidade, de acordo com as respostas dos empresários que já responderam ao nosso questionário.

Pontos fortes são características ou recursos disponíveis que facilitam o cumprimento da missão da empresa. Estas características tornam a imagem da empresa mais atraente, respeitada e competitiva. É importante saber o que diferencia a sua empresa positivamente das demais, para potencializar esses pontos e extrair deles o máximo de benefícios.

Ao questionar o empresário contábil sobre os pontos positivos de sua empresa, percebi que o assunto desperta sua autoconfiança, demonstrada pelo semblante altivo. Ele então passa a relatar ponto por ponto, inclusive rarram considerações feitas pelos clientes, com muita satisfação e riqueza de detalhes. A relação dos pontos positivos, citada abaixo, crescerá muito mais à medida que intensificarmos as entrevistas, que poderão ser solicitadas através do endereço gilmarduarte@dygran.com.br.

Vejam as características positivas apontadas por diversos empresários entrevistados:

·         Know-how;
·         Agilidade;
·         Honestidade;
·         Atendimento ao cliente;
·         Qualificação dos colaboradores;
·         Gestão das tarefas e tempos dos colaboradores;
·         Controle do custo e precificação da hora vendida;
·         Departamento de TI (tecnologia da informação) interno.

Conhecer o que diferencia positivamente sua empresa das demais é uma ferramenta de precificação, pois ela é baseada em três enfoques: custo, concorrência e valor percebido pelos clientes. Se o cliente reconhece a sua empresa com excelência em determinados serviços, cobre por eles valores acima dos praticados pelos concorrentes. O cliente saberá que isto é investimento, e não custo.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: pontos fortes, precificar, valor, imagem, lucro.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Quais são os pontos fracos das empresas contábeis e o que fazer para fortalecê-los?

Às vezes desconhecidos dos próprios fornecedores de mercadorias e/ou serviços, os pontos fracos da empresa são apontados pelos clientes com muita segurança.

Com o objetivo de conhecer um pouco mais a realidade das empresas contábeis do nosso país iniciei, há um mês, uma pesquisa com visitas às empresas contábeis. Nesta semana participei de mais uma reunião da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec) do Sescap/PR, da qual faço parte, e visitei duas empresas contábeis. A pesquisa não tem data prevista para ser concluída, mas em seis meses deverá disponibilizar informações significativas e será possível começar a traçar o perfil do empresário contábil. Aqueles que desejarem ser visitados e participar da pesquisa podem fazer contato: gilmarduarte@dygran.com.br.

A pesquisa é ampla e aborda, além dos dados cadastrais, informações dos colaboradores, clientes, honorários, pontos forte e pontos fracos, finanças e diversos indicadores para medir o desempenho das empresas.

Neste artigo tratarei dos pontos fracos de uma empresa contábil, na visão dos empresários já entrevistados. Conhecer o lado negativo pode passar uma impressão pessimista, pois foca no que é feito sem competência. No entanto, esta atitude pode ser vista como a que proporciona informações de atuações deficientes que podem ser melhoradas. Se as falhas que comprometem a imagem de nossa empresa são conhecidas, temos a oportunidade de transformá-las em pontos positivos. Por exemplo, no levantamento apontou que a empresa é muito lenta para dar retorno às solicitações dos clientes, é possível trabalhar em prol da agilidade e conquistar o reconhecimento do cliente. Quando for impossível transformar pontos fracos em pontos fortes, devemos atuar no controle.

Ao questionar os empresários sobre os pontos fracos observei profunda reflexão dos mesmos, pois o assunto os deixa descontentes e com o sentimento de incapacidade para resolver. A maior frustração, no entanto, advém da comparação com o concorrente e da certificação de que em determinados pontos ele é melhor.

Os principais pontos fracos citados pelos empresários contábeis já pesquisados são:
·         Baixa qualificação dos colaboradores;
·         Alta rotatividade dos colaboradores;
·         Alto custo da folha de pagamento;
·         Deficiência na comunicação interna;
·         Dificuldade para manter-se atualizado;
·         Deficiência na comunicação externa (clientes);
·         Alta inadimplência dos clientes;
·         Concentração significativa do faturamento em poucos clientes;
·         Perda de clientes;
·         Concorrência desleal.

