quinta-feira, 30 de maio de 2013

A responsabilidade civil provocará uma “peneirada” nas empresas contábeis

Resumo: O Código Civil imputou ao contador responsabilidades significativas e é necessário ficar atento para evitar que o seu império, construído com muito trabalho e economia, seja dizimado.

Normalmente, os clientes não levam em consideração a qualidade dos serviços prestados pela empresa contábil, tratando os mesmos como commodities, o que os deixa na incerteza de serem restituídos em caso de eventual prejuízo. Para que o cliente se certifique de que o contador possui capacidade de arcar com os prejuízos causados é preciso, primeiramente, estimar a possível extensão do dano e garantir que o profissional contratou seguro de responsabilidade civil e/ou tenha patrimônio equivalente e disponível.

De acordo com o Código Civil Brasileiro, a responsabilidade civil poderá ser atribuída por culpa ou dolo. Há culpa quando as regras básicas do desempenho das atividades não são observadas, resultando em negligência, imperícia ou imprudência. Dolo é a vontade de obter resultado, mesmo sabendo que causará prejuízos a outrem (clientes, fisco, fornecedor ou sociedade).

Segundo o psiquiatra forense Guido Arturo Palomba, para que alguém seja responsabilizado civil ou penalmente são necessárias três condições básicas: ter praticado o delito; ter tido, à época, entendimento do caráter criminoso da ação e ter sido livre para escolher entre praticar e não praticar a ação.

Citamos algumas responsabilidades que podem ser imputados ao contador devido a: declarações falsas; balanço “arquitetado” para atender imposição do cliente ou pela falta de atenção na conferência; falta ou erro na entrega de obrigações acessórias; erro na apuração de tributos; conivência na sonegação de tributos pelo cliente; orientação equivocada ao cliente etc.

Provada a culpa ou o dolo, o contador deverá reparar o prejuízo causado, mas sabemos que nem sempre ele possuiu condições financeiras para tal. Então a pergunta que deixa qualquer um perplexo é: como garantir que o cliente não seja prejudicado e que o império do contabilista, pequeno ou grande, não seja dilapidado?

Para minimizar o risco de o empresário contábil ver-se aniquilado é necessário tomar algumas precauções. Chamamos a atenção para as seguintes:
*assinar, com o cliente, contrato que defina com clareza as responsabilidades de cada um;
* manter rigoroso sistema de protocolo das informações enviadas aos clientes e aos órgãos públicos;
* contratar seguro de responsabilidade civil;
* aplicar percentual na definição do honorário para cobrir eventuais prejuízos. Esta parcela deverá ser mantida em aplicação separada, para atender a finalidade específica.


Nos bastidores, informações não oficiais dão conta que, nos próximos cinco anos, 40% das empresas contábeis fecharão suas portas por falta de capacidade na prestação de serviços devido ao alto grau de exigências. Aos que prestam serviços de qualidade por estarem atualizados e praticarem honorários justos, é uma boa notícia.

Tags: seguro, honorário justo, responsabilidade, código civil.

domingo, 19 de maio de 2013

A descoberta do sonho coletivo dos empresários contábeis


“Sem sonhos,(...) as pedras no caminho se tornam montanhas (...).
Mas se você tiver grandes sonhos, (...) seus desafios produzirão oportunidades.”
Augusto Cury

O sonho é o combustível que impulsiona as pessoas para atingir objetivos que parecem impossíveis. A inexistência de sonhos desmotiva e conduz ao fracasso pessoal e comercial. Desde criança fui considerado um sonhador. Confesso que, algumas vezes, esta qualidade me pareceu um erro, mas depois tive certeza da sua importância, pois as pessoas que têm grandes sonhos e correm atrás para transformá-los em realidade são as que obtêm destaque. A título de ilustração podemos citar os renomados sonhadores Alberto Santos Dumont, inventor do avião, Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica, Steve Jobs, criador do computador pessoal e Nelson Mandela, líder contra o regime de segregação racial sul-africano (apartheid), que conquistaram o reconhecimento do mundo.

Quando enxerguei que a conquista da valorização profissional depende das conquistas da classe engajei-me e passei a lutar pela união e conscientização. A classe empresarial contábil no Brasil é formada por 80 mil empresas que, infelizmente, trabalham de forma individualizada, na base do “cada um por si e Deus por todos”, o que provoca o caos.

Sonhar é uma necessidade de todos, mas é necessário pensar e traçar estratégias de foram coletiva a fim de alcançar a realização com maior lucidez, respeito aos colegas e com aplicação do menor esforço possível. O sonho coletivo é aquele que decidimos compartilhar e adequar ao sonho de outras pessoas com as quais temos afinidades. O empresário que sonha escreve o futuro da empresa que dirige.

A maior luta das classes é pela valorização, especialmente pela busca da remuneração justa, aquela que recompensa todo o esforço aplicado na formação profissional e que permite oferecer condições dignas às pessoas que amamos.

É nesta luta pela remuneração justa que participo ativamente na Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec), na qual buscamos desenvolver formas para aprimorar a gestão das empresas contábeis que permitam conhecer e controlar todos os custos envolvidos para proporcionar condições da remuneração digna.

Desenvolver metodologias para facilitar a gestão profissional ao empresário contábil é vital, mas devem ser complementadas com a divulgação. Temos realizado diversas palestras em universidades e associações de empresários contábeis apresentando métodos que permitirão a valorização. Os principais pontos para os quais chamamos a atenção são:
                * proprietários de empresas contábeis devem atuar como empresários e não como operários;
*o cálculo do valor do honorário deve tomar por base os custos e o valor percebido pelo cliente, e não apenas a concorrência;
*adoção do controle do tempo, indispensável à precificação;
*participar de treinamentos para gestores e não apenas os de execução de tarefas operacionais (DIRPJ, SPED, NFe etc.);
*adoção de softwares para a gestão dos clientes e colaboradores;
*valorizar-se, respeitando a classe e praticando preços com lucro justo;
*investir em marketing pessoal para melhorar a imagem profissional.

Um sonho sonhado coletivamente é mais fácil de tornar-se realidade.


Tags: sonho, metodologia, divulgação, valorização, empresário contábil, precificar, sonho

domingo, 12 de maio de 2013

Empresário contábil: aumente o faturamento com a prestação de serviços acessórios


Aumentar o faturamento com lucratividade é a meta de todo empresário. Muitas vezes se busca o crescimento com a ampliação de clientes e esquece-se de ofertar novos serviços aos que já fazem parte da carteira.

A prestação dos serviços contábeis deve ser precedida do contrato. Assim também determina a resolução nº 987/2003 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Neste pacto todas as regras que regerão o relacionamento comercial devem ser claramente relatadas e aqui quero destacar a importância da descrição detalhada dos serviços que compõe o honorário pré-estabelecido. Quando se oferta serviços a um prospect deve ficar claro aqueles que serão executados, sem que haja a cobrança adicional. No momento da assinatura do contrato é fundamental incentivar ao cliente para lê-lo integralmente, para que fique incontestável e transparente os serviços pactuados.