Os pontos fracos da sua empresa são os mesmos citados acima? Reúna os colaboradores, relacione os pontos fracos e aponte aqueles possíveis de reverter e os que deverão ser controlados. Seis meses mais tarde faça nova reunião para medir o progresso conquistado.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: pontos fracos, contábeis, contabilidade, gestão, defeitos, transformação

domingo, 2 de junho de 2013

Concorrência desleal, o caminho certo para a desvalorização da classe

É cada vez mais difícil sobreviver na selva em que o “leão” não é mais o governo, e sim colegas de profissão que praticam preço baixíssimo para atrair novos clientes. É possível trancá-los numa jaula a fim de impedir que provoquem tanto estrago e pânico?

O ser humano busca a zona de conforto, ou seja, um estágio no qual possa atuar com tranquilidade e sem nenhuma ameaça. Infelizmente ninguém consegue passar a vida toda desta forma. Para o refinamento do próprio ser humano na busca de tornar a vida mais interessante é necessário sair da zona de conforto. Daniel C. Luz, professor, consultor e palestrante, afirma que quem leva uma vida segura e previsível nunca saberá a pessoa extraordinária que realmente é. 

Lamentar a redução do mercado ou de clientes somente despertará em algumas pessoas o sentimento de pena a nosso respeito, o que não auxiliará em nada. Atividades com pouca concorrência já não existem mais. O mercado da prestação de serviços contábeis é abundante, mas se transformou em commodities, fazendo com que o grande diferencial passasse a ser o preço.

O concorrente que conquista clientes com a pratica de preços extremamente baixos sobreviverá? É possível que tenha dificuldades e talvez o seu negócio seja incapaz de gerar lucratividade suficiente para permitir uma vida financeira satisfatória. Por outro lado, honorário alto pode sugerir métodos de trabalho ineficientes, caso em que o concorrente, com mais eficiência, consegue obter lucro com honorários menores.

Não é possível trancar em jaulas os concorrentes sedentos de presas e que atacam com os dentes, mas manter atitude passiva para observar e lamentar o que está acontecendo é inadequado. Os desesperados sempre atacam isoladamente, então é fácil combatê-los, mas para isso é fundamental a união da classe na sua cidade.

Combata o predador com armas pontuais. Faça uma reflexão sobre os pontos abaixo:

·         Não adote tabela de preços;
·         Divulgue a empresa e os serviços e/ou produtos;
·         Prospecte novos clientes;
·         Não tenha medo de perder clientes que geram prejuízo;
·         Controle eficientemente os custos da empresa. Saiba que o custo da mão de obra da empresa contábil representa, ao menos, 50% do faturamento;
·         Estude e adote uma metodologia de precificação justa, coerente e com lucratividade;
·         Controle todas as atividades da sua empresa. O software PC Contábil, desenvolvido pela Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec/Sescap/PR) é uma ferramenta excepcional para controlar com eficiência;
·         Mantenha-se unido com a sua classe.

Quem busca a valorização atuando isoladamente, lamentando e praticando preços abaixo do custo para combater a concorrência está equivocado. A valorização só acontece com a participação engajada de colegas que partilham os mesmos princípios e sonhos. Busque participar ativamente nas associações de classe, apresente os problemas e contribua com sugestões e ações para viabilizar o crescimento da classe. Assim você também prosperará.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: valorização, honorário contábil, preço, concorrência desleal, zona de conforto

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A responsabilidade civil provocará uma “peneirada” nas empresas contábeis

Resumo: O Código Civil imputou ao contador responsabilidades significativas e é necessário ficar atento para evitar que o seu império, construído com muito trabalho e economia, seja dizimado.

Normalmente, os clientes não levam em consideração a qualidade dos serviços prestados pela empresa contábil, tratando os mesmos como commodities, o que os deixa na incerteza de serem restituídos em caso de eventual prejuízo. Para que o cliente se certifique de que o contador possui capacidade de arcar com os prejuízos causados é preciso, primeiramente, estimar a possível extensão do dano e garantir que o profissional contratou seguro de responsabilidade civil e/ou tenha patrimônio equivalente e disponível.

De acordo com o Código Civil Brasileiro, a responsabilidade civil poderá ser atribuída por culpa ou dolo. Há culpa quando as regras básicas do desempenho das atividades não são observadas, resultando em negligência, imperícia ou imprudência. Dolo é a vontade de obter resultado, mesmo sabendo que causará prejuízos a outrem (clientes, fisco, fornecedor ou sociedade).

Segundo o psiquiatra forense Guido Arturo Palomba, para que alguém seja responsabilizado civil ou penalmente são necessárias três condições básicas: ter praticado o delito; ter tido, à época, entendimento do caráter criminoso da ação e ter sido livre para escolher entre praticar e não praticar a ação.

Citamos algumas responsabilidades que podem ser imputados ao contador devido a: declarações falsas; balanço “arquitetado” para atender imposição do cliente ou pela falta de atenção na conferência; falta ou erro na entrega de obrigações acessórias; erro na apuração de tributos; conivência na sonegação de tributos pelo cliente; orientação equivocada ao cliente etc.

Provada a culpa ou o dolo, o contador deverá reparar o prejuízo causado, mas sabemos que nem sempre ele possuiu condições financeiras para tal. Então a pergunta que deixa qualquer um perplexo é: como garantir que o cliente não seja prejudicado e que o império do contabilista, pequeno ou grande, não seja dilapidado?

Para minimizar o risco de o empresário contábil ver-se aniquilado é necessário tomar algumas precauções. Chamamos a atenção para as seguintes:
*assinar, com o cliente, contrato que defina com clareza as responsabilidades de cada um;
* manter rigoroso sistema de protocolo das informações enviadas aos clientes e aos órgãos públicos;
* contratar seguro de responsabilidade civil;
* aplicar percentual na definição do honorário para cobrir eventuais prejuízos. Esta parcela deverá ser mantida em aplicação separada, para atender a finalidade específica.


Nos bastidores, informações não oficiais dão conta que, nos próximos cinco anos, 40% das empresas contábeis fecharão suas portas por falta de capacidade na prestação de serviços devido ao alto grau de exigências. Aos que prestam serviços de qualidade por estarem atualizados e praticarem honorários justos, é uma boa notícia.

Tags: seguro, honorário justo, responsabilidade, código civil.

domingo, 19 de maio de 2013

A descoberta do sonho coletivo dos empresários contábeis


“Sem sonhos,(...) as pedras no caminho se tornam montanhas (...).
Mas se você tiver grandes sonhos, (...) seus desafios produzirão oportunidades.”
Augusto Cury

O sonho é o combustível que impulsiona as pessoas para atingir objetivos que parecem impossíveis. A inexistência de sonhos desmotiva e conduz ao fracasso pessoal e comercial. Desde criança fui considerado um sonhador. Confesso que, algumas vezes, esta qualidade me pareceu um erro, mas depois tive certeza da sua importância, pois as pessoas que têm grandes sonhos e correm atrás para transformá-los em realidade são as que obtêm destaque. A título de ilustração podemos citar os renomados sonhadores Alberto Santos Dumont, inventor do avião, Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica, Steve Jobs, criador do computador pessoal e Nelson Mandela, líder contra o regime de segregação racial sul-africano (apartheid), que conquistaram o reconhecimento do mundo.

Quando enxerguei que a conquista da valorização profissional depende das conquistas da classe engajei-me e passei a lutar pela união e conscientização. A classe empresarial contábil no Brasil é formada por 80 mil empresas que, infelizmente, trabalham de forma individualizada, na base do “cada um por si e Deus por todos”, o que provoca o caos.