Algumas empresas contábeis cobram acessoriamente serviços que já não podem mais ser assim designados e gera objeções por parte do cliente, pois o honorário apresenta distorções significativas de um mês para o outro. Fica a sugestão para incluir no honorário fixo o valor dos serviços para cumprir as obrigações da DCTF, DACON, IRPJ, RAIS e DFC. Esta prática fará com que o cliente tenha doze parcelas anuais fixas, tornando-o mais satisfeito. Calcule o valor para desempenhar estas obrigações, divida por doze e proponha ao cliente para adicionar ao honorário. O mesmo procedimento poderá ser feito com a cobrança do 13º honorário.

As empresas do mundo inteiro desejam maximizar o faturamento e para isto buscam atender outras necessidades do cliente, além das mercadorias e serviços que tradicionalmente oferta. Podemos citar a título de exemplo os postos de combustíveis que além de vender o combustível, serviços de borracharia, troca de óleo e acessórios para os veículos, agora dispõem da loja de conveniência. As farmácias aumentam expressivamente o faturamento com tantas mercadorias além do tradicional remédio. Os supermercados distribuem ao longo dos corredores, inclusive no caixa, uma infinidade de mercadorias que poderão a atender mais necessidades do cliente.

As empresas prestadoras de serviços de contabilidade devem se preparar e oferecer outros serviços com o objetivo de prover melhor o seu cliente e naturalmente maximizar o faturamento da empresa. Estes serviços são batizados de acessórios, ou seja, aqueles que não fazem parte do contrato, mas que a empresa contábil está preparada para executar com eficiência. Ao final deste artigo apresento uma relação com alguns serviços que poderão incrementar o faturamento.

Certamente todas as empresas de contabilidade já executam os serviços acessórios, porém nem todas sabem como fazer para cobrar, especialmente devido ao medo de perder o cliente. Com esta prática a rentabilidade cai, pois necessita de mão de obra para a realização das tarefas. Experimente calcular quanto tempo foi consumido num mês para realizar tarefas acessórias e que não estão sendo cobradas.

Quando o cliente solicitar um serviço acessório ou você ofertar, sempre informe que contrato não ampara, porem está preparado para oferecer e informe o valor. Naturalmente o cliente sempre deseja pagar o menor valor possível. Veja como exemplo que quando vamos ao açougue comprar 5 kg de alcatra e pedirmos adicionalmente 500g de linguicinha, certamente será cobrado. Deveria ser diferente em uma empresa prestadora de serviços de contabilidade?
Segue a relação com alguns serviços que toda empresa de contabilidade pode oferecer e desta forma maximizar o faturamento, a lucratividade e ainda satisfazer o cliente:

                Projetos financeiros;
                Análise de viabilidade de um novo negócio;
                Constituição e alteração de sociedades;
                Emissão de certidões;
                Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos (Decore);
                Recalculo de tributos;
                Retrabalho devido a erro de informação for do cliente;
                Parcelamento de tributos;
                Consultoria;
                Acompanhamento para homologação da rescisão do contrato de trabalho;
                Elaboração de contratos;
                Preparação de documentos para a participação em licitações;
                Preenchimento de cadastros para instituições financeiras e fornecedores;
                Acompanhar e levantar informações para auditorias e consultorias de clientes;
                Acompanhar procedimentos de fiscalização;
                Calcular o lucro imobiliário para o recolhimento do imposto;
                Treinamentos e cursos para funcionários do cliente;
                Acompanhar o cliente em reuniões com o advogado, fiscal etc.;
                Cadastro Específico do INSS (CEI) para construção civil;
                Pedido de restituição de tributos pagos indevidamente;
                Atualização cadastral junto ao Serasa;
                Preenchimento de relatórios a pedido do IBGE (PAC, PAIC, PAS, PIA etc.).
               
Não basta prestar outros serviços que não integram o contrato, mas é necessário cobrar. Antes de executar informe que você poderá prestar o serviço e o valor.

Tags: assessório, honorário, serviços, contabilidade

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".
12/05/2013

domingo, 5 de maio de 2013


A tecnologia a serviço do empresário eficaz

Muitas tecnologias que proporcionam alto rendimento no dia a dia das empresas de contabilidade continuam sendo subutilizadas, mas o empresário habilidoso investe tempo para conhecê-las.

A constante evolução tecnológica, especialmente das últimas décadas, tem trazido grandes mudanças que impactam nossas vidas. Algumas delas certamente são pouco benéficas para o aprimoramento do relacionamento humano, que às vezes torna-se frio. No entanto, sabemos que toda inovação pode ter dois lados, positivo e negativo. O pai da aviação Alberto Santos Dumont criou o avião para proporcionar conforto e rapidez nos deslocamentos, mas o mesmo foi utilizado também para matar pessoas.

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é o conjunto dos recursos tecnológicos que interferem e mediam os processos de informações e comunicações dos seres. A sua adoção para realizar tarefas poderá trazer grandes benefícios, dentre os quais destacamos a velocidade, que gera redução do tempo aplicado nas tarefas e, consequentemente, redução dos custos, possibilitando a oferta de serviços a preços mais baixos com aumento da lucratividade.

O empresário contábil, muitas vezes assoberbado com tarefas operacionais, deve ocupar-se da identificação de meios tecnológicos que irão favorecer a sua empresa na execução dos serviços com padrões de qualidade e agilidade. Participar de eventos, destinar tempo para conhecer novos softwares e envolver-se em cursos para aumentar as habilidades tecnológicas são atitudes que fatalmente irão reverter em mais lucro do que executar serviços que podem ser delegados para colaboradores capacitados.

Nesta semana observei um colaborador preocupado com uma tarefa solicitada por um cliente. O administrador de uma empresa com 30 funcionários solicitou que mensalmente seja feita uma simulação da rescisão contratual de todos os colaboradores, inclusive com o aviso-prévio indenizado e a multa do FGTS, tarefa que estava consumindo quatro horas semanais. Sentei com ele e procurei entender a necessidade do cliente. Descobrimos que a simulação continuará sendo feita nos próximos seis meses e que o nível de precisão pode variar até 10%, para mais ou para menos. Juntos, desenvolvemos uma planilha eletrônica que consumiu 15 minutos e mais 30 minutos para o preenchimento. A partir de agora, a previsão para o cliente será feita em cinco minutos.

O investimento em novas tecnologias não é barato, mas se confrontado com o tempo gasto para realizar a mesma tarefa com a adoção de ferramentas ultrapassadas, o custo benefício da maioria das novas tecnologias é recompensador. Não espere todos os seus concorrentes passarem a utilizar as novas tecnologias para começar, pois poderá ser tarde demais.

Treine seus colaboradores para pensar cada vez mais, especialmente para encontrar problemas. Sim, isto mesmo. Encontrar problemas é importante para revelar rotinas defeituosas ou que necessitam de muito esforço para serem cumpridas. Encontrado o problema é a vez de pensar e identificar uma estratégia que elimine o esforço exagerado aplicado na tarefa. A estratégia normalmente é encontrada com a adoção das diversas novas tecnologias disponíveis no mercado e que talvez você ainda não conheça.