Sonhar é uma necessidade de todos, mas é necessário pensar e traçar estratégias de foram coletiva a fim de alcançar a realização com maior lucidez, respeito aos colegas e com aplicação do menor esforço possível. O sonho coletivo é aquele que decidimos compartilhar e adequar ao sonho de outras pessoas com as quais temos afinidades. O empresário que sonha escreve o futuro da empresa que dirige.

A maior luta das classes é pela valorização, especialmente pela busca da remuneração justa, aquela que recompensa todo o esforço aplicado na formação profissional e que permite oferecer condições dignas às pessoas que amamos.

É nesta luta pela remuneração justa que participo ativamente na Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec), na qual buscamos desenvolver formas para aprimorar a gestão das empresas contábeis que permitam conhecer e controlar todos os custos envolvidos para proporcionar condições da remuneração digna.

Desenvolver metodologias para facilitar a gestão profissional ao empresário contábil é vital, mas devem ser complementadas com a divulgação. Temos realizado diversas palestras em universidades e associações de empresários contábeis apresentando métodos que permitirão a valorização. Os principais pontos para os quais chamamos a atenção são:
                * proprietários de empresas contábeis devem atuar como empresários e não como operários;
*o cálculo do valor do honorário deve tomar por base os custos e o valor percebido pelo cliente, e não apenas a concorrência;
*adoção do controle do tempo, indispensável à precificação;
*participar de treinamentos para gestores e não apenas os de execução de tarefas operacionais (DIRPJ, SPED, NFe etc.);
*adoção de softwares para a gestão dos clientes e colaboradores;
*valorizar-se, respeitando a classe e praticando preços com lucro justo;
*investir em marketing pessoal para melhorar a imagem profissional.

Um sonho sonhado coletivamente é mais fácil de tornar-se realidade.


Tags: sonho, metodologia, divulgação, valorização, empresário contábil, precificar, sonho

domingo, 12 de maio de 2013

Empresário contábil: aumente o faturamento com a prestação de serviços acessórios


Aumentar o faturamento com lucratividade é a meta de todo empresário. Muitas vezes se busca o crescimento com a ampliação de clientes e esquece-se de ofertar novos serviços aos que já fazem parte da carteira.

A prestação dos serviços contábeis deve ser precedida do contrato. Assim também determina a resolução nº 987/2003 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Neste pacto todas as regras que regerão o relacionamento comercial devem ser claramente relatadas e aqui quero destacar a importância da descrição detalhada dos serviços que compõe o honorário pré-estabelecido. Quando se oferta serviços a um prospect deve ficar claro aqueles que serão executados, sem que haja a cobrança adicional. No momento da assinatura do contrato é fundamental incentivar ao cliente para lê-lo integralmente, para que fique incontestável e transparente os serviços pactuados.

Algumas empresas contábeis cobram acessoriamente serviços que já não podem mais ser assim designados e gera objeções por parte do cliente, pois o honorário apresenta distorções significativas de um mês para o outro. Fica a sugestão para incluir no honorário fixo o valor dos serviços para cumprir as obrigações da DCTF, DACON, IRPJ, RAIS e DFC. Esta prática fará com que o cliente tenha doze parcelas anuais fixas, tornando-o mais satisfeito. Calcule o valor para desempenhar estas obrigações, divida por doze e proponha ao cliente para adicionar ao honorário. O mesmo procedimento poderá ser feito com a cobrança do 13º honorário.

As empresas do mundo inteiro desejam maximizar o faturamento e para isto buscam atender outras necessidades do cliente, além das mercadorias e serviços que tradicionalmente oferta. Podemos citar a título de exemplo os postos de combustíveis que além de vender o combustível, serviços de borracharia, troca de óleo e acessórios para os veículos, agora dispõem da loja de conveniência. As farmácias aumentam expressivamente o faturamento com tantas mercadorias além do tradicional remédio. Os supermercados distribuem ao longo dos corredores, inclusive no caixa, uma infinidade de mercadorias que poderão a atender mais necessidades do cliente.