A TIC não é um fim, mas um meio para modernizar o relacionamento e diminuir o tempo de resposta aos clientes. Lembre-se que estamos vivendo a era digital e as empresas contábeis necessitam ser competitivas para sobreviverem.

Tags: tecnologia, TIC, digital, tempo, contabilidade, software

domingo, 28 de abril de 2013

Estratégia bem feita poupa esforços desnecessários e otimiza o tempo


O esforço é um ingrediente para a execução de uma tarefa, mas a estratégia utilizada poderá reduzi-lo significativamente, facilitando a conquista do sucesso, inclusive financeiro.

A importância do tempo em nossa vida é o tema que mais me agrada falar e escrever, o que naturalmente inclui o tempo aplicado no trabalho, muitas vezes mal aproveitado e motivo de estresses desnecessários que podem até desencadear a depressão.

Nesta semana participei de uma excelente palestra com a filósofa Dulce Magalhães, que me trouxe mais subsídios para melhor enxergar o mundo e aproveitar mais a vida, e desejo compartilhá-los com você. Segundo a filósofa, “a vida é feita de dois pontos ligados por uma ponte: o nascimento e a morte.”

O tempo para atravessar uma ponte é muito curto, então é necessário aproveitarmos da melhor forma possível e não nos distrairmos, permitindo que o tempo passe sem que tenhamos feito coisas que consideramos importantes.

Diariamente investimos entre 8 e 12 horas no trabalho e muitas vezes vamos para casa com a sensação de que fizemos pouco. Então levamos serviços para concluir antes de dormir. Será que podemos chamar a isto de investimento do tempo?

Em sua palestra, Dulce Magalhães disse que “estratégia é fazer mais com menos”, mais tarefas com menos tempo. Ou seja, sermos mais produtivos. Claro que ser mais produtivo não significa se matar de trabalhar, pois quem assim procede normalmente não teve boa instrução e ganha pouco mais que o salário mínimo.

O gestor de uma empresa, e aqui quero destacar o gestor de uma empresa de contabilidade, deve ser um estrategista. Na guerra, este papel costuma ser assumido pelo general, e segundo Carl Von Clausewits, o pai do estudo moderno da estratégia, estratégia é o “o emprego de batalhas para obter o fim da guerra.”

Qual é a guerra que um gestor de empresa contábil enfrenta? Em nosso trabalho, a principal delas é obter sucesso financeiro para proporcionar condições de vida melhores para nós e para as pessoas das quais gostamos. O sucesso financeiro vem com a oferta de serviços com qualidade aos clientes. Serviço com qualidade é aquele que atende as expectativas do cliente e proporciona retorno financeiro satisfatório para quem o presta.

A batalha do nosso dia a dia é saber se estamos caminhando para o fim da guerra, ou seja, para conquistar os objetivos traçados. Isso é possível com a implantação de pesquisa de satisfação do cliente, introdução de controles das tarefas para medir a eficiência do tempo aplicado e precificar adequadamente os materiais e tempo investidos.

Já no século VII antes da Era Cristã, o filósofo Lao Tsé (640) afirmava que “saber e não fazer, ainda não é saber.”

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".
28/04/2013

Tags: tempo, estratégia, sucesso, qualidade, eficiência, precificar

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Crises no mercado e na motivação podem alavancar negócios?


Como está o mercado? Qual é um bom ramo de atividade no qual investir? Ouço essas perguntas com frequência, e muitos questionadores ainda estão em busca de respostas.

Mercado é onde se encontram os consumidores dos produtos e serviços de uma empresa e/ou marca e é regido pela lei da oferta e da procura. A competência certamente é o fator preponderante na sua exploração, mesmo quando há normas rígidas e necessidade de grande investimento de recursos financeiros. Ser grande ou pequeno, mais ou menos competitivo, saturado ou com grande potencial de investimento vai depender do ramo de atividade que se deseja explorar.

A crise que assola o mundo neste início do século 21, primeiro em 2008 nos Estados Unidos com a bolha financeira e agora na Europa, tem desaquecido o mercado e levado à drástica redução do consumo, fazendo com que empresas experimentem quedas no faturamento e balanços com prejuízo.

Essa situação é real para muitos empresários. Mas outros “estão rindo à toa”, como é o caso do jovem empresário Mark Zuckerberg do Facebook, e Márcio Kumruian, da Netshoes, que veem os mercados onde atuam crescendo dia após dia.

As crises geram oportunidades, isto todos nos sabemos, mas nem sempre agimos com esta convicção. Observamos empresários que gastam muito tempo lamentando as dificuldades quando poderiam dedicar-se ao estudo do mercado para buscar novas oportunidades e transformar seus negócios. Transformar não exige, necessariamente, trocar de mercado de atuação ou o ramo de atividade, mas apenas a forma de atuar.

Qualquer negócio de sucesso tem a motivação como fator preponderante, pois quando o desânimo assola uma pessoa ou uma empresa, as dificuldades se tornarão maiores e a resistência, menor. A combinação das dificuldades com a resistência é que definirá o resultado final da sua empresa.

Outro ponto importante é estudar o mercado para conhecê-lo profundamente, impedindo que experiências negativas tomem conta da sua motivação. Devemos nos espelhar nas experiências de sucesso para “oxigenar” as pessoas que nos rodeiam e fazem parte da nossa empresa. Com o espírito animado fica mais fácil enfrentar desafios na conquista de novas fatias do acirrado mercado. “O mais importante é prever para onde os clientes estão indo e chegar lá primeiro”, ensina Kotler.

As crises econômicas e financeiras existem e continuarão a existir, mas não precisam atingir negativamente o seu negócio. Tenho a plena convicção de que podem servir para alavancar sua empresa, marca, produto ou serviço.

Ensei Uejo Neto, num comentário para o portal CaféPoint, resume com muita competência como é possível a sobrevivência no mercado.  Segundo ele, “com o domínio do negócio e profundo conhecimento de seu produto, num movimento coordenado, todos da cadeia produtiva certamente alcançarão bons resultados, pois nenhum de seu elo sobrevive isoladamente.”

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: mercado, crise, oportunidade, investimento, negócio, crescimento

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O controle do tempo dos colaboradores pode maximizar o lucro da empresa?


Conhecer o maior gasto da empresa e implantar controles para maximizar a eficiência é uma das regras no mundo dos negócios. Nas empresas contábeis, o maior custo é a mão de obra. É possível controlá-la com eficiência?

A sobrevivência das pequenas empresas no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos. O estudo “Taxas de sobrevivência das empresas no Brasil” realizado pelo Sebrae em outubro de 2011 apontou que 73,1% das empresas que nasceram em 2006 permanecem em atividade. Quem acompanha estes números há mais de 10 anos sabe que houve crescimento exponencial. Pesquisas efetuadas pela mesma entidade apontavam que, após três anos do nascimento, cerca de 65% das empresas permaneciam vivas.

Luiz Barreto, presidente do Sebrae, disse que “a chave do sucesso está no planejamento, no acompanhamento, nas oportunidades de cada momento, e, principalmente, na inovação.”