As empresas prestadoras de serviços de contabilidade devem se preparar e oferecer outros serviços com o objetivo de prover melhor o seu cliente e naturalmente maximizar o faturamento da empresa. Estes serviços são batizados de acessórios, ou seja, aqueles que não fazem parte do contrato, mas que a empresa contábil está preparada para executar com eficiência. Ao final deste artigo apresento uma relação com alguns serviços que poderão incrementar o faturamento.

Certamente todas as empresas de contabilidade já executam os serviços acessórios, porém nem todas sabem como fazer para cobrar, especialmente devido ao medo de perder o cliente. Com esta prática a rentabilidade cai, pois necessita de mão de obra para a realização das tarefas. Experimente calcular quanto tempo foi consumido num mês para realizar tarefas acessórias e que não estão sendo cobradas.

Quando o cliente solicitar um serviço acessório ou você ofertar, sempre informe que contrato não ampara, porem está preparado para oferecer e informe o valor. Naturalmente o cliente sempre deseja pagar o menor valor possível. Veja como exemplo que quando vamos ao açougue comprar 5 kg de alcatra e pedirmos adicionalmente 500g de linguicinha, certamente será cobrado. Deveria ser diferente em uma empresa prestadora de serviços de contabilidade?
Segue a relação com alguns serviços que toda empresa de contabilidade pode oferecer e desta forma maximizar o faturamento, a lucratividade e ainda satisfazer o cliente:

                Projetos financeiros;
                Análise de viabilidade de um novo negócio;
                Constituição e alteração de sociedades;
                Emissão de certidões;
                Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos (Decore);
                Recalculo de tributos;
                Retrabalho devido a erro de informação for do cliente;
                Parcelamento de tributos;
                Consultoria;
                Acompanhamento para homologação da rescisão do contrato de trabalho;
                Elaboração de contratos;
                Preparação de documentos para a participação em licitações;
                Preenchimento de cadastros para instituições financeiras e fornecedores;
                Acompanhar e levantar informações para auditorias e consultorias de clientes;
                Acompanhar procedimentos de fiscalização;
                Calcular o lucro imobiliário para o recolhimento do imposto;
                Treinamentos e cursos para funcionários do cliente;
                Acompanhar o cliente em reuniões com o advogado, fiscal etc.;
                Cadastro Específico do INSS (CEI) para construção civil;
                Pedido de restituição de tributos pagos indevidamente;
                Atualização cadastral junto ao Serasa;
                Preenchimento de relatórios a pedido do IBGE (PAC, PAIC, PAS, PIA etc.).
               
Não basta prestar outros serviços que não integram o contrato, mas é necessário cobrar. Antes de executar informe que você poderá prestar o serviço e o valor.

Tags: assessório, honorário, serviços, contabilidade

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".
12/05/2013

domingo, 5 de maio de 2013


A tecnologia a serviço do empresário eficaz

Muitas tecnologias que proporcionam alto rendimento no dia a dia das empresas de contabilidade continuam sendo subutilizadas, mas o empresário habilidoso investe tempo para conhecê-las.

A constante evolução tecnológica, especialmente das últimas décadas, tem trazido grandes mudanças que impactam nossas vidas. Algumas delas certamente são pouco benéficas para o aprimoramento do relacionamento humano, que às vezes torna-se frio. No entanto, sabemos que toda inovação pode ter dois lados, positivo e negativo. O pai da aviação Alberto Santos Dumont criou o avião para proporcionar conforto e rapidez nos deslocamentos, mas o mesmo foi utilizado também para matar pessoas.

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é o conjunto dos recursos tecnológicos que interferem e mediam os processos de informações e comunicações dos seres. A sua adoção para realizar tarefas poderá trazer grandes benefícios, dentre os quais destacamos a velocidade, que gera redução do tempo aplicado nas tarefas e, consequentemente, redução dos custos, possibilitando a oferta de serviços a preços mais baixos com aumento da lucratividade.