O acompanhamento é o fator que considero o maior responsável pelo sucesso de qualquer organização. A falta do monitoramento torna impossível aproveitar as oportunidades com segurança, visto que o administrador desconhece a capacidade real da empresa para aproveitar a oportunidade que bate à porta. A falta de acompanhamento periódico também dificulta inovar o produto ou a gestão, justamente pela falta de informações.

O acompanhamento deve ser amplo e passar por todos os departamentos da empresa, como o desenvolvimento do produto, a produção, as finanças e o comercial. Acompanhar não significa “olhar por alto”, “saber aproximadamente” ou “ter uma noção”, mas possuir controles precisos de todas as operações, especialmente as principais, que permitam fazer comparativo permanente com períodos diferentes e, sempre que possível, com outras empresas do mesmo ramo.

É preciso analisar diariamente as informações de quantidade e qualidade da produção, produtos entregues aos clientes, reclamações, fluxo do caixa, rentabilidade geral e por produto, formação dos custos e do preço de venda dos produtos, mercadorias ou serviços, entre tantos outros itens indispensáveis para a boa gestão da empresa que deseja perpetuar.

O controle deve sempre começar pelos valores mais expressivos. Por exemplo: o monitoramento dos gastos de uma empresa de serviços de contabilidade aponta para a mão de obra como o custo mais significativo, normalmente variando entre 40% e 60% do faturamento. Sendo assim, é inócuo começar pelo controle do consumo de água, energia elétrica ou ainda pelo cafezinho, pois o resultado final no balancete será irrelevante. O foco inicial deve ser a implantação do controle que permita observar as tarefas realizadas pelos colaboradores. Identificar os trabalhos que podem e devem ser aperfeiçoados para consumir menor tempo provavelmente trará considerável aumento na rentabilidade.

Observo que a classe empresarial contábil despertou para a necessidade de controlar o tempo em suas atividades e algumas empresas desenvolvedoras de softwares já disponibilizam ferramentas que auxiliam o empresário da contabilidade nesta missão.

Sair na frente com o controle do tempo aplicado em sua empresa pode ser uma estratégia que oportuniza a redução dos custos e consequente maximização da lucratividade, desejo de todo empresário.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: controle, tempo, gestão, sucesso, contabilidade, eficiência


domingo, 31 de março de 2013

2013: Ano da Contabilidade no Brasil – Precisamos que dê certo!


Conquistar o reconhecimento da sociedade é uma luta antiga da classe contábil. O ano de 2013 poderá ser a data que ficará registrada como o primeiro passo na direção certa.

O profissional qualificado para cuidar dos aspectos quantitativos e qualitativos do patrimônio das empresas e que registra todos os atos e fatos de natureza econômico-financeira é aquele que se graduou em contabilidade e se atualiza permanentemente. De forma mais simplificada podemos dizer que o contador é o profissional com habilidades para fazer todos os registros possíveis a fim de gerar relatórios que proporcionem condições para a boa gestão de qualquer empresa. É, portanto, o profissional preparado.

No entanto, a comunidade em geral e, mais precisamente, os usuários dos serviços de contabilidade enxergam este profissional de forma deturpada, imaginando ser aquele que dá um jeitinho para realizar os trabalhos e que, por isso mesmo, qualquer valor cobrado é considerado um exagero.

O Brasil tem 484.567 contadores e 81.302 empresários contábeis, de acordo com dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), contingente homenageado em três datas anuais. Vejamos: 12 de janeiro, dia do Empresário Contábil; 25 de abril, dia do Contabilista e 22 de setembro, dia do Contador. Quando muito, essas datas são lembradas unicamente pelos próprios profissionais e parecem não ter contribuído para despertar o reconhecimento ao profissional por parte dos clientes.

Certamente o principal motivo da falta do reconhecimento do valor do contador pela sociedade em geral é a falta da autovalorização. Ou seja, alguns contadores consideram a profissão pouco relevante, além de acreditar que os serviços podem ser feitos de qualquer forma. Essa postura impede a riqueza das informações geradas e finda na cobrança com preços ínfimos. Muitos empresários contábeis têm leiloado honorários para prestar os serviços, atitude que, obviamente, o impossibilita de fazer o trabalho com qualidade.

Preocupado com a desvalorização da classe contábil, o CFC lançou, em sessão solene no Congresso Nacional em 18 de março, a campanha “2013:  Ano da Contabilidade no Brasil”, que tem por objetivo, nas palavras do presidente Juarez Domingues Carneiro, tornar positiva a imagem da contabilidade. “...faremos várias ações para mobilizar a sociedade sobre a importância da profissão, bem como valorizar os profissionais de contabilidade”, afirmou Carneiro.

No Congresso Nacional, muitos fizeram uso da palavra e enalteceram a categoria, mas destaco a fala do senador Luiz Henrique da Silveira, ao dizer que “a contabilidade é a ciência que organiza o mundo... As empresas bem-sucedidas são aquelas que se orientam rigidamente pela sua contabilidade.”

No portal do CFC é possível conhecer as justificativas e os objetivos traçados para que em 2013 o contador conquiste o tão esperado reconhecimento. Lembro que o primeiro trimestre já se passou e é necessário que ações concretas sejam iniciadas rapidamente para que no próximo Natal a categoria comemore essa importante conquista, e com mais dinheiro no bolso.
Conclamo os colegas a contribuir com sugestões de ações e participação nos eventos. Desde já proponho as seguintes ações que podem ser implementadas com a união de todas as instituições representantes da classe contábil: propagandas esclarecedoras nos meios de comunicação, especialmente nos de maior influência nacional; participação, em novela global, de um ator de destaque que represente o personagem de um profissional da contabilidade íntegro e bem sucedido; e palestras em eventos empresariais (não contábeis), que destaquem a importância de contratar um profissional qualificado.

Tags: contador, valorização, CFC, CRC

domingo, 24 de março de 2013

O oba, oba das leis – legisladores deveriam submeter-se ao “bafômetro” antes da votação


Quem sabe a cobrança de maior responsabilidade e mais comprometimento por parte dos legisladores quando apresentam projetos de lei e participam das votações consiga impedir contradições legais tão explícitas como as que hoje povoam o ordenamento jurídico brasileiro.


A cultura festiva dos brasileiros sempre foi acompanhada de muito álcool. Em qualquer situação a cerveja, a caipirinha, o coquetel ou o vinho estimulam a alegria e a descontração. A ingestão de bebidas alcoólicas é frequente após o futebol, o trabalho e a universidade, sem falar nas baladas e nas merecidas férias.

Se ninguém tem dúvidas de que a bebida alcoólica contribui para animar a festa, todos também já se conscientizaram de que ela é a responsável por grande parcela dos acidentes no trânsito. Segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o hospital Miguel Couto, do Rio de Janeiro, representa ao menos 30% das vítimas de acidentes de carro que deram entrada no hospital tinhas bebido ou se drogado.

O advento da “Lei Seca” e as recentes alterações na fiscalização das leis de trânsito que originaram o programa “Tolerância Zero” criaram expectativa de redução dos acidentes de trânsito. Estas medidas são importantes e necessárias para respeitar o direito das pessoas à vida, mas é preciso punir e responsabilizar a pessoa certa. Em se tratando de bebida alcoólica e trânsito, quem deve ser responsabilizado em caso de acidente? O motorista bêbado ou o dono do bar ou restaurante que vendeu a bebida?

Vejamos como exemplo o Código Civil Brasileiro que destinou 19 artigos para disciplinar a relação dos contabilistas com os clientes, sociedade e órgãos fiscalizadores. O exagero do legislador transformou o contador em responsável solidário, obrigando este profissional a buscar formas de atendimento para evitar surpresas negativas. O contrato de serviço deve ser bem redigido,  contratar de seguro de responsabilidade civil, exigir declarações assinadas pelo cliente quando houver dúvidas sobre uma prática comercial etc.

A reflexão que proponho aos proprietários de bares e restaurantes e, indiretamente, aos nossos representantes institucionais é: até onde vai a responsabilidade do vendedor de bebida alcoólica para o consumidor final? Em caso de acidente, se ficar comprovado que o cliente consumiu álcool em determinado lugar, esse proprietário poderá ser responsabilizado solidariamente, a exemplo do que ocorre com o contabilista em sua área de atuação?

Será que agora chegou a vez dos proprietários de bares e restaurantes tomarem certos cuidados, como, por exemplo, solicitar a seus clientes que assinem declaração de responsabilidade antes de começar a beber?

A adoção do “bafômetro” para detectar o nível de lucidez dos legisladores poderá contribuir significativamente para reduzir o exagero de leis e torná-las mais claras e práticas, além de evitar injustiças como a protagonizada no decorrer das investigações sobre os crimes praticados por Carlinhos Cachoeira. Enquanto este, então o verdadeiro infrator, curtia lua de mel, seu contador estava preso.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

Tags: bafômetro, lei, álcool, contador, bar, restaurante

segunda-feira, 18 de março de 2013

Qual será a função do contador no futuro próximo?


Resumo: Com o advento dos Sped's, o serviço do contador deixará de existir, pelo menos na crença de alguns empresários. Outros estão ansiosos pela liberação deste profissional qualificado para retomar, com  mais tempo,  o auxílio aos clientes na gestão das empresas.

Assim como os animais, o homem caçava para saciar a fome. Depois descobriu que a utilização de ferramentas tornava a tarefa mais fácil e passou a empregar pedaços de pau, pedra cortante, flechas e armadilhas para capturar as presas. Com a descoberta do fogo pôde se aquecer e preparar alimentos com mais sabor. Aos poucos, outras armas tornaram a caça ainda mais fácil. Hoje em dia, com a agricultura, o alimento ganha em qualidade e abundância.

Graças à inteligência desenvolvida no transcorrer de milhares de anos, a vida humana ganhou em conforto, mas algumas atividades parecem estar ameaçadas. Vejamos alguns exemplos:
    *os táxis deixarão de existir, pois a invenção de Henry Ford alcançou níveis tão baratos que atualmente qualquer pessoa tem seu próprio veículo;
    *o cinema acabará, pois a televisão trouxe o filme para dentro de casa, que pode ser visto no momento em que as pessoas desejarem;
    *as viagens serão reduzidas, pois o custo baixíssimo do telefone, especialmente celular, aproximará as pessoas, dispensando o deslocamento;
    *os Correios não terão mais serviços, pois toda a comunicação será substituída pela internet;
    *as empresas que produzem jornais e revistas desaparecerão sem que seja preciso dizer o motivo.

A mesma coisa acontece com os escritórios de contabilidade, pois os livros serão substituídos por arquivos digitais; as guias datilografadas não mais existem; as máquinas de escrever e de somar só se encontram em museu; muitos nem se lembram mais que era necessário entregar uma via da nota fiscal na Receita Estadual. E agora, com o Sped, o que restará para ser feito?

Nunca houve tanto táxi nas ruas como na atualidade e ainda enfrentamos fila quando precisamos de um. Todos os anos são inaugurados novos shoppings com diversas salas de cinemas. O número de viagens a passeio ou a trabalho cresce assustadoramente. A internet se expande a passos largos, da mesma forma que as encomendas enviadas pelos Correios. Atualmente, o número de jornais e revistas é incontável.

A contabilidade foi inventada para auxiliar os empresários a melhor gerir os seus negócios e os governos, sedentos de arrecadar cada vez mais tributos, observou que esta ferramenta é importante para atingir seus objetivos e exigiu muitas informações, sugando parcela significativa dos contadores pagos pelos próprios contribuintes.

Agora, informações intimamente relacionadas registradas pelo contribuinte levarão ao cruzamento digital. Este projeto, que está caminhando aceleradamente, foi batizado de Sped (fiscal, contribuições, contábil etc.)

Por meio dele, alguns serviços repetitivos tendem a ser eliminados e o contador poderá retornar os trabalhos para os quais tanto se preparou: fazer a contabilidade, folha de pagamento, administração do ativo fixo, projetos para buscar recursos financeiros, análise dos resultados mensais, assessoria e consultorias, análise tributária etc.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro "Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado"

Tags: evolução, escritório, contabilidade, Sped

domingo, 3 de março de 2013

O valor do tempo na vida pessoal e profissional


A vida terrena é limitada pelo tempo, nem sempre usado de maneira adequada para atingir os objetivos traçados.  Empresas que não valorizam o controle do tempo são fortes candidatas a compor as estatísticas de mortalidade precoce.

De acordo com pesquisas divulgadas pelo IBGE em novembro de 2012, a expectativa de vida do brasileiro é de 74 anos e 29 dias. A brasileira vive um pouco mais, 77,7 anos. Os jovens dirão que é muito tempo, mas os mais maduros certamente afirmam que 74 anos é apenas um sopro, pois o tempo passa rapidamente.

A pessoa que gosta muito de trabalhar e inicia a vida profissional aos 16 anos, parando somente aos 70, dedicando 10 horas diárias durante seis dias da semana e descansando 30 dias anuais às merecidas férias trabalhará aproximadamente 160 mil horas.  Já aqueles que se aposentam com 35 anos de trabalho, depois de dedicarem 44 horas por semana e considerando algumas faltas por diversos motivos terão trabalhado 67 mil horas.

O empresário contábil certamente está na categoria que consome no trabalho cerca de 160 mil horas de sua vida, tempo que não é tão longo para uma vida inteira. Percebemos claramente que o TEMPO é finito e tudo o que desejamos fazer depende dele.
Daí surge a preocupação: será que estou aproveitando o tempo de forma eficiente?

De acordo com informações publicadas pelo Sebrae em 2011, 440 mil empresas são constituídas anualmente. No primeiro ano 27% encerram as atividades e após 3 anos sobrevivem apenas 52%. Quanto tempo e dinheiro são desperdiçados? A falta de controle do tempo nas empresas pode causar perdas consideráveis, incluindo a impossibilidade de executar todas as tarefas necessárias e exigidas pelos clientes.

Segundo a legislação trabalhista, um colaborador trabalha em média 220 horas mensais, mas é só deduzir o descanso semanal remunerado para verificar que esse número não passa de 190. Continue a conta e deduza férias, feriados, faltas abonadas, treinamentos, reuniões, lanches etc. e constate que o colaborador não trabalha mais do que 150 horas por mês. Quantas dessas horas estarão disponíveis para a venda aos clientes? Conheço empresas que possuem um rigoroso controle e a apuração dessas horas não passa de 120/mês. Se o tempo é tão importante, por qual motivo um empresário deixa de fazer o acompanhamento?