O empresário contábil, muitas vezes assoberbado com tarefas operacionais, deve ocupar-se da identificação de meios tecnológicos que irão favorecer a sua empresa na execução dos serviços com padrões de qualidade e agilidade. Participar de eventos, destinar tempo para conhecer novos softwares e envolver-se em cursos para aumentar as habilidades tecnológicas são atitudes que fatalmente irão reverter em mais lucro do que executar serviços que podem ser delegados para colaboradores capacitados.

Nesta semana observei um colaborador preocupado com uma tarefa solicitada por um cliente. O administrador de uma empresa com 30 funcionários solicitou que mensalmente seja feita uma simulação da rescisão contratual de todos os colaboradores, inclusive com o aviso-prévio indenizado e a multa do FGTS, tarefa que estava consumindo quatro horas semanais. Sentei com ele e procurei entender a necessidade do cliente. Descobrimos que a simulação continuará sendo feita nos próximos seis meses e que o nível de precisão pode variar até 10%, para mais ou para menos. Juntos, desenvolvemos uma planilha eletrônica que consumiu 15 minutos e mais 30 minutos para o preenchimento. A partir de agora, a previsão para o cliente será feita em cinco minutos.

O investimento em novas tecnologias não é barato, mas se confrontado com o tempo gasto para realizar a mesma tarefa com a adoção de ferramentas ultrapassadas, o custo benefício da maioria das novas tecnologias é recompensador. Não espere todos os seus concorrentes passarem a utilizar as novas tecnologias para começar, pois poderá ser tarde demais.

Treine seus colaboradores para pensar cada vez mais, especialmente para encontrar problemas. Sim, isto mesmo. Encontrar problemas é importante para revelar rotinas defeituosas ou que necessitam de muito esforço para serem cumpridas. Encontrado o problema é a vez de pensar e identificar uma estratégia que elimine o esforço exagerado aplicado na tarefa. A estratégia normalmente é encontrada com a adoção das diversas novas tecnologias disponíveis no mercado e que talvez você ainda não conheça.

A TIC não é um fim, mas um meio para modernizar o relacionamento e diminuir o tempo de resposta aos clientes. Lembre-se que estamos vivendo a era digital e as empresas contábeis necessitam ser competitivas para sobreviverem.

Tags: tecnologia, TIC, digital, tempo, contabilidade, software

domingo, 28 de abril de 2013

Estratégia bem feita poupa esforços desnecessários e otimiza o tempo


O esforço é um ingrediente para a execução de uma tarefa, mas a estratégia utilizada poderá reduzi-lo significativamente, facilitando a conquista do sucesso, inclusive financeiro.

A importância do tempo em nossa vida é o tema que mais me agrada falar e escrever, o que naturalmente inclui o tempo aplicado no trabalho, muitas vezes mal aproveitado e motivo de estresses desnecessários que podem até desencadear a depressão.

Nesta semana participei de uma excelente palestra com a filósofa Dulce Magalhães, que me trouxe mais subsídios para melhor enxergar o mundo e aproveitar mais a vida, e desejo compartilhá-los com você. Segundo a filósofa, “a vida é feita de dois pontos ligados por uma ponte: o nascimento e a morte.”

O tempo para atravessar uma ponte é muito curto, então é necessário aproveitarmos da melhor forma possível e não nos distrairmos, permitindo que o tempo passe sem que tenhamos feito coisas que consideramos importantes.

Diariamente investimos entre 8 e 12 horas no trabalho e muitas vezes vamos para casa com a sensação de que fizemos pouco. Então levamos serviços para concluir antes de dormir. Será que podemos chamar a isto de investimento do tempo?

Em sua palestra, Dulce Magalhães disse que “estratégia é fazer mais com menos”, mais tarefas com menos tempo. Ou seja, sermos mais produtivos. Claro que ser mais produtivo não significa se matar de trabalhar, pois quem assim procede normalmente não teve boa instrução e ganha pouco mais que o salário mínimo.

O gestor de uma empresa, e aqui quero destacar o gestor de uma empresa de contabilidade, deve ser um estrategista. Na guerra, este papel costuma ser assumido pelo general, e segundo Carl Von Clausewits, o pai do estudo moderno da estratégia, estratégia é o “o emprego de batalhas para obter o fim da guerra.”

Qual é a guerra que um gestor de empresa contábil enfrenta? Em nosso trabalho, a principal delas é obter sucesso financeiro para proporcionar condições de vida melhores para nós e para as pessoas das quais gostamos. O sucesso financeiro vem com a oferta de serviços com qualidade aos clientes. Serviço com qualidade é aquele que atende as expectativas do cliente e proporciona retorno financeiro satisfatório para quem o presta.

A batalha do nosso dia a dia é saber se estamos caminhando para o fim da guerra, ou seja, para conquistar os objetivos traçados. Isso é possível com a implantação de pesquisa de satisfação do cliente, introdução de controles das tarefas para medir a eficiência do tempo aplicado e precificar adequadamente os materiais e tempo investidos.

Já no século VII antes da Era Cristã, o filósofo Lao Tsé (640) afirmava que “saber e não fazer, ainda não é saber.”

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".
28/04/2013

Tags: tempo, estratégia, sucesso, qualidade, eficiência, precificar

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Crises no mercado e na motivação podem alavancar negócios?


Como está o mercado? Qual é um bom ramo de atividade no qual investir? Ouço essas perguntas com frequência, e muitos questionadores ainda estão em busca de respostas.

Mercado é onde se encontram os consumidores dos produtos e serviços de uma empresa e/ou marca e é regido pela lei da oferta e da procura. A competência certamente é o fator preponderante na sua exploração, mesmo quando há normas rígidas e necessidade de grande investimento de recursos financeiros. Ser grande ou pequeno, mais ou menos competitivo, saturado ou com grande potencial de investimento vai depender do ramo de atividade que se deseja explorar.

A crise que assola o mundo neste início do século 21, primeiro em 2008 nos Estados Unidos com a bolha financeira e agora na Europa, tem desaquecido o mercado e levado à drástica redução do consumo, fazendo com que empresas experimentem quedas no faturamento e balanços com prejuízo.

Essa situação é real para muitos empresários. Mas outros “estão rindo à toa”, como é o caso do jovem empresário Mark Zuckerberg do Facebook, e Márcio Kumruian, da Netshoes, que veem os mercados onde atuam crescendo dia após dia.

As crises geram oportunidades, isto todos nos sabemos, mas nem sempre agimos com esta convicção. Observamos empresários que gastam muito tempo lamentando as dificuldades quando poderiam dedicar-se ao estudo do mercado para buscar novas oportunidades e transformar seus negócios. Transformar não exige, necessariamente, trocar de mercado de atuação ou o ramo de atividade, mas apenas a forma de atuar.

Qualquer negócio de sucesso tem a motivação como fator preponderante, pois quando o desânimo assola uma pessoa ou uma empresa, as dificuldades se tornarão maiores e a resistência, menor. A combinação das dificuldades com a resistência é que definirá o resultado final da sua empresa.

Outro ponto importante é estudar o mercado para conhecê-lo profundamente, impedindo que experiências negativas tomem conta da sua motivação. Devemos nos espelhar nas experiências de sucesso para “oxigenar” as pessoas que nos rodeiam e fazem parte da nossa empresa. Com o espírito animado fica mais fácil enfrentar desafios na conquista de novas fatias do acirrado mercado. “O mais importante é prever para onde os clientes estão indo e chegar lá primeiro”, ensina Kotler.

As crises econômicas e financeiras existem e continuarão a existir, mas não precisam atingir negativamente o seu negócio. Tenho a plena convicção de que podem servir para alavancar sua empresa, marca, produto ou serviço.

Ensei Uejo Neto, num comentário para o portal CaféPoint, resume com muita competência como é possível a sobrevivência no mercado.  Segundo ele, “com o domínio do negócio e profundo conhecimento de seu produto, num movimento coordenado, todos da cadeia produtiva certamente alcançarão bons resultados, pois nenhum de seu elo sobrevive isoladamente.”

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: mercado, crise, oportunidade, investimento, negócio, crescimento