“A falta de tempo é a desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos”, já disse Albert Einstein. A Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec) do Sescap/PR desenvolveu a metodologia para a precificação dos serviços de contabilidade com base no tempo e disponibilizou, por um valor irrisório, a ferramenta “PC Contábil”. Hoje o empresário contábil não pode reclamar da falta de métodos para iniciar um trabalho que valorize o seu tempo e dos seus colaboradores.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”.

Tags: mortalidade, vida, tempo, horas trabalhada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A “guerra honorários contábeis”

O valor atribuído ao produto ou serviço deve ser justo, coerente e rentável, pois a perpetuação da empresa se baseia no retorno gerado.

Tags: honorário contábil, preço, guerra, aviltamento.

O empresário contábil constitui a empresa com o objetivo de prestar serviços e, naturalmente, receber o valor digno pela tarefa capaz de mantê-lo no mercado e investir no próprio negócio para aumentar a qualidade do serviço oferecido, além de distribuir lucros satisfatórios aos sócios.

O serviço prestado pelas empresas de contabilidade é transformado em honorário, que é a expressão monetária de todo esforço empregado na realização da tarefa do cliente pelo profissional da contabilidade.

Ofertar serviços para um prospect - perfil para futuro cliente -, significa disputar com concorrentes a licitação. Feita a visita ao prospect, que objetiva conhecer suas necessidades, chega a hora de apresentar o orçamento, que deve informar os serviços a serem prestados e o preço proposto. Apenas isso? Será que não há mais nada a comunicar?

Para que a comparação ultrapasse o valor monetário, os diferenciais da empresa devem ser expostos. No caso de uma empresa contábil, os principais são qualidade dos serviços, atendimento, instalações adequadas, sala de reuniões para uso do cliente, treinamentos, consultoria, segurança, confiabilidade, tradição, rapidez e preço.

Algumas empresas têm no preço o principal - ou único - diferencial. É comum recebermos indagações de prospect do tipo: “qual é o seu honorário para uma empresa do Simples Nacional com quatro funcionários que emite 60 notas fiscais por mês?” Caso a empresa procurada tenha apenas o honorário para oferecer, certamente proporá o menor valor da praça, independente de saber se cobrirá os custos, e assim apresenta para conquistar o prospect imediatamente, num impulso fratricida.

A auditoria externa nas demonstrações financeiras para 2011 do Banco do Brasil teve uma acirrada disputa e quem venceu, na minha opinião, foi o perdedor.  “Num leilão realizado no fim de outubro, KPMG, Ernst & Young Terco e PwC disputaram a conta de auditoria externa do banco. A última desistiu e as duas primeiras mantiveram uma batalha de lances que derrubou os preços em 99,5%. A KPMG conseguiu manter o contrato por R$ 95 mil - comparado a R$ 19,6 milhões de sua proposta inicial e R$ 6,5 milhões do contrato anterior. O valor, cerca de R$ 3 por hora, não cobre os custos orçados pela empresa nos documentos enviados ao banco.” (http://www.jornalcontabil.com.br/v2/Contabilidade-News/102.html)

O mercado é disputadíssimo, sem dúvida alguma, e se não praticarmos preços mais baixos é impossível manter as portas abertas, mas a prática de valores ínfimos também não garante a perpetuação do negócio. Se o honorário for incapaz de cobrir todos os gastos, a chance da empresa desaparecer é enorme. É necessário que haja no empreendimento uma excelente estrutura de formação do preço de venda e concentração dos esforços na redução dos custos e maximização da produtividade com qualidade e lucro. A exemplo da guerra fiscal, a “guerra honorário contábil” não contribui em nada com a qualidade dos serviços e muito menos com a valorização da classe empresarial contábil.

Reúna-se com os colaboradores e identifique os diferenciais da sua empresa. Se concluir que não existem ou que os pontos negativos sobressaem em relação aos positivos trabalhe em busca da excelência. Acredite e invista no seu negócio primeiro e depois divulgue os diferenciais para conquistar clientes que trazem resultados positivos. A participação em grupos da classe contábil é uma excelente ferramenta para conhecer a concorrência e crescer em harmonia.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado". 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O legado do Papa Bento XVI para os tempos modernos


Resumo: A renúncia do papa Bento XVI é uma lição de humildade. Líderes da nossa sociedade que se apegam aos cargos que ocupam há muito tempo podem aprender com a lição do pontífice e permitir que pessoas novas assumam seus lugares. Essa renovação oxigena, engrandece e traz maior união ao grupo.

Tags: Papa, Bento, legado, líder, políticos, renúncia.

Na semana passada escrevi o artigo “Na convivência em grupo, saber ouvir é essencial”. Num dos parágrafos afirmei que até nas igrejas há pessoas tão apegadas aos cargos ocupados a ponto de dificultar a renovação e a entrada de novos integrantes, postura que desanima os demais membros do grupo e os tornam distantes.

No início desta semana o Papa Bento XVI surpreende o mundo ao comunicar a renúncia ao trono de Pedro em função de problemas de saúde. O susto pela incomum decisão de Bento XVI foi grande e alvo de críticas. Pessoas ligadas à Santa Sé declararam que o Papa não deveria abandonar a cruz. Lembro que Jesus aceitou o ajuda de Simão Cirineu para carregar a cruz (Marcos 15.21).

Bento XVI completará 85 anos de vida em abril, idade em que naturalmente os problemas de saúde se agravam e a disposição para exercer qualquer atividade diminui. Quantas pessoas no mundo desempenham, com excelência, a função de dirigir alguma atividade aos 85 anos? Por que ficar “empoleirado” no cargo até morrer? Sua atitude foi uma desfeita ou um ato grandioso? Alguns dizem que a decisão foi tomada por pressão dentro do Vaticano, o que me parece pouco provável.

Pela tradição da igreja, o papado só se encerra com a morte do pontífice. Como escrevi na semana passada, essa tradição também vem sendo aplicada por dirigentes de entidades que nos cercam. Alguns deles só deixam o cargo quando chega a hora de ir para o cemitério. Está certo isso?

A grandiosidade da decisão de Bento XVI deve ser motivo de muito debate e estudo, pois a vaidade humana naturalmente valoriza o apego demasiado a cargos que conferem poder e projeção social.

O bom líder é aquele que planeja o tempo necessário para sua contribuição e, aos poucos, ajuda a preparar substitutos em plenas condições de continuar a obra assumida momentaneamente por ele, assim como fez Jesus Cristo com os apóstolos.

O Papa Bento XVI não é carismático como seu antecessor, João Paulo II, mas talvez o principal legado que nos deixa seja a grandiosidade de reconhecer o momento de deixar os holofotes para alguém em melhores condições de exercer a função que, aparentemente, é nossa por direito. Você é capaz de fazer isso?

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Na convivência em grupo, saber ouvir é essencial


Resumo: Muito dinheiro arrecadado por instituições sindicais é mal aplicado em função do desconhecimento das necessidades dos associados. Realizar pesquisas bem planejadas é o caminho acertado para a boa gestão sindical.

Tags: sindicato, satisfação, igreja, pesquisa, felicidade, líder.

Qualquer tipo de organização social evidencia a vaidade do dirigente. Alguns se apegam de tal maneira ao cargo que só saem quando vão para o cemitério. Sabemos que o giro de lideranças é o fator que mais oxigena e fortalece um grupo de pessoas.

Até mesmo nas igrejas isto acontece. Algumas pessoas se apoderam dos cargos e dificultam a entrada de novos integrantes, fazendo com que os fieis comecem a murchar e, aos poucos, desaparecem, pois ninguém se sente bem permanecer onde é desvalorizado.

O desaparecimento dos fieis começou a preocupar algumas igrejas, que promovem reuniões com os poucos que restam e pedem auxílio para descobrir o motivo do esvaziamento. Ouvir os fieis, inovar o estilo dos encontros, dar oportunidades para todos e respeitar a individualidade daqueles que não desejam se expor são ferramentas que podem contribuir para atrair os menos participativos.

As pessoas necessitam viver em grupos para melhorar as condições de sobrevivência e ser mais felizes. Tanto é assim que formam grupos de jovens, de casais, grupos para praticar atividades desportivas, de idosos, empresários, empregados e muitos outros, todos em busca de momentos que tornem a convivência mais harmoniosa.

Que felicidade é esta que tanto os seres humanos procuram? A força da união permite enfrentar com maior facilidade as adversidades que surgem diariamente. Pessoas com deficiência física se reúnem para exigir direitos de acessibilidade, pois quando conseguem ruas mais seguras, prédios passíveis de circulação e banheiros adequados, tornam-se mais felizes.

Os empresários se reúnem em grupos, de preferência por tipo de atividade, para discutir seus problemas e criar condições mais adequadas para enfrentá-los. Quando feita em grupo, a busca pela qualificação profissional por meio de treinamento e desenvolvimento de tecnologias acarreta menor custo para todos.

Quando o motivo da união deixa de existir, ou seja, não gera condições favoráveis para seus associados serem mais felizes, o grupo está fadado ao abandono. No caso dos sindicatos, quando isso acontece e o associado não enxerga mais motivos para contribuir com este grupo, pois pouco ou nada proporciona de retorno, somente a lei consegue exigir receita, ou seja, o pagamento da Contribuição Sindical.

Conheço alguns sindicatos dos quais empresários fazem questão de ser associados, pois o retorno é visível. Isso normalmente acontece quando o sindicato é novo e as pessoas que o dirigem têm o firme propósito de ficar pouco tempo na liderança e promove a oxigenação da diretoria, ou seja, o rodízio de seus líderes.

A vaidade da liderança faz com que temas menos importantes, ou defendidos pela minoria sejam mais valorizados. Muitos líderes desconhecem a verdadeira necessidade de seus associados e propõem serviços indesejados por eles. Isso provoca o desaparecimento de muitos membros e o consequente enfraquecimento da entidade.

Para manter qualquer grupo de pessoas sempre unido é necessário que todos estejam satisfeitos. Mas como fazer para manter as pessoas saciadas? Certamente a tarefa não é das mais fáceis, pois exige o desapego de muitas vaidades e a humildade de estar próximo dos participantes e ouvi-los. Quando o grupo é grande, pesquisas tornam-se um eficiente instrumento para conhecer os anseios de todos.

A pesquisa precisa ser bem planejada, com metodologia que permita às pessoas se manifestar. Pesquisa mal preparada e mal aplicada só serve para chatear mais ainda os associados. Tomar decisões com base em resultados inadequados pode resultar num bom discurso, mas certamente será um desastre se a intenção é obter a satisfação dos associados no momento de colocar as ações em prática.


Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Enriquecer causando perdas irreparáveis a terceiros custará caro


Resumo: Alguns empresários deixam de considerar se estão ganhando dinheiro de forma responsável, ética e lícita, e se suas condutas poderão trazer prejuízos irreparáveis para a sociedade e para a classe profissional. Em algum momento, tais insanidades custarão caro.

Tags: Prejuízo, tragédia, Kiss, insanidade, segurança, contador, denúncia, aviltamento

A falta de segurança em qualquer situação, muitas vezes não calculada, poderá acabar com a vida de inocentes. Uns morrem fisicamente, outros psiquicamente. Na tragédia de Santa Maria/RS, a irresponsabilidade de muitas pessoas, entre elas proprietários, órgãos legisladores e fiscalizadores e até da sociedade, que conhecia o perigo e não denunciou, gerou a morte de mais de 230 jovens que certamente poderiam contribuir com o desenvolvimento do nosso país e arrasou a vida de milhares de outro tanto de parentes e amigos.

Quero chamar a atenção para o fato de que mesmo os culpados pela tragédia terão suas vidas infernizadas. Será que vale a pena explorar insanamente uma atividade?

Enquanto perdurar a incompetência do governo, a distribuição fraudulenta das arrecadações e o jeitinho brasileiro para conseguir as coisas – normalmente em troca de suborno –, perdurarão, a todo o momento, pequenas desgraças. Às vezes, capazes de provocar grandes tragédias que causam comoção nacional e leva os políticos a fazer emocionantes discursos, promessas e troca de acusações. Mas o tempo passa, o povo esquece e tudo continua como dantes.

Em qualquer profissão ou atividade, a inexistência de fiscalização rigorosa poderá facilitar a vida dos “mais espertinhos” que oferecem o produto inadequado, mas com aparência regular. Alguns exemplos são laboratórios que fazem “remédio” de farinha, brinquedos fabricados com material impróprio que podem matar crianças, empresas on-line que oferecem produtos a preços baixos, mas nunca entregam, licitação pública que privilegia quem tem “esquema”, vistoria escandalosa que aprova tudo mediante “pequeno reconhecimento”, profissional que recebe o diploma sem nunca ter sentado no banco universitário e depois causa enorme barbaridade à sociedade e assim vai. A lista é grande.

Os empresários contábeis precisam se policiar e denunciar colegas que fazem da vida de tantos, pequenas tragédias. Assinar declaração falsa, produzir balanço fictício, trabalhar por valor irrisório que não oferece condições para prestar um serviço adequado, são exemplos de atitudes que trazem enormes prejuízos aos colegas e à sociedade.

Seja um profissional responsável, que prefira ser menos rico para conquistar a liberdade. Decida perder um cliente, um trabalho, um acréscimo no faturamento, que não lhe traz segurança, para evitar ter de se defender contando mentiras e, mais uma vez, prejudicar inocentes. Faça o que é certo. Cobre o valor justo e conquiste sua independência no mais amplo sentido da palavra. Valorize sua vida, dos seus familiares e dos outros.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 27 de janeiro de 2013

Profissionalismo também no fim das relações comerciais


Resumo: O desespero de algumas empresas contábeis para conquistar novos clientes às vezes desrespeita princípios básicos que desvaloriza a classe contábil. A Comissão TRT pode contribuir significativamente para normalizar este mercado.

Tags: TRT, transferência técnica de contador, aviltamento, CRC, troca.

O velho e conhecido escritório de contabilidade, ou organização contábil, para ficar mais próximo da definição do Código Civil Brasileiro é, para mim, uma empresa de contabilidade. Explorar um ramo de atividade utilizando-se de auxiliares para a prestação de serviços é atribuição de uma empresa. Dizer que o proprietário de um escritório de contabilidade não é um empresário é desvalorizar a classe. Este empresário contábil vive todas as facilidades e as dificuldades que os demais empresários, e os melhores empreendedores buscam a união da classe para somar forças.

Normalmente, quando contratado, o empresário contábil vende seus serviços por um longo período, por se tratar de um relacionamento de grande confiança do qual o cliente não tem interesse de desfazer por qualquer motivo. No entanto, este relacionamento profissional pode se desgastar com o passar do tempo, devido à qualidade do serviço prestado, valor praticado, falta de pagamento ou perda da confiança, entre outros.

Quando ocorre o desgaste e há necessidade de quebrar o contrato, nem sempre a rescisão se dá de maneira amistosa. Para contribuir com o processo de transição do contador responsável, alguns sindicatos de classe e o próprio conselho, por meio das regionais criaram a Comissão de Transferência de Responsabilidade Técnica (TRT).

A Comissão TRT tem como finalidade garantir os direitos das partes envolvidas na transição, procurando evitar o aviltamento de honorários e a concorrência desleal, bem como auxiliando no recebimento dos honorários atrasados. Todas estas ações valorizam a classe contábil.

Em alguns Estados, o Conselho Regional de Contabilidade (CRC) incluiu na legislação uma resolução que define o processo de transição. Na minha avaliação, bastante simplista, que pouco favorece a classe contábil, parecendo mais preocupada em salvaguardar os direitos do cliente. Em algumas regionais, o processo todo é feito eletronicamente. Um mero registro do contabilista que entrega o cliente e outro que o recebe. Todos os problemas existentes, inclusive honorários vencidos, são deixados de lado.

Quero fazer três destaques extraídos do Código de Ética do Profissional do Contador (CEPC), aprovado pela Resolução CFC nº 803/1996. Podemos observar que o Conselho Federal de Contabilidade pensou em proteger os seus e, portanto, deve contribuir mais significativamente para que o processo TRT seja trabalhado com mais clareza. A defesa dos direitos do cliente certamente é necessária, da mesma forma que os direitos do contabilista que está entregando o cliente.



“Art. 2º. São deveres do Profissional da Contabilidade:
[...]
IX – ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico;
[...]

Art. 8º. É vedado ao Profissional da Contabilidade oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal.
[...]

Art. 11. O Profissional da Contabilidade deve, com relação à classe, observar as seguintes normas de conduta:
[...]
II – zelar pelo prestígio da classe, pela dignidade profissional e pelo aperfeiçoamento de suas instituições;“

Em qualquer categoria, buscar clientes a qualquer preço implica diretamente na queda da qualidade do produto ou serviço. É necessário que o Conselho de Contabilidade e os sindicatos de classe unam-se para criar condições favoráveis para o bom relacionamento profissional entre os concorrentes. Muito já se evoluiu neste sentido, mas é necessário ir além.

Entendo que as Comissões TRT’s limitarem-se ao registro de fatos é incabível e devem se estruturar para agir com rigor no auxilio de qualquer das partes que estiver sendo prejudicada. A atuação contribuirá para que o relacionamento comercial seja mais harmonioso e confiável. A ação deverá compreender:
*o acompanhamento para a entrega completa e dentro do prazo de todos os documentos, obrigações acessórias e informações ao cliente;
*a garantia, ao contabilista que entrega o cliente, do recebimento dos honorários;
*coibir o aviltamento de honorários;
*denunciar a concorrência desleal;
*encaminhar denúncia de indícios de atos abusivos aos órgãos competentes.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".

domingo, 20 de janeiro de 2013

A força do treinamento


Resumo: O tempo de vida do ser humano é limitado, então é importante aprender a utilizá-lo da melhor maneira. Investir parte dele em treinamentos para aprimorar as tarefas é uma maneira inteligente de otimizá-lo e aproximar-se do sucesso

Tags: tempo, treinamento, gestão, empresário, sorte, aperfeiçoar


Estava de férias no litoral catarinense e escutei um forte apito num momento em que contemplava a imensidão do mar e seu movimento constante. Observei um salva-vidas adentrando o mar correndo e então percebi, mais à frente, uma pessoa em apuros acenando desesperadamente. Rapidamente o salva-vidas chegou até ela e tirou-a da água em segurança. Logo uma grande multidão de curiosos se aglomerou e em pouco tempo chegou a informação de que se tratava apenas de um treinamento. Apenas um treinamento. Parece algo sem importância, quase desnecessário.

Em certa ocasião questionaram o campeão mundial de golfe, Tiger Woods, a que ele atribuía o fato de ter tanta sorte. Ele respondeu: "A que atribuir eu não sei, mas reparei que quanto mais treino, mais sorte eu tenho". (http://www.macunaima.com.br/preciso-ter-talento).

O treinamento permite aprender novas formas de executar a mesma tarefa com maior precisão e rapidez, e com o emprego de menor esforço. É assim que muitas empresas de sucesso superam suas metas de ofertar um produto ou serviço sempre melhor e a custos menores. O Steve Jobs (ex-presidente da Apple) nunca mediu esforços para buscar novos conhecimentos. Onde houvesse qualquer possibilidade de algo mais evoluído, lá estava ele para conhecer e aprimorar.

O empresário contábil também investe muito em treinamentos, especialmente para conhecer as novas obrigações acessórias introduzidas pelo governo. Esta decisão é louvável e sabemos que é muito difícil manter-se atualizado no Brasil, devido à imensidão – talvez, maior do que o mar - da legislação que diariamente despejada. Para informar bem o cliente, só resta ao contador estudar constantemente.

Neste artigo chamo a atenção para a força do treinamento, mas agora, especialmente, para a gestão das empresas contábeis. Poucas são as empresas que conseguem ter o controle das tarefas executas por seus colaboradores, das finanças, dos clientes, enfim da administração do seu negócio. Na atualidade há muitos treinamentos ofertados, na maioria das vezes pelos sindicatos da classe, que permitem aprimorar e conhecer novas técnicas de gerenciamento.

         A falta de tempo é a alegação mais frequente que justifica a pouca vontade de participar de treinamentos. A produtividade cai após o treinamento? A sorte poderá bater à porta, como acontece com o Tiger Woods e tantas outras pessoas e empresas que continuamente treinam.

Cessar a busca pelo aperfeiçoamento e inovações é estacionar, e sabemos o que acontece com o profissional ou empresa que ficam estacionados. Desaparecem, aos poucos, até tornarem-se insignificantes.  E o negócio acaba por não ser mais viável.

É necessário ser eficaz e eficiente, pois o mercado exige, e só quem estiver bem preparado continuará com sucesso. Busque novos conhecimentos e será a cada dia um profissional melhor, com a empresa competente para disputar o acirrado mercado.

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil e autor do livro "Honorário Contábil. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado".